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Galípolo diz que BC pode ter errado ao tentar 'explicar demais' último corte na Selic
Galípolo diz que BC pode ter errado ao tentar 'explicar demais' último corte na Selic
Por Guilherme Pimenta e Adriana Fernandes, Folhapress
25/06/2026 às 13:30
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (25) que o Copom (Comitê de Política Monetária) pode ter errado ao tentar "explicar demais" o último corte da taxa básica de juros na semana passada, e negou falta de transparência no comunicado sobre a decisão.
Na decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) da semana passada, quando fez um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, para 14,25% ao ano, o BC optou por uma condução mais suave dos juros ao olhar de forma antecipada para o cenário do primeiro trimestre de 2028, o que causou ruídos no mercado financeiro, elevando o dólar.
"A imprensa especializada apontou com razão que o problema foi tentar explicar demais do que falta de transparência", falou o presidente. Segundo ele, incluir o parágrafo que tentou sintetizar a decisão "pode ter sido complexo".
O presidente do BC também afirmou que nenhum Banco Central do mundo tem estabelecido tendências para as futuras decisões relacionadas à taxa básica de juros (guidance). "Em momentos de maior incerteza é normal esse desejo por algum tipo daquilo que a gente chama de guidance, ou seja, por sinalizações do que o Banco Central fará no futuro, que ele possa sinalizar hoje o que ele fará no futuro", falou o presidente.
O olhar para o início de 2028, chamado tecnicamente de horizonte relevante, passaria a ser alvo oficial do BC no próximo encontro do Copom, previsto para 4 e 5 de agosto. Na decisão da última semana, o foco previsto seria o último trimestre de 2027.
Na ata, divulgada na última terça-feira (23), o BC escreveu que a piora nas projeções de inflação exigiria "variações abruptas de direção e de grande magnitude" na taxa básica de juros para colocar a inflação na meta.
O diretor de Política Monetária, Paulo Pichetti, complementou que, caso o BC não tivesse tomado a escolha de expandir o olhar para 2028, uma decisão dura teria de ser tomada, o que poderia causar "desaceleração desordenada" na atividade econômica.
Pichetti argumentou que mesmo se o BC tivesse "dobrado ou triplicado" a Selic, "não iríamos abrir o Estreito de Hormuz ou deixar do El Niño de nos visitar, mas causaria efeitos de volatilidade", disse durante coletiva de imprensa. "Foi uma situação muito especial que levou a gente a chamar atenção ao conjunto de comunicado."
Segundo Pichetti, o Copom sabia que haveria reação ao comunicado, por ser "muito diferente do usual". "A gente optou pela transparência, porque, justamente, era uma decisão que tinha que ser bem qualificada", falou. "Agora, surpreendentemente, a gente achou que essa reação vinha no sentido de a gente ser claro demais, na verdade, teve uma reação no sentido de ele falar que foi bastante confuso", complementou.
A projeção de inflação é elevada ao final de 2027 devido a um "choque de oferta", segundo o diretor, o que se dissiparia já no início de 2028. Por isso, disse ele, o BC optou por expandir seu horizonte relevante de forma excepcional na decisão da semana passada.
O presidente Gabriel Galípolo disse que vê com naturalidade as críticas à decisão da semana passada. "Acho que vocês já me viram aqui em vários momentos defendendo o direito de quem critica a política monetária e agradecendo a maneira elogiosa, muitas vezes, como a gente é criticado em função da política monetária, então acho que isso é absolutamente normal", respondeu.
Hoje, o Banco Central divulgou o Relatório de Política Monetária, documento divulgado a cada três meses com as projeções macroeconômicas e cenários que a autoridade monetária vê para a economia. No documento, o BC elevou a projeção de crescimento econômico em 2026 de 1,6% para 2%. As falas dos dirigentes do BC ocorreram em entrevista para os jornalistas para detalhar o relatório.
