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Jerônimo chega a setembro com desempenho inferior ao de Wagner e Rui na reeleição

Jerônimo chega a setembro com desempenho inferior ao de Wagner e Rui na reeleição

Por Política Livre

03/09/2026 às 17:30

Atualizado em 03/09/2026 às 17:26

Foto: Reprodução/Flickr

Imagem de Jerônimo chega a setembro com desempenho inferior ao de Wagner e Rui na reeleição

O governador Jerônimo Rodrigues (PT)

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) chega a setembro, último mês antes do primeiro turno das eleições, em situação eleitoral bem diferente daquela vivida pelos seus dois antecessores petistas quando também buscaram a reeleição na Bahia. Enquanto o senador Jaques Wagner e o ex-ministro Rui Costa entraram na reta final de suas campanhas com vantagens expressivas sobre os principais adversários, Jerônimo aparece, até agora, em uma disputa marcada pelo equilíbrio com ACM Neto (União), que leva vantagem numérica.

A mais recente pesquisa AtlasIntel/, divulgada nesta quinta-feira (3), mostra ACM Neto numericamente à frente, com 49,1%, contra 47,9% de Jerônimo no principal cenário de primeiro turno. A diferença de 1,2 ponto percentual configura empate técnico. O levantamento ouviu 1.804 eleitores entre 28 de agosto e 2 de setembro, tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e registro no TSE sob o número BA-08891/2026.

Este Política Livre reuniu pesquisas realizadas em setembro de 2010 e 2018, quando Wagner e Rui, respectivamente, disputavam a permanência no Palácio de Ondina. Embora levantamentos de institutos e eleições diferentes não sejam diretamente comparáveis do ponto de vista metodológico, os números ajudam a dimensionar a diferença do ambiente eleitoral enfrentado pelos três governadores petistas.

Em 2010, Jaques Wagner passou praticamente todo o mês de setembro próximo ou acima dos 50%. Levantamento Datafolha realizado nos dias 8 e 9 daquele mês mostrava o petista com 48%, contra 18% de Paulo Souto (União) e 14% de Geddel Vieira Lima (MDB). Pouco tempo depois, nos dias 13 e 14, Wagner aparecia com 53%, enquanto Souto tinha 16% e Geddel, 11%.

Outras pesquisas daquele setembro mantiveram o governador em posição confortável. O Vox Populi, em levantamento realizado entre 18 e 21 de setembro, apontou 46% para Wagner, 18% para Souto e 14% para Geddel. Na reta final do mês, pesquisas registravam Wagner entre 48% e 52%, sempre com larga vantagem sobre os adversários. 

A situação de Rui Costa em 2018 era ainda mais confortável. Pesquisa Ibope realizada entre 15 e 17 de setembro daquele ano mostrava o então governador com 60% das intenções de voto, enquanto José Ronaldo (União), atual prefeito de Feira de Santana, aparecia com apenas 7% e João Henrique, ex-prefeito de Salvador, com 2%.

Uma semana depois, a distância aumentou. No levantamento Ibope feito entre 23 e 25 de setembro, Rui alcançou 61%, contra 10% de José Ronaldo e 2% de João Henrique. Naquele momento, portanto, não se discutia propriamente quem liderava a eleição, mas o tamanho da vitória que o petista poderia alcançar.

Cenário diferente

O contraste com 2026 é significativo. Jerônimo chega ao mesmo período eleitoral sem conseguir construir nas pesquisas a vantagem alcançada por Wagner e Rui quando estavam no exercício do cargo e disputaram a reeleição.

Há uma diferença importante também em relação à própria campanha de Jerônimo em 2022. Naquela eleição, o petista começou setembro atrás de ACM Neto, mas era um candidato estreante, ainda pouco conhecido por parcela significativa do eleitorado. Ex-secretário estadual da Educação, foi escolhido para suceder Rui Costa e cresceu durante a campanha até vencer a eleição no segundo turno.

Quase quatro anos depois, essa justificativa já não existe. Jerônimo disputa a reeleição depois de mais de três anos e oito meses no comando do Estado, período no qual teve tempo para tornar sua gestão e suas principais entregas conhecidas pelo eleitorado. Ainda assim, as pesquisas disponíveis até o início de setembro não registram uma vantagem semelhante à desfrutada pelos seus antecessores.

A Quaest divulgada no fim de agosto, por exemplo, também apontou empate técnico: ACM Neto tinha 39% e Jerônimo, 37%, com margem de erro de três pontos. A AtlasIntel agora repete o quadro de equilíbrio, embora com percentuais mais elevados para ambos.

Isso sugere um desafio central para a campanha governista: transformar as entregas administrativas em percepção eleitoral. O próprio discurso de Jerônimo nas últimas semanas tem dado grande espaço às obras e ações realizadas em parceria com o governo federal, como VLT, hospitais, escolas de tempo integral, infraestrutura viária e investimentos no interior. Até aqui, porém, esse conjunto de realizações não produziu nas pesquisas a vantagem eleitoral registrada por Wagner em 2010 e Rui em 2018.

Governadores e Lula

Outra diferença está na composição do palanque. Jerônimo tem neste ano uma estrutura política que, em tese, lhe oferece ativos eleitorais importantes: o presidente Lula, que mantém forte desempenho na Bahia, e os ex-governadores Wagner e Rui, agora candidatos ao Senado.

A própria AtlasIntel mostra a dimensão desse ativo. No mesmo levantamento em que Jerônimo aparece com 47,9%, Lula registra 52,8% no cenário presidencial — desempenho superior ao do governador.

A estratégia governista tem sido justamente aproximar essas imagens. A propaganda eleitoral apresenta Jerônimo como continuidade de uma trajetória iniciada por Wagner, seguida por Rui e sustentada nacionalmente por Lula. Wagner e Rui, por sua vez, aparecem frequentemente ao lado do governador em atos e peças de campanha.

O desafio para Jerônimo é fazer com que esse patrimônio político seja transferido para sua própria candidatura. Wagner e Rui chegaram a setembro de suas campanhas de reeleição como protagonistas eleitorais consolidados. O governador chega dependendo também da força eleitoral dos dois antecessores e de Lula para tentar abrir vantagem.

Isso não significa que o cenário esteja definido. A própria história de 2022 recomenda cautela: Jerônimo cresceu durante a campanha e terminou vencedor depois de começar a disputa em situação bastante desfavorável. Mas, olhando exclusivamente para as três campanhas de reeleição dos governos petistas na Bahia, uma diferença já pode ser constatada: até este início de setembro, o petista apresenta o desempenho mais apertado dos três.

Em 2010, Wagner caminhava para uma vitória no primeiro turno. Em 2018, Rui tinha cerca de seis vezes a intenção de voto do principal adversário. Em 2026, Jerônimo chega à reta final empatado tecnicamente e numericamente atrás de ACM Neto. É justamente essa distância em relação ao desempenho dos antecessores que a campanha petista terá pouco mais de um mês para tentar reduzir.

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