Home
/
Noticias
/
Brasil
/
Republicanos sinaliza neutralidade na eleição, mas Flávio busca apoio com acordos nos estados
Republicanos sinaliza neutralidade na eleição, mas Flávio busca apoio com acordos nos estados
PL caminha para aliança no Espírito Santo e Minas Gerais e negocia no Acre e Mato Grosso
Por Raphael Di Cunto/Folhapress
14/07/2026 às 20:30
Foto: Beto Barata/Agência Senado/Arquivo
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira
Aposta da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para ocupar a vaga de vice na chapa presidencial, o Republicanos tem indicado que ficará neutro na eleição nacional, mas negociações em quatro estados podem mudar esse cenário e aproximar os dois partidos. A convenção nacional ainda não está marcada e deve ocorrer perto do fim do prazo, que começa na segunda-feira (20) e acaba em 5 de agosto.
Na última segunda (14), as duas siglas encaminharam uma aliança no Espírito Santo. O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) declarou apoio a Flávio, criticou as prisões dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e afirmou que Maguinha Malta (PL) será sua candidata ao Senado.
As declarações, feitas a um canal de YouTube bolsonarista, seguiram um roteiro negociado com o PL para obter apoio do partido do senador Magno Malta –que tinha se lançado pré-candidato ao governo capixaba. Eles devem se unir numa chapa para enfrentar o governador Ricardo Ferraço (MDB).
A tendência do Republicanos é se manter neutro na disputa presidencial, sem aliança formal com o presidente Lula (PT) ou com Flávio, segundo quatro dirigentes do partido. O presidente da sigla, deputado federal Marcos Pereira (SP), divulgou nota no domingo (12) para negar qualquer acordo por enquanto.
"Na última sexta-feira [10], em São Paulo, uma pesquisa encomendada pelo partido foi apresentada para uma parte da bancada paulista. Pelas sondagens iniciais, o presidente Marcos Pereira detectou, preliminarmente, um sentimento de frustração à pré-candidatura de Flávio e uma indicação de preferência pela neutralidade nestas eleições", disse a nota divulgada pela executiva do Republicanos.
Dirigentes partidários dizem que a sigla tinha uma posição mais favorável a Flávio, mas o cenário mudou quando foi revelado, em maio, que ele pediu dinheiro e se encontrou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os recursos, segundo Flávio, seriam para custear um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas as notícias atingiram sua pré-candidatura e suas intenções de voto.
Um fator que pode mudar a tendência à neutralidade, de acordo com dirigentes do Republicanos, é o apoio do PL a candidatos do partido aos governos estaduais. Isso foi decisivo para a sigla decidir endossar a reeleição de Bolsonaro em 2022, quando o ex-presidente filiou ao Republicanos os ex-ministros Damares Alves, para disputar o Senado no Distrito Federal, e Tarcísio de Freitas para concorrer em São Paulo.
Desta vez, além da aliança entre Malta e Pazolini, no Espírito Santo, a legenda quer que o senador Wellington Fagundes (PL) desista de concorrer para apoiar o governador Otaviano Pivetta em Mato Grosso e que o PL declare apoio aos senadores Alan Rick no Acre e Cleitinho Azevedo em Minas. Os partidos já estão juntos na campanha pela reeleição do governador Tarcísio.
Desses estados, o mais distante é o apoio em Mato Grosso. Fagundes lidera pesquisas e avisou na semana passada ao presidente nacional do Republicanos que não deve desistir. No Acre, o senador Marcio Bittar (PL) está dividido entre a reeleição da atual governadora ou compor com Rick.
Em Minas Gerais, o PL tentou construir uma candidatura alternativa a de Cleitinho, que é o líder nas pesquisas. Foram estudados dois nomes, do presidente da Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais), Flávio Roscoe (PL), e do ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli (PL), mas a tendência é apoiar Cleitinho para fortalecer o palanque bolsonarista no estado, segundo dirigentes do PL mineiro.
O problema é que Cleitinho ainda não confirmou a candidatura ao governo e disse recentemente que pode deixar a decisão para o fim do prazo, em agosto, diante de pressões para que saia da disputa. Esses dirigentes do PL afirmam que a decisão será do diretório estadual e que não houve orientação explícita da nacional para fechar um acordo com o senador em troca do apoio a Flávio.
O PL também indica que o Republicanos ocupará a vice na chapa caso aceite a coligação. Há, no entanto, divergências sobre o nome. A equipe de Flávio sugere que a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, do Republicanos, fique com a função. Mas o partido não se sente representado por ela, que acabou de se filiar, e prefere indicar um de seus quadros mais antigos se a aliança ocorrer.
O senador, porém, diz que não fará esforços e promessas que não poderia cumprir para atrair o partido. A promessa da vice seria, em âmbito nacional, a principal cartada.
Segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Flávio prometeu indicar Marcos Pereira para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) em troca da aliança. O presidente nacional do Republicanos divulgou nota negando esse acerto.
Dois deputados federais que conversaram com Pereira dizem que a possibilidade de ocupar uma vaga no STF, sonho antigo do dirigente partidário, está sempre nas conversas em torno de apoio do partido, mas que o convite não foi feito. Eles também minimizam uma possível oferta, afirmando que as pesquisas apontam vitória de Lula e que, se isso ocorrer, de nada valeria essa promessa.
O próximo presidente da República poderá indicar até quatro vagas no STF com a aposentadoria compulsória dos ministros aos 75 anos. A conta inclui a cadeira que era de Luís Roberto Barroso e que não foi preenchida desde o ano passado.
O apoio do Republicanos pode ser decisivo para tirar Flávio do isolamento partidário. PP e União Brasil caminhavam para apoiá-lo, mas a neutralidade se tornou o cenário mais provável com após o escândalo do Banco Master e divergências entre PL e políticos desses partidos nas eleições estaduais.
