EUA voltam a atacar Irã 10 dias depois de acordo de cessar-fogo
Guarda Revolucionária iraniana afirma que resposta a esta ação será 'rápida e decisiva', segundo a televisão estatal
Por Folhapress
26/06/2026 às 20:45
Foto: Reprodução/Instagram
O presidente dos EUA, Donald Trump
O Exército dos Estados Unidos realizou ataques contra o Irã nesta sexta-feira (26), informou o Comando Central americano em comunicado. Segundo o texto, as aeronaves atingiram locais de armazenamento de mísseis e drones iranianos, além de instalações de radar costeiro.
A mídia iraniana informou que um projétil atingiu a área ao redor de um píer em Sirik, no sul do país. Os bombardeios são retaliação a uma ação atribuída a Teerã contra um navio comercial no estreito de Hormuz nesta quinta (25).
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que sua resposta a este novo ataque dos EUA será "rápida e decisiva", informou a televisão estatal. A corporação ainda declarou ter repelido um ataque americano contra a ilha de Sirik.
O chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano afirmou que a "violação imprudente do cessar-fogo" levará a "recuo e arrependimento" por parte dos EUA. Segundo Ebrahim Azizi, o presidente dos EUA, Donald Trump, não demonstrou nenhum compromisso com os princípios de negociação ou trégua.
O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, disse que "se o Irã tiver divergências sobre como o memorando de entendimento está sendo aplicado, pode pegar o telefone". Ele reiterou que "a violência será respondida com violência".
Trump culpou o Irã na sexta pelo bombardeio ao porta-contêineres Ever Lovely, de bandeira singapuriana. "Houve danos, mas o navio conseguiu seguir seu caminho", escreveu ele no Truth Social. "Derrubamos outros três drones. Obviamente, esta é uma violação tola do nosso acordo de cessar-fogo", afirmou.
A troca de hostilidades evidencia novamente a fragilidade de um acordo preliminar para encerrar a guerra com o Irã. Dois funcionários americanos haviam dito à agência de notícias Reuters, sob condição de anonimato, que o Irã disparou contra o navio.
O Irã havia expressado anteriormente indignação com o que chamou de declaração "intervencionista, irresponsável e provocativa" dos EUA e de seis países do Golfo, que rejeitaram sua afirmação de que poderia cobrar pedágios de embarcações que transitam pelo estreito.
"A passagem segura pelo estreito de Hormuz não pode ser garantida sob arranjos ambíguos, rotas paralelas ou processos de tomada de decisão que não levem em conta o papel do Irã como Estado costeiro", afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi.
A televisão estatal iraniana informou que três petroleiros estrangeiros que tentavam realizar o que descreveu como uma "passagem não autorizada" pelo estreito foram forçados a retornar após um aviso da Guarda Revolucionária.
Também nesta sexta, a OMI (Organização Marítima Internacional), vinculada à ONU, informou que 115 navios e 2.500 marinheiros foram retirados do estreito desde terça-feira (23).
O ataque dos EUA ocorre horas depois de o país assinar, junto de Israel e Líbano, um acordo-quadro para cessar as hostilidades na região. O pacto foi anunciado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após negociações em Washington. A embaixadora libanesa, Nada Moawad, e seu homólogo israelense, Yechiel Leiter, assinaram o documento trilateral no Departamento de Estado.
Os representantes não forneceram detalhes do acordo-quadro e não disseram como seus termos difeririam daqueles incluídos no acordo de cessar-fogo de 16 de abril que precedeu várias rodadas de negociações entre Israel e o Líbano mediadas pelos EUA.
