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Zelenski propõe reunião com Putin e cessar-fogo; Kremlin diz que ucraniano pode ir a Moscou
Zelenski propõe reunião com Putin e cessar-fogo; Kremlin diz que ucraniano pode ir a Moscou
Presidente da Ucrânia propôs encontro direto e suspensão dos combates durante negociações
Por Folhapress
04/06/2026 às 20:00
Foto: Reprodução/Instagram
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, propôs nesta quinta-feira (4) uma reunião com seu homólogo russo, Vladimir Putin, em carta aberta na qual também oferece um "cessar-fogo total" durante as negociações de paz.
"A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra por meio de um compromisso direto entre o senhor e nós. Proponho uma reunião", escreveu Zelenski na carta, publicada no site da Presidência ucraniana. É uma das poucas ocasiões em que o mandatário se dirigiu diretamente a Putin desde a invasão russa de 2022. Kiev disse estar "disposta a um cessar-fogo total enquanto durarem as negociações".
A proposta ocorre em um momento em que a Ucrânia se vê relegada ao segundo plano da agenda americana. Com o governo Trump consumido pela crise no Irã, o conflito ucraniano saiu em grande parte do radar do país.
Na quarta-feira (3), um dia depois de ataques russos matarem 23 pessoas em território ucraniano, Zelenski lamentou a perda de atenção de Washington. "O Irã é o assunto número um para os EUA, e depois vem a questão da Ucrânia. Infelizmente, estamos no fim da fila dessas guerras", disse o presidente durante visita a Kiev do secretário-geral da Otan, Mark Rutte.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, admitiu essa semana que as negociações lideradas pelos EUA estavam em impasse. "Infelizmente, nenhuma das partes esteve disposta a fazer concessões, especialmente o lado russo", afirmou ao Comitê de Relações Exteriores da Câmara.
Rubio também alertou que os ataques ucranianos a alvos em território russo devem provocar resposta mais agressiva de Moscou. "O risco de uma escalada é real, mais real do que há dois anos", disse.
O Kremlin respondeu positivamente à proposta de Zelenski. O porta-voz Dmitri Peskov afirmou que o presidente ucraniano pode ir a Moscou "a qualquer momento", embora tenha dito que Putin ainda não havia lido a carta.
Em São Petersburgo para um fórum econômico, Putin afirmou estar "sempre disposto a negociar" com base no que foi discutido com Trump em Anchorage, em agosto de 2025 —mas reiterou as exigências de Moscou: concessões políticas e territoriais de Kiev, incluindo retirada completa da região de Donetsk.
O governo ucraniano rejeita essas condições por considerá-las uma capitulação. Putin não descartou também ampliar o uso do míssil balístico hipersônico Oreshnik contra cidades ucranianas, reiterando que o armamento, já utilizado três vezes contra a Ucrânia, é capaz de transportar ogivas nucleares.
O presidente dos EUA, Donald Trump, reagiu com entusiasmo à possibilidade de encontro entre os líderes. "Acho que seria ótimo se eles se encontrassem. Deveriam resolver isso", disse a repórteres na Casa Branca.
Pesquisadores, porém, são céticos quanto às perspectivas de avanço. Elina Beketova, do Centro para Análise de Políticas Europeias, avalia que o Kremlin tem pouco interesse genuíno em negociar. "Os ataques recentes contra a Ucrânia indicam que a Rússia não está pronta para uma desescalada", diz.
Para ela, uma janela para negociações só se abrirá se a situação no campo de batalha mudar —com a Ucrânia fortalecida, e a Rússia desgastada militar e economicamente.
No campo de batalha, Putin afirmou que as tropas russas avançam "em toda a linha de frente". Dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), porém, mostram que a Ucrânia recuperou cerca de 282 km² de território em maio, reduzindo pelo segundo mês consecutivo a área controlada por Moscou —revertendo uma tendência de avanço russo que durou do fim de 2023 até início deste ano.
Em maio, Rússia e Ucrânia haviam iniciado um cessar-fogo de três dias como parte dos esforços dos EUA para negociar o fim da guerra entre os países, em curso há mais de quatro anos. No segundo dia, os dois lados trocaram acusações de violação do acordo e relataram novos ataques.
Na ocasião, Zelenski afirmou que Moscou evitou ataques aéreos e com mísseis em larga escala, mas continuou ofensivas terrestres em áreas onde as tropas russas avançam. O Ministério da Defesa da Rússia, por sua vez, acusou Kiev de desrespeitar a trégua. Moscou disse ter derrubado 57 drones ucranianos e que respondeu "na mesma moeda" no campo de batalha.
