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Ancine vê irregularidade em filme sobre Bolsonaro, com multa de até R$ 100 mil
Ancine vê irregularidade em filme sobre Bolsonaro, com multa de até R$ 100 mil
Obras estrangeiras gravadas no país precisam ser comunicadas às autoridades brasileiras previamente
Por Eduardo Moura/Folhapress
05/08/2026 às 19:25
Foto: Divulgação
Cartaz de 'Dark Horse', filme sobre Jair Bolsonaro com o ator Jim Caviezel
A Agência Nacional do Cinema, a Ancine, decidiu autuar a Go Up Entertainment, produtora do filme "Dark Horse", longa de ficção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por irregularidades em sua gravação.
A produção, considerada estrangeira pela agência, deveria ter sido informada às autoridades brasileiras, o que não ocorreu, segundo a agência. Com isso, a empresa deve receber uma multa, que pode variar entre R$ 2.000 a R$ 100 mil, a ser definida pela Superintendência de Fiscalização e Combate à Pirataria.
O longa, falado em inglês, é estrelado, dirigido e escrito por americanos. A Go Up Entertainment tem sede no estado americano da Califórnia, de acordo com seu site, mas também está registrada como agente econômico na Ancine desde julho de 2025, com sede em São Paulo.
Segundo a Ancine, houve duas tentativas de contato com a produtora para solicitar esclarecimentos, mas, diante da ausência de resposta, a agência formalizou a autuação e concedeu prazo para apresentação de defesa.
De acordo com a Ancine, a distribuidora Europa Filmes protocolou, em junho, pedido de Registro de Obra Estrangeira (ROE) para o filme.
Em maio, a produtora negou à Folha o recebimento de repasses de verba do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o projeto.
A informação sobre os repasses foi revelada pelo site The Intercept Brasil. Segundo a publicação, o ex-banqueiro do Master pagou R$ 61 milhões para financiar o filme.
A publicação também mostrou diálogos entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro sobre os repasses. Em nota, Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido vantagens.
Também teria sido intermediário das tratativas o deputado federal Mario Frias (PL-SP), secretário especial de Cultura no governo Bolsonaro. Frias endossou em nota o posicionamento da produtora e negou que tenha havido repasses.
