Home
/
Noticias
/
Brasil
/
Candidatos ao Senado escolhem suplentes milionários de olho no financiamento de campanha
Candidatos ao Senado escolhem suplentes milionários de olho no financiamento de campanha
Por Augusto Tenório e Raphael Di Cunto, Folhapress
21/09/2026 às 13:59
Luiz Osvaldo Pastore, empresário com patrimônio declarado de R$ 677 milhões, é primeiro suplente de Eduardo Gomes (PL-TO)
Candidatos ao Senado deram preferência a pessoas milionárias para os postos de suplentes, indicando uma estratégia para eventual financiamento das campanhas e facilitação de contatos com o empresariado local. Em geral, os titulares escolheram para a suplência nomes com patrimônio declarado maior que o seu e com histórico de doações eleitorais generosas.
Os suplentes são como os "vices", assumindo o mandato nos afastamentos dos titulares. Há casos em que, por acordo político, um senador pede licença do cargo para que seus companheiros de chapa ocupem a cadeira por um determinado período de tempo.
Levantamento da Folha com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) indica que a média de patrimônio dos candidatos a primeiro suplente é de R$ 9 milhões em 2026, mais que o dobro da média dos bens dos que concorrem como titulares às vagas, que é de R$ 3,9 milhões. A média de patrimônio dos segundos suplentes também é alta, de R$ 3,1 milhões.
Consideradas as candidaturas de partidos com representação no Congresso Nacional, 42% dos suplentes têm patrimônio superior aos dos titulares às vagas. Nesse recorte, 101 dos 220 postulantes a primeiro suplente são milionários.
Os dados da Justiça Eleitoral foram extraídos no dia 25 de agosto, após o encerramento do prazo de registro de candidatura. A partir dessa data, os candidatos podem realizar apenas ajustes ao patrimônio declarado.
Alguns casos chamam atenção, como o de Luiz Osvaldo Pastore (PL), candidato a suplente na chapa do senador Eduardo Gomes (PL) no Tocantins. O empresário tem um patrimônio declarado em R$ 677 milhões em 2026.
Em 2022, Pastore concorreu pelo MDB como suplente de Flávia Arruda (PL) no Distrito Federal, e investiu R$ 2,1 milhões na eleição. O empresário enviou R$ 380 mil para a colega de chapa, mas também distribuiu R$ 1,2 milhões para diretórios do MDB e R$ 100 mil para a campanha do dirigente nacional da sigla, o deputado Baleia Rossi (SP).
No Paraná, Deltan Dallagnol (Novo) tem como suplente Wilson Picler (PL), dono de patrimônio declarado em R$ 478,6 milhões. Conhecido como "professor Picler", ele tentou concorrer ao Senado em 2018 pelo PSL, sendo considerado inapto.
Naquele ano, o empresário do ramo da educação distribuiu R$ 1,2 milhão em doações eleitorais, sendo R$ 800 mil para o governador Ratinho Júnior (PSD). Em 2022, quando não concorreu, ele doou R$ 923 mil, atendendo principalmente diretórios do Podemos e do MDB.
Em 2022, Pastore concorreu pelo MDB como suplente de Flávia Arruda (PL) no Distrito Federal, e investiu R$ 2,1 milhões na eleição. O empresário enviou R$ 380 mil para a colega de chapa, mas também distribuiu R$ 1,2 milhões para diretórios do MDB e R$ 100 mil para a campanha do dirigente nacional da sigla, o deputado Baleia Rossi (SP).
No Paraná, Deltan Dallagnol (Novo) tem como suplente Wilson Picler (PL), dono de patrimônio declarado em R$ 478,6 milhões. Conhecido como "professor Picler", ele tentou concorrer ao Senado em 2018 pelo PSL, sendo considerado inapto.
Naquele ano, o empresário do ramo da educação distribuiu R$ 1,2 milhão em doações eleitorais, sendo R$ 800 mil para o governador Ratinho Júnior (PSD). Em 2022, quando não concorreu, ele doou R$ 923 mil, atendendo principalmente diretórios do Podemos e do MDB.
Em 2022, Balbinotti doou R$ 1,5 milhão nas eleições. Nesse pacote, estão R$ 600 mil para a campanha de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência e R$ 100 mil para Rogério Marinho (PL-RN), eleito senador e que hoje coordena a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto.
Até o dia 18 de setembro, os suplentes de senadores fizeram doações eleitorais que somam R$ 6,2 milhões. O líder de doação interna para chapas ao Senado é justamente o Professor Picler, que colocou R$ 430 mil na campanha de Dallagnol.
Já no Tocantins, Pastore colocou R$ 317 mil na campanha de Eduardo Gomes. O empresário ainda investiu R$ 150 mil em candidatos a deputado estadual em outros estados: R$ 100 mil para André Correa (PSD-RJ)) e R$ 50 mil para Tiago Simon (MDB-RS).
Há um caso diferente, porém. Rodrigo Oliveira (MDB-CE), 2º suplente de Luizianne (Rede), não investiu na sua companheira de chapa, mas colocou R$ 1 milhão na campanha do governador Elmano de Freitas (PT), que tenta reeleição).
A escolha de suplentes pode ocorrer, também, por outros critérios. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), que tenta a reeleição, escolheu como companheiro de chapa Gustavo Dias Henrique, vice-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Seu adversário, Arthur Lira (PP-AL), tem como suplente o atual diretor de seleções da entidade, Gustavo Feijó.
Em Minas Gerais, Carlos Viana (PSD) tenta a reeleição de senador com o deputado Misael Varella (PSD) na suplência. Com patrimônio declarado em R$ 315,2 milhões, Varella tem histórico de investir na própria candidatura à Câmara; foi R$ 1,1 milhão em 2014, R$ 1,1 milhão em 2018 e R$ 310 mil em 2022.
Além do critério financeiro, há casos em que a suplência é oferecida a um político de uma vertente diferente do titular, em busca de uma aliança. É o que aconteceu com o senador Humberto Costa (PT) em Pernambuco, que vai para a reeleição com Luciano Bivar como suplente. Bivar presidiu o antigo PSL, que abrigou Jair Bolsonaro na eleição de 2018. Agora, o deputado se tornou lulista.
Neste ano, estão em disputa 54 das 81 vagas do Senado. Vencem os dois mais votados, sem segundo turno. O posto é visado porque os senadores possuem mandato de oito anos e indicam um valor maior de emendas em comparação aos deputados.
Além disso, os senadores são "donos" dos seus mandatos. Dessa forma, podem trocar de partido sem risco de perder o cargo. Dispõem também de maior liberdade para negociar períodos de vacância para que seus suplentes assumam o cargo temporariamente.
