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Interdição na Ypê reuniu diretor da Anvisa sob Bolsonaro e órgão da gestão Tarcísio, diz ministro

Interdição na Ypê reuniu diretor da Anvisa sob Bolsonaro e órgão da gestão Tarcísio, diz ministro

Bolsonaristas fizeram campanha nas redes para defender empresa após Anvisa recolher produtos

Por Mateus Vargas/Folhapress

11/05/2026 às 16:30

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Imagem de Interdição na Ypê reuniu diretor da Anvisa sob Bolsonaro e órgão da gestão Tarcísio, diz ministro

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT)

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), disse nesta segunda-feira (11) que vídeos irresponsáveis tentam transformar a suspensão de lotes de produtos de limpeza da Ypê em disputa política. Ele disse que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não tem lado partidário e que está ao lado da saúde das famílias.

Padilha afirmou que a interdição envolveu análises do setor de vigilância do estado de São Paulo, que é governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Bolsonaro. Ainda afirmou que o diretor da Anvisa Daniel Meirelles, responsável pelo setor que suspendeu os produtos, foi indicado à agência durante o governo Bolsonaro.

"O diretor que é responsável por essa área na Anvisa foi indicado por Bolsonaro, foi assessor e secretário-executivo do ministro do governo Bolsonaro e está na Anvisa cumprindo o cargo e tendo a responsabilidade de cumprir papel técnico", disse à imprensa.

No último dia 7, a Anvisa determinou o recolhimento de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante de todos os lotes da Ypê com a numeração final 1 fabricados em Amparo, no interior de São Paulo. A agência também suspendeu a produção dos produtos.

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) iniciaram uma campanha a favor da empresa nas redes sociais e acusaram a Anvisa de perseguição política. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou uma foto com detergente da marca no sábado (9), enquanto o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), defendeu a marca.

"Tivemos no fim de semana uma enxurrada de vídeos irresponsáveis que desinformam a população, que tentam transformar algo técnico, a preocupação com a saúde das pessoas, em disputa política porque essa empresa financiou campanhas do ex-presidente da República e do seu time", disse Padilha.

A inspeção foi feita durante quatro dias por técnicos da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e da Vigilância Sanitária de Amparo. A decisão de suspensão foi tomada a partir de uma avaliação de risco sanitário.

"A própria empresa, no final do ano passado, chegou a identificar no seu lote a presença de uma bactéria que não deveria estar nesse produto. Toda vez que se encontra uma bactéria nesse produto é um sinal de precaução importante, porque isso pode significar contaminação em várias etapas do processo de produção", disse Padilha.

A Ypê apresentou recurso contra a interdição e conseguiu um efeito suspensivo da proibição de fabricar e comercializar os produtos relacionados pela Anvisa. Na quarta-feira, a diretoria colegiada da Anvisa irá avaliar o recurso.

Imagens da inspeção sanitária realizada no final de abril na fábrica da Ypê em Amparo, no interior de São Paulo, mostram os equipamentos usados na fabricação de detergente e lava-roupas com marcas de corrosão. Detalhes do relatório foram revelados na noite deste domingo (10) pelo Fantástico.

Em nota, a Ypê afirma que a inspeção não encontrou contaminação nos produtos. Informou também que possui controle de qualidade capaz de identificar e descartar itens que não seguem o padrão de qualidade exigido pela empresa.

Segundo a nota, as fotos que aparecem no relatório mostram áreas em que não há nenhum tipo de contato com os produtos e fazem parte de "um plano robusto de melhorias na fábrica", com mais da metade das ações já realizadas.

O ministro ainda recomendou que as pessoas não bebam detergente de qualquer marca. "Muito menos sair fazendo 'videozinho' sobre isso. É uma desinformação, colocando em risco a vida das pessoas."

"Não sejam irresponsáveis com a saúde das pessoas, como vários de vocês foram durante a pandemia", disse o ministro. Ele ainda recomendou que a população guarde em local seguro os produtos interditados enquanto a empresa não fizer o recolhimento.

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