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Único senador a votar contra o fim da escala 6x1, Mourão diz que colegas cederam à pressão e nega solidão
Único senador a votar contra o fim da escala 6x1, Mourão diz que colegas cederam à pressão e nega solidão
Por João Pimentel, Folhapress
15/10/2026 às 17:54
Foto: Roque de Sá/Agência Senado
Senador Hamilton Mourão (Republicanos - RS) no plenário da casa
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) ficou isolado na votação que pôs fim à escala 6x1 no Senado. A proposta foi aprovada nesta quarta-feira (14) por 75 votos favoráveis e um contrário, tanto no primeiro quanto no segundo turno. O voto contrário, nos dois turnos, foi o de Mourão.
Na manhã desta quinta-feira (15), no programa Timeline, da Rádio Gaúcha, o ex-vice-presidente de Jair Bolsonaro foi questionado sobre por que os colegas que estavam ao seu lado mudaram de posição. Ele disse que o tema não chegou a ser debatido no Republicanos e cada senador seguiu a própria visão.
Mourão afirmou que não previa o isolamento. "Eu tinha esperança de que pelo menos ali uns 10, 12 estivessem comigo nessa votação", disse. Na sua leitura, "alguns tinham compromisso específico de votar a favor do projeto, mas outros nem tanto, não precisavam" e "fizeram parte comigo ao longo desses quatro anos da oposição ao governo Lula".
Ele rejeitou a ideia de solidão política. "Eu não fiquei sozinho porque eu tenho recebido uma quantidade enorme de apoios da nossa população, dos mais diversos setores", declarou. E acrescentou, rindo: "Óbvio que tem gente que quer me jogar um tamanco na cabeça, mas tem bastante gente que me cumprimentou".
O ex-vice-presidente da República defende outro caminho para a jornada de trabalho. Disse estar alinhado com a PEC alternativa que prevê liberdade contratual e pagamento pelas horas trabalhadas, apresentada por Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro (PL)
Deu como exemplo a própria casa. "Eu tenho uma funcionária que trabalha quatro dias por semana, porque a produtividade dela permite que em quatro dias ela cumpra tudo aquilo que ela faria se tivesse que trabalhar a jornada de 44 horas. É um acordo", contou.
Quando questionado sobre a assimetria de forças entre patrão e empregado, afirmou que esse tipo de negociação exige qualificação e que há disparidades. Para ele, fixar a escala na Constituição engessa as relações de trabalho. Defendeu também que o país aumente a produtividade para, depois, trabalhar menos.
Mourão já havia antecipado o voto contrário. Em entrevistas, classificou a PEC como eleitoreira e questionou por que a discussão não ocorreu em 2023. Nesta quinta, repetiu que o custo será repassado a trabalhadores e consumidores, com demissões e alta de preços. Segundo ele, isso só será percebido no ano que vem.
