Deepfakes de apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro desafiam regras eleitorais
Por Redação
21/08/2026 às 08:21
Atualizado em 21/08/2026 às 08:14
Foto: Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil
Os conteúdos são usados tanto para atacar adversários quanto para promover os candidatos apoiados
Perfis de apoio a Lula e Flávio Bolsonaro estão usando inteligência artificial para criar vídeos e imagens que simulam a aparência e a voz dos candidatos e de seus aliados. Em monitoramento realizado durante cinco dias, o Estadão identificou 25 conteúdos produzidos ou manipulados com IA em contas com mais de 100 mil seguidores. As publicações acumularam milhões de interações e, em 22 casos, não informavam que havia uso de conteúdo sintético, apesar das regras do TSE exigirem identificação em materiais de propaganda eleitoral produzidos com inteligência artificial. A reportagem é do Estadão.
Os conteúdos são usados tanto para atacar adversários quanto para promover os candidatos apoiados. Entre os exemplos estão montagens que associam Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro e ao caso Banco Master, além de vídeos que relacionam Lula a escândalos de corrupção, fraudes no INSS e outras acusações exploradas pela oposição. A reportagem também destaca que perfis favoráveis a Lula utilizaram IA para produzir peças contra Flávio, enquanto páginas de apoio ao senador fizeram o mesmo contra o presidente. Um dos casos já levou o ministro André Mendonça a determinar a retirada de um vídeo que criava, por meio de IA, uma situação fictícia envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro.
A principal dúvida no momento está nos limites da proibição, especialmente em relação ao chamado “deepfake do bem”, quando a manipulação é usada para favorecer um candidato em vez de atacar um adversário. Juristas ouvidos pelo Estadão defendem uma interpretação ampla das regras, segundo a qual conteúdos hiper-realistas que simulam acontecimentos inexistentes devem ser proibidos independentemente de quem beneficiem. O TSE ainda não consolidou uma posição definitiva sobre o tema: decisões recentes indicam uma tendência mais restritiva, mas julgamentos foram suspensos após pedido de vista do presidente da Corte, deixando candidatos, partidos e eleitores diante de uma zona de incerteza sobre o que será permitido durante a campanha de 2026.
