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Veja empresários que doaram para Jair em 2022, mas não para Flávio Bolsonaro em 2026
Veja empresários que doaram para Jair em 2022, mas não para Flávio Bolsonaro em 2026
Por Joana Cunha, Júlia Moura e Marina Pinhoni/Folhapress
03/10/2026 às 11:59
Foto: Vittor Sales/Arquivo/Divulgação
Flávio Bolsonaro
Os empresários que fizeram as maiores doações para a campanha de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, oferecendo quantias superiores a R$ 1 milhão, não financiaram a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) em 2026.
Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que foi o maior doador, como pessoa física, de Jair Bolsonaro em 2022, com R$ 3 milhões, já não pode repetir o feito porque está preso, envolvido no escândalo do Banco Master.
O segundo maior, Salim Mattar, fundador da empresa de aluguel de carros Localiza, que destinou R$ 1,8 milhão ao pai na última eleição, também ficou de fora das doações diretas ao filho.
Mattar, que chegou a ocupar o cargo de secretário do Ministério da Economia durante o governo Bolsonaro, destinou suas doações a candidaturas do legislativo neste ano.
As doações diretas a candidatos costumam ser vistas como um apoio que vai além do suporte financeiro. Alguns casos acabam gerando grande repercussão nas redes sociais, com exposição do doador e da empresa, já que o gesto é interpretado como endosso do empresário ao político.
Um dos casos mais notórios foi Luciano Hang, dono da rede Havan, que se posicionou como um dos maiores apoiadores do bolsonarismo no setor privado desde a eleição de 2018. Hang ficou famoso pelos vídeos que divulgava na internet fazendo ataques a Lula e ao PT. Em 2022, ele doou R$ 1 milhão para a candidatura de Jair.
Neste ano, Hang não realizou nenhuma doação direta a Flávio Bolsonaro. O empresário financiou apenas candidatos a deputado e senador.
A reportagem procurou a assessoria de Hang para questionar por que decidiu não financiar a campanha de Flávio, mas ele não comentou o assunto.
Em janeiro de 2023, Hang se pronunciou sobre a vitória de Lula, reconhecendo o resultado e desejando sorte "ao piloto". Desde então, adotou postura mais discreta, evitando posicionamento sobre os temas político-partidários.
Outro caso de grande exposição foi o de Jorge Eduardo Beira, da família controladora da Ypê. O sobrenome, que era pouco conhecido do público consumidor em geral, viralizou na internet quando os membros da família doaram o total de R$ 1,5 milhão.
Jorge Beira, que doou R$ 750 mil a Jair Bolsonaro em 2022, também não apareceu na lista de financiadores de Flávio neste ano.
Membros da família Grendene Bartelle —da fabricante de calçados Grendene, que reúne marcas como Ipanema, Rider e Melissa, e da Vulcabras, com marcas como Mizuno, Olympikus e Under Armour—, os irmãos Alexandre Grendene Bartelle e Pedro Grendene Bartelle doaram R$ 1 milhão cada um para o pai em 2022, mas não doaram nada para o filho agora.
O mesmo aconteceu com os produtores rurais Hugo de Carvalho Ribeiro (da Amaggi), Oscar Luiz Cervi (Grupo Cervi), Cornélio Adriano Sanders (Grupo Progresso).
Também da Localiza, Antônio Cláudio Brandão Resende e Flávio Brandão Resende, que doaram R$ 600 mil cada um para Jair em 2022, não voltaram a doar para Flávio em 2026.
Em comunicado enviado para a reportagem, a assessoria de Cornélio Sanders disse que, neste momento, ele "optou por manter uma posição de neutralidade em relação ao processo eleitoral, não se manifestando sobre apoio a candidaturas específicas."
Em nota, afirma que "prefere não comentar decisões de caráter pessoal relacionadas a doações ou participação em campanhas eleitorais" e que "a posição adotada busca preservar essa neutralidade, sem qualquer juízo em relação a candidatos, partidos ou grupos políticos".
A Folha tentou contato com os outros empresários citados, mas não teve resposta.
Em 2022, o total de doações de pessoas físicas para Jair ficou em torno de R$ 88 milhões. Para Flávio, até agora, os dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) apontam R$ 6,6 milhões.
