Home
/
Noticias
/
Brasil
/
Michelle expõe feridas ao aceitar gravar vídeo de campanha com Flávio dois meses após racha público
Michelle expõe feridas ao aceitar gravar vídeo de campanha com Flávio dois meses após racha público
Por Carolina Linhares/Folhapress
12/08/2026 às 06:49
Foto: Beto Barata/Arquivo/Divulgação
Michelle Bolsonaro
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) se encontrou com o presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro (PL), para gravar vídeos de propaganda eleitoral nesta terça-feira (11), no primeiro contato presencial entre eles desde que fizeram gestos de reconciliação após uma crise pública no fim de junho.
Michelle afirmou que "uma pedra" foi colocada na situação e que pediu votos para Flávio, mas manifestou descontentamentos que persistem em relação às brigas no clã Bolsonaro, especialmente sobre Carlos e Eduardo.
"Qual família não tem problema? Conversamos e nos unimos em prol de algo muito maior para nossa nação", disse ela a jornalistas, sem detalhar como foi a conversa com o filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL).
"Foi normal", declarou apenas. "É meu enteado há 19 anos, nos abraçamos."
Já quando foi questionada sobre os filhos 02 e 03, disse que não iria responder. "Eu não vou polarizar. Um dia de cada vez. [...] Mas não guardo mágoa de ninguém. Até porque, se eu guardar mágoa, eu é que não vou conseguir viver. As coisas vão se ajustando aos poucos."
De manhã até o fim da tarde, Flávio reuniu por volta de 30 candidatos que apoia ao Senado, inclusive Michelle, que vai concorrer no Distrito Federal, na sede de sua campanha, em Brasília, para uma série de gravações com todos eles. Também fez um breve discurso e buscou alinhar pautas da campanha, como a crítica à situação fiscal do governo Lula (PT).
Como mostrou a Folha, Flávio lançou 47 nomes para o Senado, sendo que a maioria é abertamente a favor do impeachment de Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a quem o senador chamou de articulador político de Lula em entrevista aos jornalistas. Ao redor de Flávio, os candidatos gritaram em coro que apoiam o impeachment do ministro.
Michelle chegou por volta das 13h50 e deixou o local, uma casa à beira do lago Paranoá, depois das 15h30, já com seus vídeos gravados. Na chegada, foi tietada pelos demais candidatos ao Senado, com quem tirou fotos. Foi servido churrasco aos convidados, além de chope —que, de acordo com os presentes foi reservado para o final das gravações.
A ex-primeira-dama falou brevemente com o grupo e quis passar uma mensagem de união, segundo relatos. Em trecho publicado nas redes sociais, ela pede liberdade aos presos do 8 de Janeiro e a Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe.
Questionada sobre viajar o país em campanha para Flávio, ela respondeu que isso seria difícil, já que é a principal responsável pelos cuidados com Bolsonaro, que operou o ombro e tem crises de soluço. Ela afirmou que as líderes regionais do PL Mulher poderiam apoiar o senador em seus estados.
Michelle, Flávio e os demais candidatos também fizeram juntos uma oração, puxada por Alcides Fernandes (PL), pastor e candidato ao Senado no Ceará. Para lançar Fernandes, o PL preteriu a indicada da ex-primeira-dama, Priscila Costa. A disputa no estado foi o ponto central da briga entre Michelle e Flávio.
"Nos abraçamos, desejei boa sorte, oramos juntos e está tudo certo", disse Michelle sobre Alcides Fernandes, logo após ressaltar que segue "de forma visceral" contra a aliança entre o PL e Ciro Gomes (PSDB), a quem atribui culpa pela inelegibilidade de Bolsonaro. Foi o PDT, antigo partido de Ciro, que ingressou com uma ação na Justiça Eleitoral que levou à punição do ex-presidente.
Michelle fez questão de fazer uma retrospectiva da crise, exposta e resolvida por meio de vídeos dela nas redes nas últimas semanas, afirmando que, quando entrou no PL Mulher, tinha autonomia para construir os diretórios estaduais e trabalhar candidaturas. Ao ser contrariada no Ceará, tentou deixar o cargo em novembro, mas a cúpula da sigla não aceitou sua saída, convertida em uma licença.
"Foi um desgaste gerado muito grande, desnecessário. [...] E, querendo ou não, não fui tão respeitada no quesito de autonomia para trazer a mulher para política", disse.
Michelle também foi questionada a respeito do vice de Flávio, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), que acabou sendo escolhido para o posto pelo senador apesar de ele ter dito, em diversas ocasiões, que queria uma mulher em sua chapa.
"É claro que eu, como representante das mulheres de bem do Brasil, gostaria que fosse uma mulher. Mas, se for um vice que vai ter um olhar especial para as mulheres, para as mães atípicas...", disse ela.
Pela manhã, ao falar com jornalistas, Flávio também defendeu Gaspar, chamando de farsa a acusação de que ele teria cometido estupro de vulnerável. "Foi exatamente no momento em que ele estava defendendo os aposentados roubados pelo governo do PT, inclusive pedindo a prisão do Lulinha. [Ele é] uma pessoa do bem, preparada, da área da segurança pública, que tem a nossa confiança", afirmou.
Flávio também afirmou que precisa eleger uma maioria no Senado para implementar medidas mais duras de segurança, como a redução da maioridade penal, e disse que os candidatos serão cobrados pela população a defender impeachment de ministros do STF. Ele chegou a perguntar aos seus apoiadores se eles queriam a saída de Moraes, que responderam com gritos de sim.
"Eu lamento. Você vê [que] Alexandre de Moraes hoje virou o grande articulador político do Lula, promovendo encontro dentro da casa dele com outros políticos. Mas o Alexandre de Moraes veio para a seara política, então todos os políticos estão autorizados a responder dentro da política também", disse.
Flávio se referia à reunião entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), feita na casa de Moraes e da qual o ministro Cristiano Zanin participou. O encontro, na semana passada, foi articulado para reaproximar os chefes do Executivo e do Senado, que estavam rompidos desde a rejeição da indicação de Jorge Messias para o STF, em abril.
"Não adianta querer dar canetada, ameaçar, inventar operações contra nós, os pré-candidatos", afirmou ainda.
Participaram nomes como Guilherme Derrite (PP-SP), Bia Kicis (PL-DF), Marcelo Queiroga (PL-PB), Carlos Jordy (PL-RJ) e Filipe Barros (PL-PR), entre outros.
