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Por que Jerônimo se aproxima de Neto, segundo a Genial/Quaest?, por Raul Monteiro*
Por que Jerônimo se aproxima de Neto, segundo a Genial/Quaest?, por Raul Monteiro*
Por Raul Monteiro*
30/04/2026 às 07:16
Foto: Joá Souza/Arquivo/GOVBA
Jerônimo Rodrigues
Mais festejado dos institutos de pesquisa da atualidade, o Genial/Quaest divulgado ontem conseguiu agitar os bastidores da política baiana, ao apontar pela primeira vez, entre todos os levantamentos já realizados até aqui sobre a sucessão estadual, um virtual empate técnico entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o candidato das oposições, ACM Neto (União Brasil). Não é o tipo de resultado que os adversários do petismo na Bahia gostariam de ver, muito menos o que avaliações predominantes sobre a gestão atual - que agora podem até ser consideradas apressadas - possam sugerir.
Afinal, até aqui Neto aparecia liderando a disputa com bastante folga. Hoje, ele tem 41% das intenções de voto contra 37% de Jerônimo. Parece também difícil que os números da Quaest apresentem um quadro em que Jerônimo tenha conseguido, no espaço de menos de um mês, quando saiu a pesquisa anterior sobre as eleições na Bahia, de um outro instituto, melhorar todos os marcadores que colocavam em xeque sua administração. Não há no horizonte prova de que os indicadores de segurança, saúde e educação melhoraram. Tampouco que o PT estadual tenha conseguido se livrar da ideia de fadiga de material, após 20 anos ininterruptos no poder.
Muito menos que o presidente Lula, sustentáculo das candidaturas petistas e de esquerda país afora, tenha melhorado sua performance em meio à sensação de imobilismo que abate seu governo e uma economia que sacoleja em quadro aprofundado pela insegurança semeada pela guerra de EUA e Israel contra o Irã. A novela para definir a chapa de Jerônimo e escolher o candidato a vice talvez seja o maior exemplo do grau de desconfiança que vinha enfrentando, na própria base governista, quanto à capacidade de se reeleger. Sequer um marqueteiro foi contratado nem se registrou grande mudança no comportamento do governador.
À luz do novo levantamento, portanto, novo cenário se descortinaria para o governo. Mas se elementos mais objetivos não ajudam a entender o impulso em favor da continuidade captado pela pesquisa, o que pode estar por trás da casual retomada jeromista rumo à reeleição? Estaria a resposta no espetro netista? Se a campanha de Neto ainda não os investigou, é preciso que o faça imediatamente. É fato que o candidato oposicionista tem buscado evitar repetir os erros que o tiraram de campo na campanha de 2022, dos quais o esforço mais vistoso continua sendo a contratação do marqueteiro baiano João Santana.
Além de reconhecidamente competente, Santana conhece como poucos o metié petista, grupo político para o qual já trabalhou nacionalmente, substituindo outro baiano, Duda Mendonça. Entre as linhas de investigação para o novo cenário, ele poderia começar apurando em que medida a ideia de uma aproximação entre Neto e o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) pode estar por trás do avanço de Jerônimo. Numa Bahia predominantemente petista, esquecer que, na campanha passada, Neto compartilhou quase um milhão e 200 mil votos com Lula é profundamente arriscado. O desafio de manter o voto cruzado é grande, mas não impossível.
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
1 Comentário
Carlos Andre Santos
•
30/04/2026
•
05:28
