Campanha de Flávio quer cautela em resposta à ação da PF contra líder de Lula
Por Augusto Tenório/Folhapress
19/06/2026 às 08:00
Foto: Andressa Anholete/Arquivo/Agência Senado
Flávio Bolsonaro
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) defende uma reação cautelosa à operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (18) contra o líder do governo Lula (PT) no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A ordem é explorar pontualmente o fato, sem ofuscar o lançamento de propostas da sua pré-candidatura à Presidência da República.
Na avaliação da campanha de Flávio, não há como apostar a eleição deste ano no caso Master diante da volatilidade dos escândalos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. O grupo aposta que, no longo prazo, só vencerá Lula se apresentar melhores propostas para áreas de interesse da população.
Mais cedo, Flávio Bolsonaro compartilhou no X (antigo Twitter) e no Instagram reportagens sobre a operação contra Jaques Wagner. "Escândalo envolvendo o PT é como a incompetência do governo Lula: não tem como esconder", comentou o pré-candidato à Presidência.
Durante evento em São Paulo para lançar seu programa para a segurança pública, Flávio disse que "o PT da Bahia acaba de ser implodido". Também afirmou que a ação é "um alento de que a impunidade vai ser combatida".
A mesma crise do Master, que envolve Jaques Wagner agora, atingiu Flávio Bolsonaro em maio com a revelação de que o senador pediu R$ 130 milhões a Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse". Cerca de R$ 61 milhões foram repassados.
Após esse episódio, Flávio Bolsonaro recuou nas pesquisas. A campanha avalia que o senador mostrou resiliência e se consolidou como principal candidato da direita, pois não derreteu após a revelação da relação com o banqueiro.
A pesquisa Datafolha divulgada após a revelação da relação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro mostrou o senador recuando seis pontos no primeiro turno. No segundo turno, Lula recuperou vantagem numérica, ficando com 47% a 43%. No levantamento anterior, ambos tinham 45%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Nesse sentido, aliados avaliam que a operação contra Jaques Wagner não será base da campanha, mas ajuda a equilibrar o jogo. Apesar de reconhecerem que Lula não foi diretamente implicado, apontam que cresceu a lista de aliados do petista envolvidos no escândalo.
Bolsonaristas lembram que Jaques é uma pessoa próxima a Lula. O senador, um dos fundadores do PT, é chamado de "galego" pelo presidente.
A operação
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão no apartamento de Jaques Wagner, ex-governador da Bahia. As suspeitas são de que o senador pode ter recebido quantias do Banco Master por meio de empresa ligada à esposa de seu enteado, além de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões.
A apuração foi feita a partir da análise de material apreendido com Augusto Lima, ex-sócio do Master, e motivou a fase da Operação Compliance Zero desta quinta-feira. Lima também foi alvo novamente de buscas.
Foi a primeira vez que uma operação de fato sobre o Master envolveu pessoas próximas a Lula. Em fases anteriores, também foi investigado o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL).
