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Pablo Marçal publica 212 vídeos e soma 633 milhões de visualizações após se lançar à Presidência
Pablo Marçal publica 212 vídeos e soma 633 milhões de visualizações após se lançar à Presidência
Apesar de sido registrada, a candidatura do coach está sendo contestada, uma vez que ele foi condenado à inelegibilidade até 2032 em razão de infrações cometidas na campanha eleitoral de 2024
Por Guilherme Caetano/Estadão
20/08/2026 às 22:00
Foto: Leandro Torres/Divulgação/Arquivo
O coach Pablo Marçal
Desde que se candidatou de surpresa à Presidência da República pelo PRTB há cinco dias, o coach Pablo Marçal já publicou 212 vídeos que somam 633 milhões de visualizações no Instagram até a tarde desta quinta-feira, 20.
No vídeo de maior alcance, com 10,4 milhões de visualizações e publicado na terça-feira, Marçal diz que se lançou “de última hora” para impedir uma suposta “estratégia” do presidente Lula (PT) para concentrar os votos em jogo e vencer as eleições no primeiro turno.
“Se o Lula derrubar o principal candidato (adversário), que é o Flávio (Bolsonaro), acaba a eleição no primeiro turno. Só que agora, na hora (em) que estava apagando as luzes, aparece alguém. Você não precisa gostar de mim, só tem que deixar eu correr. Se eu não ganhar, vou continuar em paz na minha vida, mas você vai se f****, velho. Vocês têm que aprender. Torça por mim, nem que seja para eu quebrar a cara. Deixa eu ir para o debate”, diz ele no vídeo.
Apesar de sido registrada na Justiça Eleitoral, a candidatura de Marçal não está assegurada. Isso porque ele foi condenado à inelegibilidade até 2032 em razão de infrações cometidas na campanha eleitoral de 2024, quando se candidatou a prefeito de São Paulo.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou nesta quinta-feira, 20, que Marçal fique temporariamente impedido de acessar recursos do fundo eleitoral, participar de debates e aparecer no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.
A medida vale enquanto o TSE não analisar o pedido da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para barrar definitivamente a candidatura de Marçal.
O Ministério Público Eleitoral sustenta que, além da condenação, Marçal não comprovou ter se filiado ao PRTB dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral. O empresário obteve, por meio de uma decisão liminar, o reconhecimento de uma filiação retroativa ao partido, com data anterior a 4 de abril. A defesa argumenta que ele já havia assinado a ficha de filiação ao PRTB antes do prazo-limite para disputar a eleição.
A tese, porém, é contestada pela Procuradoria, que reuniu vídeos e outros registros para sustentar que Marçal continuou se apresentando como integrante do União Brasil mesmo após 4 de abril, data-limite para a filiação partidária.
Uma das publicações citadas pelo MP Eleitoral é uma entrevista de Marçal ao Estadão, publicada em 12 de abril e gravada no dia 8. Na entrevista, o coach confirma a filiação ao União Brasil: “Eu sou do União, e declarei apoio. Meu partido não decidiu ainda quem vai apoiar”, disse ele.
Na entrevista, o empresário afirmou que “política é guerra” e que ele iria servir de “escudeiro” para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na batalha contra a esquerda pela Presidência da República. Na ocasião, ele fez mistério sobre a qual cargo concorreria: “O que der mais resultado, eu vou partir para cima”.
Há duas semanas, o Tribunal Regional Eleitoral em São Paulo (TRE-SP) manteve a punição por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação no caso das competições de cortes de vídeos durante a campanha à Prefeitura de São Paulo em 2024.
A determinação da Justiça Eleitoral ainda não impediu a campanha de Marçal. Mesmo inelegível, o coach pede doações via Pix para a campanha de 2026, alegando não usar dinheiro público ou pessoal. Marçal recorre da decisão do TSE, enquanto incentiva seguidores a engajar em sua campanha.
Marçal conseguiu trazer os holofotes para si no instante em que registrou sua candidatura, no fim de semana. Ele chamou a atenção ao declarar um patrimônio de R$ 7,4 bilhões em bens, muito acima dos R$ 169 milhões declarados em 2024.
Questionado pela imprensa, o coach disse ter havido um erro de digitação no registro da candidatura e que pediu a retificação dos dados à Justiça Eleitoral para bens no valor de R$ 149,99 milhões.
