/

Home

/

Noticias

/

Economia

/

Ministro da Fazenda cobra da CVM retomada de norma sobre sustentabilidade para empresas

Ministro da Fazenda cobra da CVM retomada de norma sobre sustentabilidade para empresas

Comissão terá que voltar regra anterior ou propor outro normativo, segundo autoridades envolvidas em discussões

Por Adriana Fernandes/Folhapress

06/06/2026 às 11:20

Atualizado em 06/06/2026 às 11:16

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado/Arquivo

Imagem de Ministro da Fazenda cobra da CVM retomada de norma sobre sustentabilidade para empresas

Otto Lobo, presidente nomeado da CVM (Comissão de Valores Mobiliários)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, cobrou do novo comando da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a retomada da obrigatoriedade de companhias abertas (com ações negociadas em Bolsa de Valores) divulgarem informações financeiras de sustentabilidade. A norma foi revogada pela comissão no dia 29 de maio.

A CVM terá que retomar a regra ou propor um outro normativo, segundo pessoas que participam de discussões sobre o tema. Durigan se reuniu na última terça-feira (2) com o novo presidente da comissão, Otto Lobo. Ele foi nomeado pelo presidente Lula (PT) para o cargo na quarta-feira (3).

Na reunião, Durigan cobrou alinhamento da CVM com a Fazenda e reclamou que uma decisão como aquela não poderia ter sido tomada com o colegiado desfalcado. A autarquia começou 2026 com apenas duas de suas cinco diretorias ocupadas e ficou cinco meses sem julgar processos.

Na conversa com Lobo, o ministro da Fazenda também pediu rigor na apuração do caso Master.

Em reunião separada, Durigan teve uma reunião virtual com superintendentes do órgão regulador do mercado de capitais, que é subordinado ao Ministério da Fazenda.

Pelas regras anteriores, empresas de capital aberto no Brasil eram obrigadas a publicar relatórios de clima e sustentabilidade a partir de 2027, segundo a resolução 193/2023.

Os documentos conteriam informações detalhadas sobre ativos vulneráveis aos impactos ambientais e metas de emissões de gases do efeito estufa. Com a derrubada da norma, os reportes voltam a ser voluntários.

"As alterações visam a aperfeiçoar o modelo de adoção voluntária, preservando a transparência e a comparabilidade trazidas pela necessidade de observância dos padrões contábeis, mas resgatando o necessário respeito à liberdade das entidades para estimar os custos e benefícios esperados de suas decisões sobre como usar os recursos dos investidores", afirmou a CVM ao mudar a regra.

A resolução, aprovada pelo colegiado, foi assinada por João Accioly, presidente interino da instituição. Embora nomeado, Otto ainda não tomou posse.

O recuo da CVM vem após pressão do setor. A Abrasca (Associação Brasileira das Companhias Abertas) protocolou um ofício no final do ano passado pedindo a derrubada das regras ou o adiamento por três anos.

O argumento usado era que a implementação da norma traria um custo alto às empresas, que poderia chegar a 70% dos gastos em auditoria, e sobrecarregaria as companhias considerando outras mudanças legais recentes, como a reforma tributária.

ESCÂNDALO MASTER

O novo presidente da CVM recebeu orientações para agir com rigor em casos de escândalos, e uma postura firme em relação a processos administrativos graves.

Sobre o caso Master, Durigan reforçou que é um escândalo que precisa ser tratado com rigor e transparência. Aprovado pelo Senado para o cargo, Lobo teve sua indicação envolvida em polêmica por ter dado decisões favoráveis ao Master logo que assumiu a presidência interina da CVM, quando era diretor da autarquia.

O escândalo do banco Master escancarou falhas na fiscalização da CVM com o uso de fundos de investimento para fraudes montadas pela organização criminosa montada pelo dono do Master, Daniel Vorcaro.

A CVM é alvo de investigação pelo Ministério Público Federal. O órgão também abriu uma sindicância interna para apurar se houve vazamento de informações sigilosas para o grupo de Vorcaro. Nos próximos dias, o governo fará a indicação ao Senado de um novo nome para a diretoria e completar o colegiado da comissão.

Nas conversas com representantes da CVM, o ministro da Fazenda também condenou a possibilidade de a autarquia ter uma posição distinta em relação à pasta sobre o plano emergencial de reestruturação do órgão, após o presidente interino do órgão João Accioly ter discordado e sinalizado que poderia contestar a proposta no STF (Supremo Tribunal Federal).

O plano foi enviado ao Supremo pela AGU (Advocacia-Geral da União) após decisão do ministro Flávio Dino, que determinou que pelo menos 70% dos valores arrecadados pela taxa de fiscalização permaneçam no caixa da CVM, sem precisar que os recursos sejam transferidos ao Tesouro Nacional.

A interlocutores, Durigan tem dito que a CVM não pode ter uma posição distinta da Fazenda e muito menos questionar de forma independente a proposta no STF. Essa posição foi transmitida a Otto Lobo e aos demais técnicos da autarquia.

Durigan também pediu ao novo presidente da CVM que apresente uma agenda de trabalho e informações críticas, para que a Fazenda não seja surpreendida com nenhum escândalo.

O plano emergencial prevê a abertura de 50 cargos de inspetor, que serão aproveitados de um concurso antigo com candidatos já aprovados. Além disso, oito cargos em comissão e mais 30 servidores aprovados no último CPNU (Concurso Público Nacional Unificado) serão alocados para a CVM.

O plano estabelece compromissos de governança. A avaliação do Ministério da Fazenda é que cerca de 60% das demandas que a autarquia pediu já estão sendo atendidas.

O governo é contra a destinação à CVM da parcela do orçamento dos recursos arrecadados com a taxa de fiscalização do órgão e avaliar recorrer ao STF.

Procurado, Otto Lobo disse que não poderia comentar os assuntos tratados na reportagem porque ainda não tomou posse. Sobre a norma de sustentabilidade, a CVM afirmou que a principal mudança é a remoção da obrigatoriedade que a versão original impusera às companhias abertas, após período de adoção voluntária.

"Com isso, o regime aproxima-se daquele que a própria redação anterior já previa para fundos de investimento e sociedades securitizadoras, pois para tais entidades não havia previsão de adoção forçada do reporte de informações de sustentabilidade nos padrões contábeis. Dessa forma, a CVM reconhece a mudança como avanço", afirma nota da autarquia.

Para o órgão, a medida, que passou por consulta pública, incentiva uma maior adoção voluntária pelas companhias, "incrementando de forma efetiva a transparência no mercado de valores mobiliários".

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.