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Bolsa sobe mais de 2% e volta aos 192 mil pontos antes do 1º turno; dólar cai

Bolsa sobe mais de 2% e volta aos 192 mil pontos antes do 1º turno; dólar cai

Alta ganhou força à tarde, com investidores ajustando posições antes da eleição, segundo analistas

Por Júlia Galvão/Folhapress

02/10/2026 às 19:00

Foto: Divulgação/Arquivo

Imagem de Bolsa sobe mais de 2% e volta aos 192 mil pontos antes do 1º turno; dólar cai

Bolsa de Valores

A Bolsa de Valores encerrou o último pregão antes do 1º turno das eleições, que acontece neste domingo (4), com alta de 2,62%, aos 192.114 pontos. O índice não alcançava esse patamar desde 22 de abril, quando fechou aos 192.889 pontos. A alta ganhou força ao longo da tarde, em meio ao posicionamento de investidores para a eleição, segundo analistas.

O dólar encerrou em queda de 0,13%, cotado a R$ 5,216.

Felipe Cima, analista de renda variável da Manchester Investimentos, afirma que o movimento reflete, entre outros fatores, o fechamento de posições vendidas, os chamados shorts, o que ajudou a impulsionar ações que vinham pressionadas, como Hapvida. Ele também vê sinais de volta seletiva do investidor estrangeiro à Bolsa, enquanto os investidores institucionais brasileiros ainda estão pouco alocados em ações.

Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, também atribui parte da alta à movimentação dos investidores antes da eleição. Segundo ele, o volume de negócios e a aceleração da Bolsa durante a tarde indicam que investidores institucionais podem ter deixado para fazer operações de curto prazo mais perto do fechamento, apostando no resultado do primeiro turno. Para o especialista, esse movimento pode ser parcialmente revertido na segunda-feira (5), após a divulgação do resultado eleitoral.

O movimento ganhou impulso já pela manhã após a divulgação dos dados de emprego dos Estados Unidos, que mostraram a criação de 29 mil postos de trabalho em setembro, abaixo dos 90 mil projetados por economistas consultados pela Reuters. A taxa de desemprego ficou em 4,2%, ante projeção de 4,1%. O dado de agosto foi revisado de 162 mil para 133 mil vagas.

Os dados reforçaram a percepção de desaceleração do mercado de trabalho americano, reduzindo a pressão sobre o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) para manter uma política monetária mais restritiva. Com isso, investidores passaram a considerar menos provável uma nova alta dos juros, favorecendo ativos de risco.

Cima afirma ainda que o mercado já começa a se posicionar antes da eleição porque o custo de ficar de fora de uma eventual alta forte pode ser maior que o de antecipar uma posição. Segundo ele, uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) poderia favorecer uma alta mais expressiva do Ibovespa em outubro. Uma possível troca de governo é vista por parte do mercado como um fator que poderia melhorar a percepção dos investidores sobre a condução fiscal.

Os Treasuries, títulos de dívida do governo americano, começaram o dia em queda após a divulgação dos dados, mas voltaram a subir durante a tarde. Às 17h10, os títulos de dez anos tinham rendimento de 5,284%, alta de 0,88% , enquanto os de 30 anos rendiam 5,632%, avanço de 0,52%. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de principais divisas, fechou em queda de 0,21%.

Em Wall Street, as Bolsas também fecharam em alta. O S&P 500 subiu 0,79%, o Dow Jones avançou 0,49% e o Nasdaq teve alta de 1,19%.

Luis Ferreira, CIO para as Américas do EFG, diz que o resultado de emprego dos EUA abaixo do esperado reduz a possibilidade de uma nova alta de juros pelo Fed na próxima reunião, marcada para os dias 27 e 28 de outubro. Segundo ele, porém, o dado não encerra o debate sobre uma alta ainda neste ano. O EFG continua esperando uma elevação de 0,25 ponto percentual em dezembro.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, também destacou a diferença entre o resultado e as expectativas. Segundo ele, além da criação de vagas abaixo do esperado, a revisão do dado de agosto também chamou a atenção. O número passou de 162 mil para 133 mil postos de trabalho.

Castro Alves também destacou a desaceleração do crescimento dos salários. A expectativa era de avanço de 0,3%, mas o resultado foi de 0,1%. A taxa de desemprego, por sua vez, subiu para 4,2%.

Os investidores também acompanharam as incertezas no mercado de petróleo. Às 17h12, o Brent era negociado em alta de 0,59%, cotado a US$ 102. Em 26 de setembro, o presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou uma proposta do Irã para um plano de sete dias que previa a reabertura do estreito de Hormuz e a interrupção das hostilidades. Desde então, houve novas tratativas por meio de mediadores do Catar, mas ainda não houve um acordo.

No mercado doméstico, investidores também repercutiram a divulgação da PIM (Pesquisa Industrial Mensal). A produção industrial recuou 0,6% em agosto ante julho, resultado abaixo das expectativas.

Para Rodolfo Margato, economista da XP, o resultado levou a uma revisão da perspectiva para o crescimento da economia no terceiro trimestre. A produção industrial recuou abaixo das expectativas da XP, de queda de 0,2%, e do mercado, de alta de 0,1%.

No cenário político, investidores também acompanharam os efeitos da nova pesquisa Datafolha, divulgada na véspera (1º). O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45% dos votos válidos no primeiro turno, ante 40% do senador Flávio Bolsonaro. No segundo turno, Lula aparece com 48%, ante 45% de Flávio, em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Na semana anterior, Lula tinha 43% dos votos válidos no primeiro turno e 47% das intenções de voto no segundo turno. Flávio Bolsonaro aparecia com 39% e 45%, respectivamente.

O Datafolha divulgará ainda neste sábado (3) nova rodada de pesquisa sobre a intenção de voto para presidente e para os governos de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Piauí e Distrito Federal.

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