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Deputado cobra do Governo da Bahia transporte estadual para profissionais da Educação Escolar Quilombola
Deputado cobra do Governo da Bahia transporte estadual para profissionais da Educação Escolar Quilombola
Por Redação
19/09/2026 às 09:00
Foto: Divulgação/Arquivo
O deputado estadual Hilton Coelho (PSOL)
O deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) apresentou Indicação ao governador Jerônimo Rodrigues para que o Governo da Bahia elabore e encaminhe à Assembleia Legislativa projeto de lei atribuindo ao Estado a responsabilidade direta pelo transporte de professores e demais profissionais da educação que atuam em escolas e classes da Educação Escolar Quilombola da rede estadual. A proposta também estabelece padrões mínimos de segurança, regularidade, conservação dos veículos e continuidade do serviço durante todo o ano letivo.
A iniciativa parte de relatos de profissionais que dependem atualmente de veículos cedidos pelas prefeituras para chegar às comunidades quilombolas. Segundo a justificativa da Indicação, são frequentes os casos de frota antiga, avarias e interrupções decorrentes de acordos de cooperação que podem ser renovados ou não conforme a decisão dos gestores municipais. Para Hilton, não é aceitável que a presença do professor na escola estadual fique condicionada à disponibilidade política ou financeira de outro ente federativo. "Não existe educação quilombola de qualidade quando o Estado não garante sequer que o professor consiga chegar à escola. A aula não pode depender de um veículo emprestado, de um convênio precário ou da vontade política do gestor municipal de plantão", afirma.
O deputado sustenta que a legislação educacional já estabelece fundamentos para a responsabilidade estadual, mas falta uma norma que transforme esse dever em uma obrigação clara, previsível e fiscalizável. A proposta considera dispositivos da Constituição Federal, da LDB, do Plano Nacional de Educação, do Estatuto da Igualdade Racial, da Convenção 169 da OIT e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola. "Estamos diante de uma lacuna que acaba sendo paga pelas comunidades quilombolas. Quando o transporte falha, a aula é interrompida, o estudante perde conteúdo e a desigualdade racial se aprofunda. Não podemos aceitar que o regime de colaboração seja utilizado como mecanismo para transferir silenciosamente uma obrigação estadual aos municípios", critica Hilton.
A Indicação prevê que o Estado possa executar o transporte por diferentes modalidades, incluindo frota própria, contratação de serviços, consórcios públicos ou auxílio-deslocamento. Também propõe padrões mínimos de segurança e conservação dos veículos, plano de contingência para substituição imediata em caso de avaria, dotação orçamentária específica, diagnóstico das necessidades por território quilombola e participação das próprias comunidades na definição de itinerários, horários e pontos de embarque. Para Hilton, "cooperação entre Estado e municípios deve significar responsabilidade compartilhada, com recursos, planejamento e ressarcimento. O que não pode existir é uma obrigação estadual sendo empurrada para quem já enfrenta limitações orçamentárias e ainda precisa garantir o transporte dos seus próprios estudantes".
Para o parlamentar, garantir o deslocamento dos profissionais é uma medida diretamente relacionada ao direito à educação e à reparação histórica das populações quilombolas. "Educação Escolar Quilombola não pode existir apenas no papel. O Estado precisa garantir as condições materiais para que ela aconteça todos os dias, em cada território. Transporte seguro e regular para os trabalhadores da educação é direito, é dever público e é condição para combater a evasão, a defasagem escolar e a desigualdade racial. As comunidades quilombolas não podem continuar pagando o preço da omissão do poder público", conclui Hilton Coelho.
