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Lula resgata lei do governo Collor para coibir abuso no preço de combustíveis
Lula resgata lei do governo Collor para coibir abuso no preço de combustíveis
Projeto quer punir com prisão de até cinco anos quem elevar o preço sem justa causa
Por Gabriela Echenique/Folhapress
12/05/2026 às 16:45
Atualizado em 12/05/2026 às 16:47
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo
Posto de combustível
O projeto de lei enviado pelo governo Lula (PT) ao Congresso Nacional que prevê prisão para quem elevar o preço dos combustíveis sem justa causa resgata trecho de uma lei de 1990, sancionada pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello e que foi revogada em 2011, na gestão Dilma Rousseff.
A lei 8.137/1990 dizia, em seu artigo 4º, inciso VII, que "constitui crime contra a ordem econômica elevar sem justa causa o preço de bem ou serviço, valendo-se de posição dominante no mercado". O trecho ressuscitou agora.
A gestão Collor foi marcada por ações de intervenção na economia para combater a hiperinflação. Agora, representantes do setor de combustíveis veem o projeto com preocupação, porque temem uma possível intervenção do Estado na formação dos preços.
O projeto, que tramita em regime de urgência, prevê detenção de dois a cinco anos para quem subir os valores deliberadamente. O temor de alguns setores é que, se aprovado, gere tabelamento de preços.
O texto foi enviado por Lula como mecanismo para coibir o abuso nos preços dos combustíveis na bomba, em meio à guerra no Oriente Médio.
O artigo da lei implantado por Collor tinha sido revogado em 2011, pela então presidente Dilma Rousseff, quando foi sancionada a Lei de Defesa da Concorrência.
Produtores, distribuidores e revendedores avaliam, nos bastidores, que o projeto abre margem para a subjetividade na definição do que seria um reajuste "justificável", o que poderia implicar em riscos regulatórios.
O mercado compara a proposta a uma Medida Provisória editada no governo Dilma que promoveu uma intervenção no setor elétrico sob a bandeira de redução da conta de luz.
O projeto tramita em regime de urgência e se não for aprovado até o dia 25 de maio tranca a pauta da Câmara dos Deputados.
