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Vídeos de Augusto Cury inundam redes, candidato ganha milhões de seguidores e mira sabatina da Globo

Vídeos de Augusto Cury inundam redes, candidato ganha milhões de seguidores e mira sabatina da Globo

Campanha do Avante afirma que movimento é orgânico, nega envolvimento de Pablo Marçal e projeta nova onda após sabatina da TV Globo

Por Pedro Augusto Figueiredo/Bianca Gomes/Estadão

27/08/2026 às 21:40

Foto: Reprodução/Instagram

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O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante), candidato à Presidência da República

Vídeos em apoio à candidatura presidencial do escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) inundaram as redes sociais nos últimos dias, acumulando milhões de visualizações e chamando atenção de eleitores e adversários. O candidato pertence a um partido de menor expressão e aparece com 2% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha.

A reportagem localizou no Instagram dezenas de vídeos em apoio ao psiquiatra, publicados por influenciadores de diferentes portes. Muitos deles ultrapassaram 1 milhão de visualizações, e alguns superam a marca dos 10 milhões.

O marqueteiro Sérgio Lima, que cuida da campanha, afirma que o movimento é orgânico, sem pagamento ou contratação de influenciadores – a prática é proibida pela legislação eleitoral. De acordo com ele, o único investimento da campanha até aqui foi R$ 50 mil em impulsionamento de publicações do próprio candidato no Facebook.

“Inclusive, alguns influenciadores acharam que a gente estava contratando e vieram falar com a gente. E falamos ‘gente, não pode’”, disse ele.

Ao mesmo tempo, o marqueteiro diz que a campanha está “surfando a onda”. “Comunicação é presença. O que estamos fazendo é colocar ele ali agradecer, comentar [nas publicações dos influenciadores]. Principalmente com os menores, para que a gente possa incentivar os maiores”, explicou Sérgio Lima.

Ele também nega a atuação ou ajuda de Pablo Marçal (PRTB) na estratégia digital, como tem sido ventilado por alguns perfis nas redes sociais e por campanhas adversárias nos bastidores.

Dados da plataforma de inteligência Sólon mostram que o escritor registrou um boom de seguidores nas redes sociais. Na terça-feira, 25, ele tinha 8,4 milhões de seguidores no Instagram; dois dias depois, já soma 10,3 milhões - um salto de quase 2 milhões de novas contas.

A alta ocorre dias depois de Cury participar do debate entre os presidenciáveis promovido pela TV Bandeirantes em parceria com o jornal O Estado de São Paulo.

A próxima “onda” que a campanha pretende surfar é a participação de Cury na sabatina da TV Globo, prevista para sábado, 29. “Agora a gente tem que administrar isso e não errar”, resumiu o marqueteiro.

Segundo os dados da consultoria AP Exata, até 23 de agosto, dia do debate, Cury tinha média de apenas 0,35% das menções aos candidatos nas redes sociais, mas chegou a 13,5% nesta quinta-feira. A maioria das menções, 52%, é positiva – a taxa é a maior entre todos os presidenciáveis monitorados

“Nas conversas, aparecem com frequência referências a Cury como educado, equilibrado, sensato e menos agressivo que os demais candidatos, atributos que ajudam a explicar sua aproximação com eleitores de centro e com públicos menos envolvidos na polarização política”, diz Sergio Denicoli, CEO da AP Exata.

Ele afirma que o que começa a caracterizar a candidatura do psiquiatra é a tentativa de ocupar o centro político por meio da crítica à idealização de líderes.

“Cury tem questionado os chamados “ismos”, incluindo lulismo e bolsonarismo, argumentando que a identificação excessiva com um político reduz a capacidade crítica de seus próprios apoiadores e dificulta a avaliação de erros e acertos”, acrescentou.

Renato Dorgan, cientista político e CEO do Instituto Travessia, avalia que, embora o desempenho de Cury no debate tenha sido discreto, os cortes de suas falas foram bem aproveitados nas redes sociais.

“Ele tocou em assuntos dificilmente discutidos, como neurodivergência e o papel do Estado, além de abordar postura, ética, educação e o futuro do País por meio dela, saindo totalmente da linha de confronto, desconstruções e embate ideológico que norteia a disputa presidencial”, afirma.

Para o especialista, no entanto, é muito difícil que o candidato consiga se viabilizar eleitoralmente. Segundo Dorgan, a disputa está cristalizada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e um eventual crescimento de Cury dependeria de uma queda vertiginosa no eleitorado de Flávio.

Dados do Google Trends também apontam um aumento do volume de buscas pelo candidato nos últimos dias. Segundo o índice desenvolvido pela própria Google Trends, o interesse médio em Cury foi de 26 pontos na última semana, mais do que o de Flávio Bolsonaro (15 pontos) e o dobro de Renan Santos (Missão), que marcou 13 pontos. No período, o escritor fica atrás apenas de Lula, com 39 pontos.

A enxurrada de vídeos de Cury chamou a atenção de campanhas adversárias, que passaram a investigar as razões por trás do interesse pelo escritor. A maior visibilidade também repercutiu entre internautas: enquanto alguns questionam se o crescimento é orgânico, outros avaliam que o escritor conseguiu “furar a bolha”.

A movimentação em torno de Cury tem sido comparada por adversários ao fenômeno vivido por Pablo Marçal na eleição municipal de São Paulo de 2024, quando conteúdos do então candidato do PRTB ganharam alcance nas plataformas, impulsionados por um campeonato de cortes que prometia ganhos financeiros a quem compartilhasse seus conteúdos. Há adversários que suspeitam de um assessoramento do ex-coach.

Marçal, que tenta driblar a inelegibilidade para continuar como candidato a presidente, sinalizou em ao menos duas ocasiões que poderia atuar na campanha de Cury. O autointitulado coach recebeu Cury como convidado de seu podcast há cerca de dois meses, ocasião em que declarou que iria ajudar o candidato do Avante “no que precisar”.

“Mesmo apoiando o Flávio [Bolsonaro], eu quero deixar claro para o Brasil: eu apoio você até onde você conseguir chegar e espero que se tiver possibilidade de você ser presidente, você me deixe ser seu conselheiro de digital”, disse Marçal na ocasião.

Já durante a campanha eleitoral, Marçal participou, na condição de candidato à Presidência, de uma entrevista à produtora Brasil Paralelo, onde dedicou os minutos finais para elogiar Cury. “Quero que você conte comigo, inclusive na sua candidatura. Olhando para o cenário, para mim você é o cara ideal”, acrescentou.

O vídeo mais recente de Cury, no qual o candidato apresenta um trecho do que parece ser o jingle de sua campanha, foi repostado pelo cineasta Nehuel Medina, integrante da equipe de Marçal conhecido por ter agredido Duda Lima, então marqueteiro de Ricardo Nunes (MDB), em um debate dos candidatos à prefeitura de São Paulo.

Medina comentou “Brabo” e “Já é” na publicação. O cineasta também compartilhou em seu perfil uma foto ao lado de Cury – ele fez o mesmo com outros candidatos, como Romeu Zema e Flávio Bolsonaro.

Pablo Marçal foi procurado pela reportagem, mas não havia se manifestado até a publicação deste texto. Além das declarações, ele participou de uma live aberta por Cury para informar que não participaria do debate minutos antes do evento começar – o candidato acabou mudando de ideia.

Vice na chapa de Cury, o ex-deputado federal Júlio Delgado (Avante-MG) garante que o movimento é orgânico e que não há participação de Marçal e sua equipe. Ele afirma que, após o debate, passou a receber telefonemas de influencers de diversos Estados do Brasil pedindo material para replicar nos próprios perfis.

Segundo Delgado, duas dessas pessoas se identificaram como próximas a Marçal. “Disse a eles que toda ajuda é bem-vinda e eu posso municiá-los com informações”, afirmou o candidato a vice. “Mas é absolutamente espontâneo. Alguém nessa rede [de Marçal] contratado para fazer esse trabalho te garanto que não tem”, afirmou.

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