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Lula repete Bolsonaro ao antecipar pagamentos do Bolsa Família antes de 2º turno das eleições
Lula repete Bolsonaro ao antecipar pagamentos do Bolsa Família antes de 2º turno das eleições
Em 2022, então presidente anunciou mudança no calendário no dia seguinte ao primeiro turno, quando ficou atrás do petista
Por Idiana Tomazelli/Folhapress
19/10/2026 às 18:00
Atualizado em 19/10/2026 às 17:52
Foto: Lyon Santos/ MDS
Cartão do Bolsa Família
A decisão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de antecipar o calendário de pagamentos do Bolsa Família, de modo que todos os beneficiários recebam os valores antes do segundo turno das eleições, tem precedente.
Em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) adotou o mesmo expediente. Após o candidato à reeleição terminar o primeiro turno atrás do petista, em votação ocorrida em 2 de outubro, o Executivo federal anunciou, no dia seguinte, a antecipação do calendário do programa, na época rebatizado de Auxílio Brasil.
O cronograma original previa repasses de 18 a 31 de outubro de 2022 —portanto, os pagamentos seriam concluídos após o segundo turno, convocado para o dia 30 de outubro. O governo Bolsonaro, então, antecipou o calendário para 11 a 25 daquele mês.
Na época, o Executivo federal também anunciou a inclusão de mais 500 mil famílias no programa. Ainda implementou, entre o primeiro e o segundo turno das eleições, o empréstimo consignado do Auxílio Brasil, operado principalmente pela Caixa Econômica Federal, então comandada por Daniella Marques —hoje assessora econômica do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Até 1º de novembro de 2022, os bancos emprestaram R$ 9,5 bilhões, dos quais R$ 7,6 bilhões foram emprestados pela Caixa. Após a derrota de Bolsonaro no segundo turno, o banco estatal suspendeu a oferta da linha. Sob Lula, a modalidade foi extinta de forma definitiva.
Agora, em desvantagem na corrida eleitoral após terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, Lula repete seu antecessor e também antecipa o calendário de pagamento do Bolsa Família. O cronograma original previa pagamentos de 19 a 30 de outubro. Com a mudança, os depósitos ocorrerão de 19 a 21 deste mês —ou seja, com o término antes do segundo turno das eleições.
Esse será o primeiro mês em que os beneficiários do programa sentirão no bolso os efeitos do reajuste de 15,04% anunciado pelo governo Lula em 17 de setembro, a 17 dias do primeiro turno. Com a medida, o repasse mínimo sobe de R$ 600 para R$ 691 por família.
Também foram corrigidos os valores de parcelas adicionais do programa. O Benefício de Renda de Cidadania, pago por integrante da família, passou de R$ 142 para R$ 164. O benefício para crianças de até sete anos incompletos subiu de R$ 150 para R$ 173. Já a parcela destinada a gestantes, nutrizes e crianças e adolescentes de sete a 18 anos incompletos passou de R$ 50 para R$ 58.
Segundo dados do MDS (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome), 19,3 milhões de famílias vão receber o benefício, cujo valor médio foi calculado em R$ 782,92. O pagamento total soma R$ 15,06 bilhões.
