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Dólar bate R$ 5 e Bolsa cai após reportagem vincular Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro
Dólar bate R$ 5 e Bolsa cai após reportagem vincular Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro
The Intercept Brasil afirma que o senador e o ex-banqueiro negociaram recursos para filme de Jair Bolsonaro
Por Matheus dos Santos/Júlia Moura/Folhapress
13/05/2026 às 17:50
Atualizado em 13/05/2026 às 18:27
Foto: Marcello Casal Jr. Agência Brasil/Arquivo
Dólar fechou em disparada de 2,24%
O dólar fechou em disparada de 2,24%, cotado a R$ 5,003, nesta quarta-feira (13) depois de o The Intercept Brasil publicar que o candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) negociou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro o pagamento de R$ 134 milhões para bancar um filme sobre Jair Bolsonaro.
A reportagem obteve um áudio que mostra Flávio cobrando do dono do Banco Master o pagamento de quantias para financiar a gravação do filme "Dark Horse", que faz uma biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Questionado pelo The Intercept Brasil durante uma entrevista coletiva sobre a informação, Flávio afirmou que é "mentira".
A reportagem também mostra uma troca de mensagem entre Flávio e Vorcaro, com o filho do ex-presidente dizendo: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!". Um dia após essa mensagem, o controlador do Master foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal.
Na máxima do dia, a moeda americana atingiu R$ 5,014 (+ 2,46%). É o maior valor de fechamento desde 10 de abril, quando encerrou o dia a R$ 5,011.
A Bolsa caiu 1,79%, a 177.098 pontos. Na mínima do pregão, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário, recuou 1,97%.
A movimentação do mercado financeiro ocorre em meio ao temor de que a notícia dificulte a tentativa de eleição de Flávio Bolsonaro, o que poderia favorecer uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Analistas avaliam que o senador tem perfil mais alinhado à disciplina fiscal do que o atual presidente, Lula. Integrantes da equipe econômica do pré-candidato defendem um ajuste fiscal inicial equivalente a dois pontos percentuais do PIB (Produto Interno Bruto) em caso de vitória eleitoral.
"Com um lado político apresentando medidas populistas que elevam o risco fiscal do país, e o outro lado depreciando em meio a supostos escândalos de corrupção, o risco Brasil cresce e reflete no mercado financeiro, com o investidor diminuindo a exposição a ativos de risco", afirma Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.
Em dezembro, quando Flávio Bolsonaro foi anunciado como candidato de Jair Bolsonaro, o mercado financeiro também reagiu negativamente, com disparada do dólar e queda de 4% da Bolsa. Até então, o nome preferido da Faria Lima era o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Seis meses depois, Flávio Bolsonaro passou a ser visto por parte do mercado financeiro como o candidato favorito.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) disse à coluna de Mônica Bergamo que vai entrar com uma representação na PF (Polícia Federal) e outra na PGR (Procuradoria-Geral da República) pedindo a prisão preventiva do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro.
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a queda da Bolsa tem a ver com a notícia. "Assunto Master é um assunto muito ligado à percepção de corrupção no Brasil e até agora não vinha sendo associado explicitamente à família Bolsonaro".
André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, a reportagem tende a dificultar a candidatura de Flávio. "Há componentes externos também, como o índice de preço ao produtor americano vir mais forte que o esperado, na máxima mensal desde 2022. [...] Mas o estresse do dólar na parte da tarde podemos atribuir, sim, a questões domésticas".
Segundo pesquisa presidencial Genial/Quest, divulgada nessa quarta-feira (13), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com 42% das intenções de voto, contra 41% do filho do ex-presidente. Brancos, nulos e quem diz que não vai votar vão a 14%, e indecisos, 3%. Na rodada anterior, de abril, o filho de Jair Bolsonaro registrava 42% das intenções de voto, e Lula, 40%.
Henrique Aguiar, diretor da Nova Futura, destaca que a notícia limita chances de mudança de governo. "Com essas pesquisas apertadas, complica muito".
A reportagem também pressionou os juros futuros. As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), que refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic, dispararam. A taxa do DI para janeiro de 2028 avançou a 14,050% (alta de 22 pontos-base). Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou 14,15%, com alta de 27 pontos-base.
O dia também foi marcado por dados de inflação dos EUA acima do esperado elevando as previsões de juros mais altos no país e fortalecendo a moeda norte-americana, o que pressiona moedas de mercados emergentes, como o real.
Nessa quarta, o Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho divulgou que o índice dos preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) aumentou 1,4% em abril. O avanço foi bem superior do que a projeção dos economistas consultados pela Reuters, que previam alta de 0,5%. A alta foi o maior desde março de 2022.
Os dados se somam a divulgação do CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês) de abril, divulgados na terça-feira (12). O indicador, que mede os preços pagos pelas famílias em itens como alimentação e saúde, avançou para 3,8% no mês, seu maior nível em três anos.
Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, afirma que os dados mostram uma inflação aquecida nos EUA, o que sugere pressão sobre os preços repassados ao consumidor nos próximos meses.
"Isso reduz bastante a possibilidade de corte de juros no curto prazo. [...] A ideia de que as taxas americanas permanecerão elevadas por mais tempo favorece o rendimento dos títulos do Tesouro americano, ajuda na atração de capital externo para os Estados Unidos e fortalece o dólar globalmente, pressionando moedas emergentes como o real".
O pano de fundo da alta inflacionária do país é a guerra do Oriente Médio. O conflito pressiona as cotações do petróleo a adiciona incertezas as cadeias globais de insumos.
Além do efeito nos combustíveis, há o temor de repasses para produtos como alimentos, já que o diesel é um dos insumos da cadeia produtiva. O transporte de fertilizantes, outra matéria-prima do agronegócio, também tem sido afetado pela guerra.
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