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Cleitinho anuncia que não será candidato ao Governo de Minas Gerais

Cleitinho anuncia que não será candidato ao Governo de Minas Gerais

Senador gravou vídeo ao lado do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira

Por Augusto Tenório/Raphael Di Cunto/Folhapress

03/08/2026 às 17:00

Atualizado em 03/08/2026 às 17:22

Foto: Roque de Sá/Agência Senado/Arquivo

Imagem de Cleitinho anuncia que não será candidato ao Governo de Minas Gerais

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos)

O Republicanos anunciou nesta segunda-feira (3) que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) não será candidato ao Governo de Minas Gerais. O presidente do partido, o deputado Marcos Pereira (SP), conversou com o parlamentar em Brasília e ambos gravaram juntos um vídeo com a decisão.

A desistência ocorreu, segundo Cleitinho, por causa da morte do seu irmão, Matheus Augusto Azevedo, vítima de complicações por uma leucemia no dia 18 de julho. Ele chorou no vídeo e afirmou que não está bem e que precisa cuidar de si e da família.

"Quero me dirigir ao povo mineiro, pedir perdão. Meu momento não está fácil para mim, para minha família. O que adianta entrar numa campanha agora do jeito que eu tô. Não adianta querer cuidar de vocês se não tô cuidando de mim, da minha família", afirmou.

Pereira defendeu que o partido deu oportunidade a Cleitinho sair candidato, mas que o senador estava sem condições. "Você mineiro que assiste a gente, que é de fé como o Cleitinho, para você cuidar do povo, você precisa cuidar primeiro da sua casa", disse.

No vídeo, o presidente do Republicanos não informa quem será o candidato apoiado pelo partido a partir de agora, mas a sigla já tinha anunciado uma coligação junto com PP, União Brasil e PL para lançar o ex-deputado federal e ex-secretário da Casa Civil de Minas Marcelo Aro (PP).

Cleitinho lidera a pesquisas de intenção de voto ao Governo de Minas Gerais, mas não confirmou sua candidatura até a convenção estadual do Republicanos, realizada no dia 25 de agosto. O impasse e os sinais trocados fizeram com que a cúpula do partido anunciasse que não poderia mais aguardá-lo e declarassem apoio a Aro.

O movimento causou um vai e vem de versões e reuniões. Após a recusa do Republicanos, Cleitinho afirmou na última quarta-feira (29) que seria candidato e justificou seu recolhimento lembrando que seu irmão. O senador, então, passou a reunir aliados para tentar convencer Pereira a mudar a decisão.

No último domingo (2), Cleitinho esteve com a cúpula do PL de Minas Gerais, para assegurar o apoio do partido à sua candidatura, se confirmada. Ele esteve com os deputados Zé Vitor, presidente estadual da sigla, e Domingos Sávio, candidato ao Senado.

"Ele se sentiu mais seguro para sentar [com o Republicanos] e dizer que tem nosso apoio. Quem decide não somos nós, mas entendemos que era bom ficar claro que nunca faltou meu apoio, ou do PL de Minas Gerais. Demos a palavra e aguardamos a resposta do Republicanos", afirmou Domingos Sávio ao jornal Folha de São Paulo.

Segundo levantamento Quaest publicado na última terça (28), Cleitinho tem 35% de intenção de votos no primeiro turno, 23 pontos à frente do segundo colocado, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que tem 12%. O senador também vence em todas as simulações de segundo turno.

A vantagem apresentada por Cleitinho fez o senador ser cortejado pela candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, que precisa de um palanque forte em Minas Gerais. O estado é considerado crucial para o sucesso de uma candidatura presidencial, pois nenhum presidente foi eleito sem vencer também a maioria dos votos dos mineiros nas últimas décadas.

Com a desistência de Cleitinho, Flávio deve apoiar a candidatura de Marcelo Aro. O ex-secretário da Casa Civil pretendia concorrer ao Senado, mas desistiu de apoiar o governador Matheus Simões (PSD) após ele aceitar que o senador Carlos Viana (PSD) concorresse à reeleição pela chapa. Aro queria ser candidato único do grupo ao cargo, para aumentar suas chances de sucesso.

Matheus Simões concorrerá à reeleição com apoio do ex-governador Romeu Zema (Novo), que deixou a gestão estadual em março para concorrer à Presidência.

Já o presidente Lula (PT) decidiu lançar o deputado federal Patrus Ananias (PT) ao governo mineiro. O petista terá a ex-prefeita de Contagem Marília Campos concorrendo ao Senado.

Segundo a Quaest, Lula e Flávio Bolsonaro estão tecnicamente empatados no primeiro turno, com 30% das intenções de voto no estado, contra 29%, respectivamente. Zema aparece em terceiro lugar, com 12%.

Além de Cleitinho e de Pereira, o deputado federal Euclydes Pettersen também participa do vídeo em que o senador anuncia a desistência da candidatura. Presidente do Republicanos em Minas Gerais, ele foi indiciado pela PF (Polícia Federal) em julho de 2026 no âmbito da Operação Sem Desconto.

Segundo a PF, Pettersen teria recebido R$ 14,7 milhões de uma organização criminosa no esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). A polícia pediu seu indiciamento sobre suspeita de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O Ministério Público ainda avalia o pedido e não o denunciou formalmente à Justiça. Pettersen afirmou em nota que não participou de fraudes e não indicou ninguém para o INSS. "O indiciamento é ato unilateral da autoridade policial. Ele encerra uma investigação; não abre um processo. Suas conclusões foram formadas sem contraditório e sem que ainda se tenha examinado uma única linha da defesa", disse.

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