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Procuradoria eleitoral pede impugnação da candidatura de José Arruda ao governo do DF
Procuradoria eleitoral pede impugnação da candidatura de José Arruda ao governo do DF
Político afirma que está de acordo com a lei e fala em tentativa de 'tapetão' para prejudicá-lo nas eleições
Por Luana Lisboa/Folhapress
20/08/2026 às 19:45
Foto: Agência Brasil/Arquivo
José Roberto Arruda (PSD)
A Procuradoria Regional Eleitoral no Distrito Federal pediu ao TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal) que indefira o pedido de registro de candidatura de José Roberto Arruda (PSD) ao Governo do Distrito Federal. O órgão argumenta que ele está inelegível.
A manifestação, protocolada nesta quarta-feira (19) e assinada pelo procurador Francisco Guilherme Vollstedt Bastos, ainda não foi julgada pelo tribunal.
Governador do DF entre 2007 e 2010 e pivô do mensalão do DEM, Arruda foi preso e condenado em processos derivados da Operação Caixa de Pandora, de 2009, quando foi filmado recebendo um maço de dinheiro.
Segundo a PRE-DF, o TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios) confirmou, por decisão colegiada, sete sentenças que condenaram Arruda por atos dolosos de improbidade administrativa. Todas resultaram, ao mesmo tempo, em lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito —combinação que, pela Lei da Ficha Limpa, torna o candidato inelegível.
Uma dessas condenações foi confirmada em 11 de dezembro de 2018, com sentença que fixou oito anos de suspensão dos direitos políticos.
Em 2025, porém, o Congresso aprovou uma lei que passou a contar o prazo de inelegibilidade a partir da confirmação de cada condenação em segunda instância, com teto de 12 anos —mudança que, em tese, poderia beneficiar Arruda.
A PRE-DF aplica essa nova regra à condenação de 2018 e conclui que o prazo de inelegibilidade dele, agora de 12 anos, começou a contar naquela data e só termina em 11 de dezembro de 2030.
Por nota, Arruda afirma que a própria manifestação do MPF reconhece a validade do parágrafo 8º do artigo 1º da Lei 219/25.
"O registro da minha candidatura está em acordo com a lei e quem tem a lei do lado não pode ter medo de voto", diz o ex-governador, que classificou a impugnação como uma tentativa de tirá-lo "do tapetão" e disse preferir ser "julgado pelo voto da população".
A procuradoria afirma ainda que as sete condenações não podem ter seus prazos unificados sob o teto de oito anos previsto para "fatos ímprobos conexos". O órgão cita um acórdão do TJDFT, de junho de 2026, no qual o próprio tribunal registrou que os processos tratam de contratos e condutas distintos dentro do mesmo esquema.
A PRE-DF pede que o TRE-DF indefira o registro de Arruda ou, caso ele seja eleito, cancele o diploma. A defesa do ex-governador tem sete dias para se manifestar no processo. Caso seja negado o registro, poderá ainda haver recurso ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Em 2022, o TSE já havia barrado a candidatura de Arruda para deputado federal.
Recentemente, o ex-governador afirmou ao jornal Folha de São Paulo que a compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília) faria com que o escândalo da operação Caixa de Pandora, pelo qual ele foi condenado, fosse julgado hoje no Juizado de Pequenas Causas.
