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'Que Flávio continue tentando censurar, cresce 1 mi de membros cada vez', diz Janones, sobre grupo 'Exército do Lula'

'Que Flávio continue tentando censurar, cresce 1 mi de membros cada vez', diz Janones, sobre grupo 'Exército do Lula'

Deputado lidera canal de WhatsApp que impulsiona o presidente e foi alvo de ações no TSE

Por Diego Alejandro/Folhapress

13/10/2026 às 18:45

Foto: Câmara dos Deputados/Arquivo

Imagem de 'Que Flávio continue tentando censurar, cresce 1 mi de membros cada vez', diz Janones, sobre grupo 'Exército do Lula'

O deputado federal André Janones (Rede-MG)

Enquanto a Justiça Eleitoral decide se o canal de WhatsApp "Exército do Lula", criado pelo deputado André Janones (Rede-MG), pode funcionar, o grupo ganha novos integrantes a cada tentativa de derrubá-lo. "Quero que Flávio Bolsonaro continue tentando nos censurar. A cada tentativa dele aumenta 1 milhão de novos membros", afirma o deputado, que, durante a entrevista à coluna, ainda não sabia da decisão mais recente do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, sobre o caso.

Na terça-feira (13), a campanha do presidente Lula (PT) registrou o canal na Justiça Eleitoral, cumprindo uma das condições impostas por Kassio para seu funcionamento. Com isso, o ministro considerou encerrado o caso, após expedir dois despachos para derrubá-lo. O grupo já reúne mais de 4 milhões de usuários —tinha 2 milhões na quinta (7) e 50 mil no fim do primeiro turno.

Em entrevista à coluna, Janones disse ver indícios de tratamento desigual na atuação da corte eleitoral, mas afirmou não acreditar que o TSE como instituição esteja comprometido. "A decisão de suspender o canal foi dada sem análise de qualquer prova, de qualquer indício. Então, a priori, existem indícios sim de um tratamento desigual", afirma.

O deputado, no entanto, faz uma distinção entre a atuação do tribunal e a do ministro. Questionado sobre as críticas de Lula a Kassio —que afirmou perceber "decisões tendenciosas" contra sua candidatura—, Janones disse considerar suspeita a decisão de suspender o canal a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL).

"Creio que ele deve explicações sobre ter tomado uma decisão sem nenhum fundamento, apenas atendendo ao pedido de Flávio Bolsonaro", afirma.

Recentemente, Kassio também suspendeu a circulação do jornal Petróleo dos Brasileiros, do Sindipetro Unificado, a pedido da campanha de Flávio, sob suspeita de favorecer Lula. O ministro ainda negou pedidos do PT para remover peças da campanha de Flávio que associam Lula a Alexandre de Moraes, ao caso do INSS, à liberação de cassinos ilegais e ao endividamento da população, além de rejeitar pedidos de direito de resposta.

Segundo Janones, a controvérsia foi alimentada por uma acusação que, na avaliação dele, não se sustenta. "Criou-se uma fake news para combater uma suposta fake news que nunca existiu. A fake news aí era de que eu estava publicando fake news", diz.

A campanha de Flávio acionou a Justiça Eleitoral sob a alegação de que o canal disseminava conteúdos falsos sobre o senador, incluindo informações sobre sua suposta ligação com milícias e lavagem de dinheiro. O jornal Folha de São Paulo mostrou que, em relatório divulgado na segunda-feira (12), a área técnica do TSE afirmou não ter localizado, nas publicações analisadas, os conteúdos apontados na ação. O documento ressalvou, porém, que mensagens apagadas poderiam não estar disponíveis para consulta.

Em áudio enviado ao canal, que, segundo Janones, teve mais de 300 mil visualizações, o deputado pediu que os seguidores não ataquem os ministros do TSE nem a imprensa em reação às decisões judiciais.

"Eu poderia usar isso aqui agora para mirar esse canhão no Poder Judiciário, no TSE, na imprensa, chamar a imprensa de golpista. Nós não vamos fazer isso, porque nosso exército é um exército democrático", diz.

Janones afirma que não pretende reproduzir estratégias que atribui ao bolsonarismo, como ataques às instituições quando decisões judiciais contrariam seus interesses. "Nós não vamos ser a mesma coisa que o bolsonarismo, porém com sinal trocado. Aqui não é uma luta para saber se quem vai ser ditador é direita ou esquerda. Aqui é uma luta em defesa da democracia", afirma.

No áudio, ele também orienta os participantes a direcionar as críticas a quem pediu a suspensão do canal, e não aos magistrados responsáveis pelas decisões.

"Não ataquem o ministro Kassio Nunes Marques, não ataquem o TSE, não caiam na armadilha. É isso que eles querem, eles querem enfraquecer as instituições", diz.

O deputado afirma que pretende continuar usando o grupo para mobilizar apoiadores de Lula e contestar politicamente seus adversários, enquanto recorre às vias judiciais contra decisões que considera injustas.

"Eu vou cumprir todas [as decisões]. Eu vou lutar aqui com vocês para mobilizar, para denunciar, vou lutar com os meus advogados, mas nós não atacaremos a Justiça", afirma.

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