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Líder do governo na Câmara defende CPI do Master após operação da PF contra Ciro Nogueira

Líder do governo na Câmara defende CPI do Master após operação da PF contra Ciro Nogueira

Paulo Pimenta (PT-RS) segue estratégia do governo e tenta colar fraudes do banco de Vorcaro em clã Bolsonaro

Por Isadora Albernaz/Folhapress

07/05/2026 às 16:50

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado/Arquivo

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O líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS)

O líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), defendeu nesta quinta-feira (7) a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as fraudes do Banco Master, após o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), ser alvo de operação da Polícia Federal.

Em publicação no X (ex-Twitter), o petista afirmou que a nova fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta manhã, mostra "a intimidade do coração" do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no qual Ciro foi chefe da Casa Civil, com o esquema das fraudes da instituição de Daniel Vorcaro.

Segundo Pimenta, o Congresso Nacional deve dar uma resposta ao caso e "não pode haver qualquer suspeita de acordão para abafar as investigações" do caso.

"É hora de instalar a CPMI [Comissão Parlamentar Mista de Inquérito] no Congresso e a CPI na Câmara. O povo brasileiro merece transparência, investigação rigorosa e responsabilização dos envolvidos", escreveu.

O deputado assumiu o posto de líder do governo na Câmara após José Guimarães (PT-CE) ser nomeado ministro das Relações Institucionais, responsável pela articulação política do Planalto.

Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), resistem em dar andamento aos pedidos de CPI do Master. Em fevereiro, o deputado afirmou que "nem se quissesse" abriria a comissão.

Já Alcolumbre tem ignorado os requerimentos e já indicou a aliados que não vai mexer no vespeiro em ano eleitoral. Os senadores tentaram driblar a decisão e apurar o caso em frentes alternativas, como as CPIs mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Nacional) e a do Crime Organizado, mas ambas terminaram com seus relatórios rejeitados.

Integrantes do governo do presidente Lula (PT) vão tentar associar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista na eleição deste ano, ao caso Master após a operação mirando Ciro —próximo do clã Bolsonaro.

A expectativa de aliados de Lula é que, ao menos por enquanto, o presidente não dê declarações fortes sobre a operação espontaneamente. A tarefa de desgastar o bolsonarismo a partir das acusações contra Ciro ficaria com ministros, congressistas e outros aliados políticos.

A avaliação, porém, é que o petista dificilmente contornará o assunto caso seja questionado em alguma entrevista.

Segundo a PF, Daniel Vorcaro pagava até R$ 500 mil mensais a Ciro Nogueira. Um dos indícios apontados contra o senador é a tentativa de aprovar, no Congresso, a ampliação da cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. A alteração beneficiaria o Master.

O advogado de Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse em nota que a defesa "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar".

Ele diz que o senador está comprometido em contribuir com a Justiça "a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos".

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