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PGR defende que PF ouça Flávio Bolsonaro por chance de retratação em caso de calúnia contra Lula
PGR defende que PF ouça Flávio Bolsonaro por chance de retratação em caso de calúnia contra Lula
Senador associou presidente ao tráfico de drogas em postagem sobre Maduro
Por Ana Pompeu/Folhapress
06/07/2026 às 19:30
Atualizado em 06/07/2026 às 20:58
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado/Arquivo
O pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu nesta segunda-feira (6) que o pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, seja ouvido pela Polícia Federal para a investigação sobre calúnia contra o presidente Lula (PT) ao associá-lo ao crime de tráfico de drogas.
Na manifestação enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), o PGR afirma que a oitiva permite, inclusive, a retratação do senador.
O caso é referente a uma postagem de Flávio no X (antigo Twitter), em que o senador comentava a captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro, e dizia: "Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas".
"Superada a discussão a respeito do cabimento das diligências complementares requeridas, remanesce a necessidade de oitiva do Sr. Flávio Nantes Bolsonaro, medida de especial relevância, sobretudo em razão da possibilidade de retratação, capaz de isentar o investigado de pena", disse Gonet.
De acordo com a legislação penal, se antes da sentença o réu se retratar, fica isento de pena. Se a ofensa tiver sido feita pelos meios de comunicação, a retratação se dá, se assim quiser o ofendido, pelas mesmas plataformas.
No fim de junho, a PF concluiu que o senador caluniou Lula no caso. "Fica claro, portanto, que o senador Flávio Bolsonaro, através de sua postagem, imputou falsamente ao presidente Lula o cometimento dos crimes de tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de arma e lavagem de dinheiro, crimes estes expressamente tipificados em nosso ordenamento jurídico", diz a corporação.
A publicação foi feita em 3 de janeiro, data da prisão de Nicolás Maduro.
De acordo com a PF, para a caracterização do crime de calúnia, é necessária a falsa imputação de um crime específico. No caso, a afirmação de que Lula seria delatado significaria, então, o apontamento de algum delito.
"O senador, na sequência, enumera condutas criminosas que seriam atribuídas ao presidente Lula, dentre elas o crime de tráfico internacional de drogas, crime pelo qual Maduro é acusado pelos EUA, não deixando dúvidas de que sua acusação é de que o presidente Lula teria cometido, dentre outros, o crime de tráfico internacional de drogas e por tal fato seria delatado por Maduro", diz a PF.
Moraes autorizou a abertura de investigação contra Flávio em abril.
A equipe do pré-candidato à Presidência da República argumentou, na ocasião, que o procedimento tenta cercear a liberdade de expressão e "evoca práticas de censura e bloqueios de contas vistos no pleito de 2022". Disse ainda que Moraes é "personagem central do desequilíbrio democrático recente".
