Lula vem à Bahia turbinar Jerônimo e conter avanço do 'voto LuNeto'
Por João Pedro Pitombo/Folhapress
28/08/2026 às 06:31
Foto: Divulgação/Arquivo
Lula e Jerônimo Rodrigues
O presidente Lula (PT) desembarca em Salvador nesta sexta-feira (28) para reforçar a campanha à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e tentar conter a expansão do voto "LuNeto", formado por eleitores que apoiam o petista para a Presidência e ACM Neto (União Brasil) para o governo.
Lula vai participar de uma caminhada ao lado de Jerônimo e dos ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner, ambos candidatos ao Senado pelo PT. O ato será na Liberdade, bairro popular da capital baiana conhecido pela maioria negra e por sediar entidades como Ilê Aiyê.
A ida do presidente à Bahia pela segunda vez em um mês reforça a estratégia da campanha petista de voto casado em Lula e Jerônimo. A ideia é nacionalizar a disputa, transformando a eleição para o governo em uma escolha entre projetos políticos a favor e contra o presidente.
O mote replica a estratégia de 2022. Naquela eleição, Jerônimo teve 52,8% dos votos e superou ACM Neto no segundo turno. Na mesma disputa, Lula alcançou 72,1% dos votos no estado, derrotando Jair Bolsonaro (PL) com uma vantagem superior a 4 milhões de votos.
A diferença entre as votações aponta a dimensão do voto cruzado, uma parte significativa dos baianos que escolheram Lula para presidente não acompanhou o PT na eleição estadual. Há quatro anos, esse fenômeno ganhou terreno em Salvador e cidades médias do interior do estado.
Na eleição deste ano, esta combinação de votos tem ganhado tração a partir das redes sociais, onde circulam conteúdos como jingles e esquetes de humor com a defesa explícita do "voto LuNeto".
ACM Neto tem evitado atacar Lula e mira suas críticas no governador. Nacionalmente, declarou apoio Ronaldo Caiado (PSD), mas sem pedir votos para o aliado. O PL compõe sua chapa e indicou o ex-ministro de Bolsonaro João Roma como candidato ao Senado.
Em agosto, a Justiça Eleitoral negou pedido da coligação de Jerônimo para retirar do Instagram um vídeo publicado por influenciadores baianos que declaravam apoio a Lula e ACM Neto.
O vídeo simulava um pedido em um drive-thru no qual os clientes apresentavam um santinho com a mensagem: "Eu tô com Netinho e tô com vovô Lula". Ao serem questionados sobre a escolha, repetiam o slogan "Meu combo, minhas regras".
A Justiça Eleitoral classificou o conteúdo como uma manifestação espontânea de preferência política, destacando que não há regra que obrigue o eleitor a manter fidelidade entre candidatos de uma mesma legenda ou grupo político.
Na cúpula da campanha petista, a avaliação é que esse movimento não é orgânico e tem sido impulsionado nas redes por aliados do ex-prefeito de Salvador, que pretende ampliar sua votação entre eleitores lulistas.
Políticos do interior também têm feito acenos semelhantes, caso ex-prefeito de Jacobina Tiago Dias (PSDB). Ele rompeu com o governador, passou a apoiar ACM Neto para o governo, mas manteve o voto em Lula para presidente.
Em uma postagem nas redes, indicou quais seriam seus candidatos em um card com a frase "esse é nosso time". Em julho, a Justiça Eleitoral determinou a retirada da montagem com as fotos de Lula e ACM Neto, mas não proibiu Dias de declarar voto nos dois.
Na campanha de Jerônimo, a palavra de ordem é ampliar o voto casado em Jerônimo e Lula e associar o ex-prefeito de Salvador ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
"A campanha é uma só. Vamos reafirmar aquilo que é cláusula, que é o time, e trabalhar conjuntamente as candidaturas do presidente, governador, senadores e deputados", afirma Bruno Monteiro, coordenador de comunicação da campanha de Jerônimo.
É nesse cenário que Lula desembarca novamente na Bahia. Ao contrário de 2022, quando evitou bater de frente com ACM Neto, o presidente foi mais incisivo na defesa de Jerônimo e nas críticas ao adversário. Na convenção do governador, cobrou empenho do PT para conquistar a Prefeitura de Salvador
Entre os petistas, a meta é ampliar a votação de Jerônimo entre os eleitores de Lula e a margem de votos do presidente na Bahia –o ex-ministro Rui Costa prometeu uma frente de 5 milhões de votos.
A oposição, por sua vez, minimiza o efeito de Lula como cabo eleitoral. Em entrevista nesta quinta-feira (27), o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), disse que a presença de Lula não é mais uma novidade para o eleitor baiano, que já sabe que Lula e Jerônimo são aliados.
"Jerônimo não vai mudar, então as pessoas precisam mudar o governo. Com todo o respeito ao presidente, a todas as lideranças nacionais, essa é a escolha livre do povo da Bahia, que é independente, soberano e não aceita pressão, ameaça de ninguém", afirmou.
