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Datafolha: 34% dizem que maioria dos envolvidos no caso Master é de esquerda, e 27% citam direita

Datafolha: 34% dizem que maioria dos envolvidos no caso Master é de esquerda, e 27% citam direita

Desde a última pesquisa, cenário oscilou favoravelmente à esquerda, que continua mais responsabilizada

Por Tamara Nassif/Folhapress

18/09/2026 às 22:00

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Datafolha: 34% dizem que maioria dos envolvidos no caso Master é de esquerda, e 27% citam direita

Banco Master

Segundo a mais recente rodada do Datafolha, 34% da população brasileira acredita que a maioria dos políticos envolvidos com o escândalo do Banco Master é de esquerda.

O levantamento foi publicado nesta sexta-feira (18). Ao todo, 27% dizem que a maioria é de direita, e 10%, de centro. Há ainda 13% que responderam "todos". O levantamento não registrou eleitores que não atribuem o escândalo a algum grupo político (0%). Outros 16% afirmaram não saber.

Foram ouvidas 2.001 pessoas pelo instituto de 15 a 17 de setembro, em 125 municípios pelo Brasil. A margem de erro para a amostra total é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-04029/2026.

Os dados apontam para um cenário de manutenção da percepção pública em relação ao espectro político de maior envolvimento com o caso Master. Desde a última pesquisa, o cenário oscilou favoravelmente à esquerda, mas o campo continua mais responsabilizado.

Na última pesquisa sobre o assunto, realizada de 7 a 9 de abril pelo instituto, 38% dos brasileiros afirmavam que a esquerda era a mais envolvida; 20%, a direita.

Figuras de centro marcavam 10%, mesmo percentual atribuído a políticos de todos os espectros. 22% afirmaram que não sabiam responder.

O intervalo de abril a setembro foi marcado por uma avalanche de informações sobre o caso Master —e, sobretudo, as ligações de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco, com autoridades públicas, parlamentares e ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

O mês de maio, por exemplo, foi pontuado pelo escândalo "Dark Horse", que revelou que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com uma mensagem de celular encontrada pela PF (Polícia Federal), Flávio negociou diretamente com o ex-banqueiro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões (hoje, aproximadamente R$ 122,7 milhões) para a produção do filme. Desse montante, foram pagos efetivamente no mínimo US$ 12,3 milhões (hoje, cerca de R$ 62,9 milhões). O senador é agora investigado pela PF por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.

O mês seguinte trouxe Jaques Wagner (PT), então líder do governo Lula no Senado, como alvo de operação da PF por suspeita de ter recebido pagamentos ligados ao banco. O senador, pressionado, deixou a liderança que ocupava no Legislativo no fim de junho.

A pesquisa foi realizada nesta semana, após o início da crise institucional no STF. A suposta ligação do ministro Alexandre de Moraes com Vorcaro foi analisada no plenário do Supremo na terça-feira (15), embora o julgamento tenha sido interrompido por um pedido de ordem de Gilmar Mendes e, depois, por um pedido de vista (mais tempo para análise) de Flávio Dino.

Gilmar argumentou pela junção dos julgamentos de Moraes e André Mendonça, que teria sua postura na relatoria do caso Master analisada em sessão na próxima terça-feira (23). O pedido de vista de Dino suspendeu a discussão sem que o futuro de Moraes no STF fosse sedimentado e deixando os dois casos sem definição. Edson Fachin, presidente da corte, adiou a sessão sobre Mendonça sem cravar uma nova data futura.

A imagem de Moraes, indicado ao STF por Michel Temer em 2017 e abraçado pela esquerda após os crimes do 8 de Janeiro, tem sido colada à de Lula por Flávio, cujo pai nomeou Mendonça à corte.

"O atual governo criou um desequilíbrio institucional, decidiu governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal que descumpriu a lei. Não é à toa que isso tudo está acontecendo, é porque o atual governo faz parte desse sistema que está apodrecido", afirmou Flávio em vídeo feito em formato de pronunciamento, veiculado durante a propaganda eleitoral obrigatória na terça-feira.

"O atual presidente dividiu o seu poder com Alexandre de Moraes, e no fim o Brasil ficou sem presidente nenhum. Sem comando", disse o candidato a presidente.

Já Lula, também na terça, acusou Mendonça de vazamento seletivo nas investigações, mas buscou se dissociar do Judiciário dizendo que "a Suprema Corte precisa ser exemplo e não contribuir com a desconfiança da sociedade".

Questionado nesta sexta se a crise STF-Master respinga na eleição, ele admitiu que "deve respingar na reta final". "O que nós queremos mostrar é quem é culpado disso. O culpado disso chama-se Bolsonaro. Esse banco não existia. Foi criado pelo Banco Central no governo Bolsonaro. Essa corrupção aconteceu no governo Bolsonaro. E estamos investigando com muita paciência", declarou o presidente.

Além de Flávio, Jaques Wagner e ministros do STF, o caso Master ainda arrastou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro-chefe da Casa Civil na gestão Bolsonaro e alvo de busca e apreensão no âmbito das investigações. Cláudio Castro (PL), ex-governador do Rio de Janeiro, ainda é investigado pela PF (Polícia Federal) por suspeita de envolvimento em um esquema de repasses bilionários do Rioprevidência para o Master.

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