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Petro diz que não reconhece presidente eleito da Colômbia e convoca manifestações

Petro diz que não reconhece presidente eleito da Colômbia e convoca manifestações

Atual líder afirma que aceita a vitória, 'de acordo com a decisão do povo colombiano', de seu aliado, Iván Cepeda

Por Daniela Arcanjo/Folhapress

06/07/2026 às 22:10

Atualizado em 06/07/2026 às 22:05

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Petro diz que não reconhece presidente eleito da Colômbia e convoca manifestações

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro

Um dia após convocar manifestações "pela defesa das reformas sociais" de seu governo, Gustavo Petro afirmou nesta segunda-feira (6) não reconhecer a vitória de Abelardo de la Espriella, que recebeu as credenciais de presidente eleito da Colômbia no final de junho.

"O presidente da Colômbia não reconhece a legitimidade do novo governo. Abelardo não venceu as eleições", afirmou Petro ao final de mais uma longa publicação em seu perfil no X. "O presidente da Colômbia aceita, de acordo com a decisão do povo colombiano, o filósofo Iván Cepeda", continuou, em referência ao seu apadrinhado no pleito.

Cepeda tem mantido suas declarações alguns tons abaixo de seu aliado, mas também questiona a legitimidade do novo presidente e prometeu "desobediência civil" frente ao governo que assume em dois meses.

Petro também afirmou que a população está convocada "a celebrar a independência em todas as praças públicas no dia 20 de julho" reforçando o convite feito na véspera.

Trata-se do Dia da Independência do país, um dos principais feriados da Colômbia. Este ano, além dos tradicionais desfiles e cerimônias oficiais que marcam a data, haverá também protestos, se a população responder ao chamado de Petro.

"Convido vocês a se juntarem às forças de segurança e, após o desfile, a ouvirem meu discurso de despedida como chefe de Estado da Colômbia", afirmou o presidente no domingo (5). "Não faremos isso nos dias 6 ou 7 de agosto; essas são datas trágicas. Faremos isso no dia 20 de julho, em todas as praças públicas da Colômbia."

O político não esclareceu exatamente o que quis dizer com a declaração, mas há dúvidas sobre a sua presença no dia da posse de Espriella, marcada para o dia 7 de agosto. Fato é que crescem as acusações de irregularidades, que acontecem desde que o ultradireitista apareceu à frente de Cepeda no primeiro turno, contrariando praticamente todas as pesquisas de opinião.

Também nesta segunda, o advogado e ex-magistrado do CNE (Conselho Nacional Eleitoral) Luis Guillermo Pérez, próximo a Petro, afirmou à rádio colombiana Blu Radio que entrará com uma ação judicial para anular a eleição de Espriella com base em quatro argumentos.

Em primeiro lugar, a nacionalidade americana do ultradireitista. Petro também tem mais de uma nacionalidade —além da colombiana, a italiana—, mas ele argumenta que o problema é o juramento de fidelidade à Constituição dos Estados Unidos que se deve fazer para adquirir a americana, o que colocaria a soberania no país sul-americano em risco.

A Constituição colombiana, porém, não proíbe que pessoas com mais de uma nacionalidade, qualquer que seja, sejam eleitas presidentes, e o Tribunal Superior de Bogotá já afirmou, no final de junho, que "a aquisição de uma cidadania estrangeira não implica, por si só, a perda da nacionalidade colombiana nem a configuração automática de uma inelegibilidade para o exercício de funções e cargos públicos".

O advogado também aponta para o apoio de Donald Trump a Espriella como uma "violação grosseira da soberania" e para a retórica da campanha do adversário de Cepeda. O ultradireitista, conhecido pelos discursos agressivos, autoapelidou-se de "El Tigre" e chamava seus seguidores de manada.

"Ele é um tigre e tem uma matilha, uma matilha pronta para nos estripar quando o tigre ordenar", disse Pérez à rádio, em alusão à forma como Espriella se referia à esquerda.

Por fim, o advogado cita supostas irregularidades na contagem dos votos, algo no qual Petro vem insistindo desde antes da votação, quando colocava em dúvida a integridade de uma empresa que fez parte do processo de apuração. Observadores nacionais e internacionais atestam a segurança do processo eleitoral colombiano e negam que tenha havido fraudes no dia do pleito.

A declaração preliminar da missão de observação da União Europeia, por exemplo, afirmou que o segundo turno, no final de junho, foi "transparente e bem organizado", além de "apoiado por sólidas instituições democráticas".

"Juízes e notários garantiram uma revisão e processamento independentes dos resultados das seções eleitorais, enquanto as equipes jurídicas de ambos os candidatos estiveram presentes na grande maioria das comissões observadas", disse a organização sobre o dia das eleições.

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