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Orçamento de 2027 terá superávit mesmo considerando gastos fora da meta, diz ministro
Orçamento de 2027 terá superávit mesmo considerando gastos fora da meta, diz ministro
Governo não precisará de novas medidas para elevar arrecadação para atingir meta de 0,5% do PIB no próximo ano, afirma Bruno Moretti
Por Guilherme Pimenta/Folhapress
27/08/2026 às 19:45
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado/Arquivo
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que a proposta de Orçamento de 2027 terá previsão de superávit mesmo quando considerados os gastos que hoje são excluídos do cálculo da meta fiscal.
Na próxima segunda-feira (31), o governo entregará ao Congresso o Orçamento do primeiro ano da próxima gestão presidencial. A meta fiscal proposta é de superávit de R$ 73,2 bilhões, o equivalente a 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto).
Hoje, alguns gastos, no entanto, são excluídos desse cálculo, como uma parcela das despesas com precatórios. Mas, mesmo considerando esses dispêndios, o governo fechará as contas positivamente no próximo ano, segundo o ministro.
No Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias enviado ao Congresso em abril, a equipe econômica do governo Lula previa a exclusão de R$ 65,7 bilhões em despesas, incluindo parte das sentenças judiciais e os investimentos ligados às áreas de defesa, saúde e educação.
"Computadas todas as despesas, nosso horizonte para o ano que vem é entregar um resultado primário positivo", disse o ministro nesta quinta-feira (27) em entrevista à GloboNews. Ele informou que, para atingir a meta fiscal, o governo não precisará enviar ao Congresso projetos para elevar a arrecadação, ao contrário do que foi feito nos últimos anos.
De acordo com Moretti, as metas estabelecidas para os próximos anos vão gerar uma melhora no resultado primário de até 2% do PIB, o que ajudará o governo na contenção da dívida pública, que subiu 11 pontos percentuais durante o governo do presidente Lula.
"Devemos gastar menos que arrecadar, mantidas as políticas sociais e os investimentos demandados pela população", afirmou o ministro do Planejamento na entrevista. O salário mínimo previsto na peça orçamentária será de R$ 1.741 em 2027. Algumas despesas são vinculadas a esse valor, como aposentadorias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e o BPC (Benefício de Prestação Continuada).
De acordo com Moretti, o governo ganhará uma folga fiscal ao limitar o crescimento do gasto com pessoal a uma alta real de 0,6%, o piso previsto no arcabouço fiscal. Isso ocorrerá devido a um gatilho na legislação, que prevê uma queda nessa despesa após o governo registrar déficit primário, como ocorreu em 2025.
Recentemente, o governo aproveitou um projeto de lei que autoriza mais gastos fora dos limites do arcabouço fiscal para conter o crescimento de algumas despesas a partir de 2027. Uma dessas medidas permite o desconto da RCL (receita corrente líquida) de receitas obtidas com a comercialização de petróleo e gás natural pertencentes à União.
Na prática, isso contribui para reduzir o volume de recursos que vão para áreas cujo gasto é calculado como proporção da RCL, como o piso constitucional da Saúde, fixado em 15% da receita corrente líquida.
"A consolidação fiscal é um processo técnico, mas também político. Aproveitamos uma série de medidas de despesa e receita, algumas foram aprovadas, outras foram ajustadas", disse o ministro. Nos últimos anos, algumas medidas enviadas pelo governo ao Congresso não foram apreciadas, como a reforma da previdência dos militares e o combate aos chamados "supersalários" do funcionalismo público.
