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Agosto Lilás: Ireuda Silva alerta para violência que atinge de forma desigual mulheres negras

Agosto Lilás: Ireuda Silva alerta para violência que atinge de forma desigual mulheres negras

Por Redação

11/08/2026 às 09:54

Foto: Divulgação/Arquivo

Imagem de Agosto Lilás: Ireuda Silva alerta para violência que atinge de forma desigual mulheres negras

Ireuda Silva

Durante o Agosto Lilás, mês de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher, a vereadora de Salvador Ireuda Silva (Republicanos) chama atenção para uma realidade que, segundo ela, precisa estar no centro do debate sobre políticas de proteção: a violência não atinge todas as mulheres da mesma forma. Mulheres negras estão entre as principais vítimas da violência letal e enfrentam uma sobreposição de desigualdades de gênero e raça que amplia sua vulnerabilidade.

Os números ajudam a dimensionar o problema. Dados do 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2024, 63,6% das vítimas de feminicídio no Brasil eram mulheres negras. O levantamento também aponta que 70,5% das vítimas tinham entre 18 e 44 anos, enquanto oito em cada dez foram assassinadas por companheiros ou ex-companheiros. Além disso, 64,3% dos crimes ocorreram dentro de casa, revelando que o ambiente doméstico, que deveria representar proteção, muitas vezes se transforma no cenário da violência.

Para Ireuda Silva, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e vice da Comissão de Reparação, os dados demonstram que falar sobre o enfrentamento à violência contra a mulher exige reconhecer as especificidades vividas pela população negra. “Quando olhamos para os números do feminicídio, percebemos que as mulheres negras são vítimas preferenciais de uma violência que não começa no momento do assassinato. Ela pode estar presente no racismo, na desigualdade social, na falta de oportunidades, na violência doméstica e na dificuldade de acesso à rede de proteção”, afirma a vereadora.

A parlamentar destaca ainda que o feminicídio representa a forma mais extrema de um ciclo de violência que pode envolver ameaças, agressões físicas e psicológicas, perseguição, violência sexual e controle financeiro. Por isso, segundo Ireuda, o Agosto Lilás não pode ser tratado apenas como uma campanha de conscientização, mas como um período para reforçar a necessidade de políticas públicas permanentes, capazes de prevenir a violência e garantir atendimento às vítimas. O feminicídio é caracterizado, entre outras situações previstas em lei, quando o assassinato está relacionado à violência doméstica e familiar ou ao menosprezo e à discriminação contra a condição de mulher.

“Não podemos naturalizar esses números. Cada percentual representa mulheres que tinham histórias, famílias, sonhos e projetos interrompidos pela violência. E quando mais de seis em cada dez vítimas de feminicídio são negras, fica evidente que precisamos de políticas públicas que considerem também o racismo estrutural e as desigualdades que atravessam a vida dessas mulheres”, ressalta Ireuda.

 

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