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Irã diz ter assinado pacto de paz com os EUA de forma eletrônica, e Trump chancela acordo no G7

Irã diz ter assinado pacto de paz com os EUA de forma eletrônica, e Trump chancela acordo no G7

Funcionário americano diz à agência AFP que Trump o assinou pessoalmente durante encontro com Macron, na França

Por Folhapress

17/06/2026 às 21:15

Foto: Reprodução/Instagram

Imagem de Irã diz ter assinado pacto de paz com os EUA de forma eletrônica, e Trump chancela acordo no G7

O presidente dos EUA, Donald Trump

O Irã reiterou nesta quarta-feira (17) ter assinado de forma eletrônica um acordo com os Estados Unidos que põe fim à guerra no Oriente Médio. Já um funcionário americano afirmou à agência de notícias AFP que o presidente Donald Trump assinou pessoalmente o documento durante um jantar com seu homólogo francês, Emmanuel Macron, após a cúpula do G7.

"O texto do memorando de entendimento de Islamabad foi finalizado com a assinatura dos presidentes. Agora é hora de testar a implementação desse acordo", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghai, mencionado pela agência estatal Irna.

Ele acrescentou que o documento foi assinado de forma eletrônica e afirmou que uma cerimônia presencial, cogitada anteriormente para sexta-feira (19) na Suíça, "realmente não faz sentido".

Washington e Teerã chegaram a um memorando de entendimento, divulgado pela imprensa americana, para pôr fim ao conflito iniciado em 28 de fevereiro pelos ataques dos EUA e de Israel contra a República Islâmica, que se espalhou pela região e causou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano. O acordo assinado nesta semana inclui também a cessação do confronto no Líbano.

O líder do grupo Hezbollah, Naim Qasem, classificou o acordo de uma "grande vitória" para o Irã, país ao qual agradeceu por ter insistido em incluir a frente libanesa. Em discurso transmitido pela televisão, ele pediu que se aproveitasse esse acordo para "expulsar Israel" do território libanês.

O Líbano foi arrastado para o conflito quando o Hezbollah disparou foguetes contra Israel em 2 de março, em apoio ao Irã. O líder do Hezbollah também instou o governo libanês a encerrar as negociações diretas com Israel iniciadas em abril sob a mediação de Washington. O presidente Joseph Aoun, por sua vez, havia afirmado anteriormente que esse processo é independente do acordo entre EUA e Irã.

O texto do acordo, lido por um funcionário americano diante de jornalistas, prevê que os EUA suspendam, a partir da assinatura, suas sanções à venda de petróleo iraniano e o bloqueio aos portos iranianos.

Washington suspenderá todas as sanções contra Teerã caso seja alcançado um acordo definitivo, ao término de um período de negociações de 60 dias.

Durante esses dois meses, ambos os países debaterão um mecanismo para lidar com as reservas de urânio enriquecido do Irã, que estão no centro das acusações dos EUA de que Teerã pretende desenvolver armas nucleares. Para isso, será utilizado um método de diluição sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O Irã deverá permitir, no prazo de 30 dias, o restabelecimento completo do tráfego marítimo no estreito de Hormuz, cujo bloqueio prejudica a economia mundial.

Mas, segundo o principal negociador iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, o estreito "não voltará à situação anterior à guerra", com livre trânsito. "O Irã tem direito soberano sobre Hormuz e, é claro, cobraremos uma taxa por esses serviços", declarou.

De acordo com o memorando de entendimento, o Irã "tomará as medidas necessárias, fazendo todo o possível, para garantir a passagem segura de navios comerciais, sem qualquer cobrança e apenas por 60 dias", pelo estreito.

Os Estados Unidos se comprometem ainda, em caso de acordo definitivo, a facilitar "com seus parceiros regionais" um fundo de US$ 300 milhões para a reconstrução e o desenvolvimento econômico do Irã, sem que isso implique qualquer participação financeira dos próprios EUA.

Em declaração conjunta, os membros do G7 (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido) saudaram o acordo como "uma oportunidade histórica para impedir que o Irã adquira qualquer arma nuclear e para lidar com as ameaças relacionadas às suas atividades regionais e balísticas".

A China, por sua vez, disse considerar essencial que "todas as partes" apliquem esse acordo e evitem "ingerências externas", durante uma conversa por telefone entre seu ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, e seu homólogo iraniano, Abbas Araqchi, segundo Pequim.

O chefe da diplomacia chinesa, cujo país depende em grande medida das importações de petróleo do Golfo, insistiu na necessidade de que a navegação no estreito de Hormuz seja "gerenciada de forma adequada, respondendo com prudência às profundas preocupações da comunidade internacional".

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