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Motta diz que centro precisa entender como sobreviver na 'selva política' após onda de direita
Motta diz que centro precisa entender como sobreviver na 'selva política' após onda de direita
Presidente da Câmara busca reeleição, e teve apoio de líder do PSD
Por Augusto Tenório/Isadora Albernaz/Folhapress
13/10/2026 às 20:00
Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados/Arquivo
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB)
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (13) que partidos de centro precisam entender como sobreviver ao que ele chama de "selva política" após a direita engolir cadeiras do grupo no Congresso. O parlamentar quer permanecer no comando da Casa no próximo ano e recebeu o apoio do líder do PSD, Antônio Brito.
"Temos que olhar para o resultado da eleição e tentar entender como será o nosso futuro. Compreendendo o que foi o resultado das urnas, legitimado pela vontade popular, mas que, a partir dali, como nós, que vamos estar aqui a partir de fevereiro, vamos sobreviver nessa selva política e nesse país tão radicalizado", disse Motta.
O presidente da Câmara apoiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez campanha para o petista na Paraíba e chegou a usar um boné com o nome do petista. O favoritismo de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial e a desempenho do PL na eleição para o Congresso ameaçam sua recondução no comando da Casa.
A Casa vai eleger um novo presidente em fevereiro de 2027, quando os novos deputados assumem o mandato. Motta defendeu a união dos partidos do seu espectro político, indicando pedido de apoio à sua reeleição na Câmara.
"Quando esse centro político se junta, esse centro político decide o que será aprovado, o que será pautado e o que será feito aqui no Parlamento", afirmou ele, após a conversa com o líder do PSD. Ambos foram adversários na última eleição para o comando da Casa.
"Precisamos, mais do que nunca, estar juntos. Olhando para o resultado da eleição no dia 2 [de fevereiro], é peremptório para nós, eu diria até que é vital, nós estarmos juntos", disse Motta. "Naturalmente, pelo fato de eu ter direito à reeleição enquanto presidente da Casa, caberá a mim individualmente construir a viabilidade dessa reeleição", afirmou.
O PL elegeu 121 deputados, garantindo a maior bancada a partir de 2027. Como também ocupa o maior número de cadeiras do Senado, o partido pretende assumir o controle pelo menos uma das Casas e ter gerência direta na escolha da outra.
O centrão, grupo de Motta, tinha 140 deputados antes das eleições e passará para 128 na próxima legislatura. Outras siglas dessa ala, como PSD e MDB, também perderão cadeiras a partir de 2027.
O Republicanos tem 41 deputados, e o PSD tem 43. Motta afirmou que a declaração de apoio seria reconhecida no futuro, na formação de um grande bloco de partidos de centro.
"Nós estamos começando a conversar com os partidos de centro para poder ver qual o tamanho que esse bloco vai ficar, para que, a partir daí, o PSD possa ter o seu tamanho e reconhecimento, de ter sido o primeiro partido a querer fazer parte desse bloco. E nós sabemos que na política é assim: quem chega primeiro bebe água mais limpa", afirmou.
