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As opções para a Prefeitura no grupo de Neto, o bolo na sucessão de Carlos Muniz, o jogo duplo contra Ivana, o sincericídio de Carletto e o risco para a Fenagro
As opções para a Prefeitura no grupo de Neto, o bolo na sucessão de Carlos Muniz, o jogo duplo contra Ivana, o sincericídio de Carletto e o risco para a Fenagro
Por Política Livre
21/10/2026 às 11:51
Atualizado em 21/10/2026 às 11:52
Foto: Arte Política Livre
À espreita
Assim como no grupo petista, em que todas as atenções estão voltadas neste momento para a eleição deste domingo (25), no time de ACM Neto (União Brasil) a ordem é só abrir as discussões sobre a sucessão municipal de 2028 depois que sair o nome do novo presidente do Brasil. Tanto de um lado quanto do outro, a avaliação é a de que muito das articulações que se estabelecerão para o futuro dependerão integralmente da maneira como o cenário nacional estiver definido a partir de janeiro do ano que vem, quando o novo presidente tomará posse.
Prioridade
No grupo de ACM Neto, que tem o controle da Prefeitura há 14 anos, as discussões estão naturalmente mais avançadas e, como já antecipou a Radar do Poder, integralmente focadas na sua figura, portanto, dependendo do movimento que fará em relação à sucessão do prefeito Bruno Reis (União Brasil). Por ora, ele tem a prioridade para, se quiser, disputar de novo o cargo de prefeito, se assim julgar necessário para a sobrevivência do grupo político que mantém no poder, com muita competência, desde 2012.

Quem tem boca…
No caso de Neto não querer sair candidato, aí será mais difícil controlar o grupo, onde Bruno Reis tem sua preferida, a atual vice-prefeita Ana Paula (União Brasil), o deputado federal Leonardo Prates (Republicanos) corre por fora e o time acaba de ganhar o reforço do ex-ministro João Roma (PL), presidente estadual do PL que concorreu ao Senado e deve ganhar considerável musculatura para voos futuros, se Flávio Bolsonaro (PL), como apontam as pesquisas até agora, conseguir ganhar a eleição de Lula.
Oportunidade
No campo do governo, que avalia positivamente o crescimento de nomes de esquerda em Salvador nestas eleições, a análise, por sua vez, é a de que 2028 se apresenta como uma oportunidade para se tentar tomar a Prefeitura de Salvador de uma vez por todas das mãos do grupo de Neto, independentemente de quem venha a ser o presidente da República. Para isso, é possível contar com o apoio do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e com estratégias para pegar no pé do prefeito de forma a desgastá-lo e à sua gestão.

Críticas
Não é só a atuação do marqueteiro Sidônio Palmeira que tem estado em xeque em Brasília em decorrência das dificuldades da campanha à reeleição de Lula. O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, foi alvo de verdadeiro espancamento da parte dos demais partidos da federação, durante encontro em Brasília posterior ao primeiro turno em que foi discutida a estratégia de comunicação da campanha lulista. Bruno Monteiro, que saiu prestigiado da campanha de Jerônimo, até agora não abriu a boca para defender Éden.
PL Mulher
Deputada federal eleita pelo PL, Raíssa Soares, a doutora Cloroquina, deve chegar com prestígio em Brasília e, mais do que isso, determinada a ocupar espaços também na Bahia. Ela mira neste momento assumir o controle do PL Mulher no Estado, hoje em poder da deputada federal Roberta Roma. Para isso, tem feito carga sobre a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF), mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro, argumentando que, além de Roberta precisar de um descanso depois de seu problema de saúde, o partido precisa dar uma oxigenada.

Os sinais
Não são pequenos os sinais de que a sucessão de Carlos Muniz (PSDB) à presidência da Câmara Municipal de Salvador tende a embolar, depois que a Justiça negou o direito do atual presidente de concorrer à reeleição. O simples fato de ele ter decidido insistir na tentativa de disputar um novo mandato já seria, na visão de colegas, sinal suficiente de que não está disposto a aceitar de bom grado os nomes que se apresentam como preferidos do Thomé de Souza, o que deve tornar nervosa a próxima eleição na Casa.
Peixe fora d'água
Segundo aliados, Neto ainda parece um peixe fora d'água em palanques dominados por bolsonaristas. No ato ao lado do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), sábado (17), na Barra, o ex-prefeito de Salvador só demonstrou desenvoltura mesmo quando pegou o microfone e disparou críticas ao PT. Sem ele, parecia deslocado, sem saber muito bem como se comportar em meio aos novos aliados. Talvez porque esteja acostumado a ser a estrela principal dos eventos de que participa. Agora, precisa dividir os holofotes.

Porto Seguro
Nesta quinta (22), ACM Neto participa, em Porto Seguro, de mais um ato em favor de Flávio Bolsonaro. O evento acontece a partir das 19h, na Praça da Família, no Baianão, e é organizado pelo prefeito Jânio Natal (PL). O comício terá, ainda, a presença do candidato a vice na chapa de Flávio, Alfredo Gaspar (PL), que, pelo visto, gostou muito de fazer campanha na Bahia. No primeiro turno, Flávio perdeu a disputa local por 44,05% contra 49,75 do presidente Lula (PT). Já o ex-prefeito de Salvador venceu o pleito por lá.
Olho na presidência
O vereador Alexandre Aleluia (Novo) tem se movimentado nos bastidores para tentar chegar à presidência da Câmara Municipal de Salvador, após a decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, que barrou um terceiro mandato consecutivo de Carlos Muniz (PSDB). De olho nos votos dos colegas, Aleluia tem buscado ampliar sua influência. Um dos movimentos foi sua atuação junto ao Judiciário para viabilizar a entrega do título de cidadão a Flávio Bolsonaro, no Farol da Barra. A iniciativa rendeu pontos com o vereador Cézar Leite (PL), que entregou a honraria ao candidato.

Sincericídio eleitoral
Presidente do Avante na Bahia, Ronaldo Carletto foi flagrado palpitando sobre as eleições no jogo Bahia e Flamengo, domingo (18), na Arena Fonte Nova. Segundo testemunhas, ele confidenciou a um amigo que, infelizmente, acredita na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. O curioso é que Carletto tem motivos de sobra para torcer pelo resultado contrário. Primeiro suplente do senador eleito Rui Costa (PT), depende de uma eventual saída do petista para o ministério a fim de assumir uma cadeira no Senado, o que está condicionado à vitória de Lula (PT).
Jogo duplo
Causou estranheza entre alguns integrantes da Assembleia a decisão do Avante de só anunciar apoio à reeleição de Ivana Bastos (PSD) no segundo turno da disputa pela presidência da Casa. Há quem desconfie que Ronaldo Carletto esteja de olho em uma alternativa articulada com a bancada do PT, que também não declarou apoio à atual presidente. A dúvida é se existe, de fato, uma movimentação nos bastidores para construir outra candidatura. E, sobretudo, se o Avante e os petistas teriam força suficiente para derrotar Ivana, que já contabiliza dezenas de apoios.

Em risco
Setores da agropecuária assistem com apreensão aos rumores que lançam incerteza quanto à realização da Fenagro 2026. A principal exposição do segmento tem data prevista para o final de novembro, portanto, a menos de 40 dias, embora o ritmo dos preparativos ainda não convença quem trabalha diretamente com o projeto. Pendências em pagamentos relativos à edição do ano passado também estariam entre as razões que deixam expositores em compasso de espera, segundo relatam interlocutores.
Pitacos
* Dos 20 municípios da região sisaleira, o único em que ACM Neto ganhou a eleição no primeiro turno foi Conceição do Coité, governada pelo prefeito Marcelo Araújo (União). A diferença entre os candidatos foi de apenas 76 votos a favor do democrata.
* Já Flávio Bolsonaro venceu as eleições presidenciais na Bahia em apenas quatro cidades: Luís Eduardo Magalhães, Buerarema, Itamaraju e Teixeira de Freitas. A maior diferença foi em Luís Eduardo, onde teve 62,03% dos votos válidos.
* Em Teixeira de Freitas, onde Flávio ganhou a disputa por 49,51% dos votos, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) se reuniu esta semana com o prefeito Marcelo Belitardo (União), de quem é aliado. Pediu mais empenho no segundo turno.
* O deputado federal Elmar Nascimento (União) virou bolsonarista do dia para a noite, talvez de olho em espaços no futuro governo. No domingo (18), participou, na Avenida Paulista, em São Paulo, do “bloquinho do 22”, ao lado de Flávio.

* De olho na Prefeitura, a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) criticou a presença de ACM Neto no evento com Flávio Bolsonaro na Barra. Ela afirmou que a classe trabalhadora não votará em “menudos ricaços que só enxergam o povo como escada para eles".
* Presidente do PSD na Bahia, o senador Otto Alencar comentou o desempenho de Lula no confronto da Band. "O Flávio Bolsonaro vai terminar a disputa como ficou no debate: o tempo inteiro atrás", frisou.
* A Mesa Diretora da Assembleia deve se reunir novamente na próxima semana, após o segundo turno das eleições. Desde o pleito de domingo (04) não houve novos encontros do colegiado.
* Não são poucos os vereadores da base do prefeito Bruno Reis (União Brasil) que decidiram cruzar os braços na campanha de Flávio Bolsonaro. O motivo, segundo relatos de alguns edis à coluna, seria a determinação do gestor de cortar mais de mil cargos terceirizados.
1 Comentário
Souza
•
21/10/2026
•
10:06
