Home
/
Noticias
/
Mundo
/
Brasileiros temem votar em NY, e Brasil busca centro de votação protegido do ICE
Brasileiros temem votar em NY, e Brasil busca centro de votação protegido do ICE
Por Redação
27/08/2026 às 07:50
Foto: Rovena Rosa/Arquivo/Agência Brasil
Urna eletrônica
Imigrantes brasileiros que vivem em Nova Jersey relatam à reportagem que não devem sair de suas casas para votar no primeiro turno das eleições para presidente em 4 de outubro. Eles temem as ações do ICE, a agência de migração dos Estados Unidos.
A vida nas cidades onde há mais "batidas" mudou: parte dos brasileiros evita sair de casa durante o dia, pede comida por aplicativos de entrega para não ir a restaurantes e monitora com atenção grupos de WhatsApp criados para avisar sobre a presença dos agentes.
No momento de escolher o local onde será organizado o posto de votação, o Consulado-Geral do Brasil em Nova York, onde votam os residentes em Nova York, Nova Jersey e Filadélfia, levou esse temor em consideração. Devido à repressão contra imigrantes, espera-se que a participação eleitoral de brasileiros nos EUA neste ano seja reduzida.
A representação teve como uma das preocupações principais encontrar um local de votação no qual os imigrantes se sentissem protegidos, apurou a reportagem. Preocupou-se, também, com um espaço onde houvesse menos chance de realização de boca de urna e confusões entre eleitores de forças políticas diferentes.
Para isso, o local encontrado —um complexo educacional na região do Queens, relativamente distante de centros como Manhattan, em Nova York, e das cidades com mais brasileiros em Nova Jersey, como Newark— apresenta uma estrutura que previne a formação de filas em espaços públicos e permite que os eleitores estejam sempre dentro dos prédios.
Agentes do ICE não podem entrar em áreas privadas, como casas ou escolas, sem um mandado judicial assinado por um juiz. É por isso que a maioria das prisões ocorre em locais públicos e que casos isolados como o de uma prisão realizada nas dependências da Universidade Columbia, em Manhattan, causam tanta repercussão.
Essa preocupação com os eleitores brasileiros também partiu da Secretaria de Relações Internacionais da Prefeitura de Nova York e da própria Polícia de Nova York, que ajudaram a mapear o lugar mais seguro disponível.
Ainda que a nível nacional o governo do republicano Donald Trump promova a repressão contra os imigrantes, a cidade e o estado de Nova York, de administrações democratas, são considerados "santuários" —regiões que não apoiam essas medidas.
Por razões semelhantes, o Consulado-Geral do Peru em Nova York realizou sua votação para presidente, em abril passado, no mesmo local. O pleito elegeu a populista de direita Keiko, filha do ditador Alberto Fujimori.
Em nota, o Consulado do Brasil disse que a escolha por realizar as eleições nesse complexo escolar se deu porque "as dependências do Consulado-Geral não poderiam comportar bem um fluxo de quase 50 mil eleitores da região". "Essa opção evita a formação de filas ao longo das ruas e oferece aos eleitores um espaço confortável e seguro."
O Brasil enviou ao Departamento de Estado americano, entre o final de junho e o início de julho, informações de todos os postos de votação nos EUA. Além do posto em Nova York, há também em Atlanta, Boston, Chicago, Hartford, Houston, Dallas, Miami, Los Angeles, Salt Lake City, Orlando, São Francisco e na capital, Washington.
O departamento destacou que a polícia americana não será responsável por garantir a ordem pública em espaços de votação que não sejam nos próprios consulados (como é o caso de Nova York), o que ficará a cargo do Brasil.
As estimativas mais atualizadas do Itamaraty indicam que há, hoje, ao redor de 2 milhões de brasileiros morando nos EUA. Já os números mais atualizados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostram que há ao redor de 265 mil eleitores registrados para votar no país, o que mostra que há um relativo baixo interesse em participar do pleito.
Na última eleição presidencial, em 2022, os brasileiros nos EUA votaram majoritariamente a favor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que tentava se reeleger. O maior bastião da direita brasileira está em Miami, onde 81,2% dos eleitores optaram por Bolsonaro.
Em apenas 3 dos 10 postos consulares nos quais houve votação naquele ano o presidente Lula (PT) saiu vitorioso, com destaque para São Francisco, na Califórnia, onde obteve 60,1% dos votos. A cidade é historicamente uma das mais progressistas e liberais dos EUA, e reúne muitos brasileiros com formação na área de tecnologia.
