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Eleições 2026: Após janela partidária, federação União-PP e PL têm maiores bancadas na Câmara
Eleições 2026: Após janela partidária, federação União-PP e PL têm maiores bancadas na Câmara
Federação Brasil da Esperança, com PT, PCdoB e PV, é a terceira maior bancada na Casa
Por Victor Ohana/Naomi Matsui/Estadão
10/04/2026 às 19:50
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados/Arquivo
Plenário da Câmara dos Deputados
Com o fim da chamada janela partidária, a federação União Progressista – formada pelo União Brasil e pelo PP – e o PL têm, respectivamente, as maiores bancadas da Câmara. Em seguida, está a federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV). A janela partidária foi o período entre 5 de março e 3 de abril em que, sob a permissão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os parlamentares puderam mudar de partido sem perder o mandato.
O levantamento foi feito pelo jornal O Estado de São Paulo com dados repassados pelos próprios partidos. O União Brasil, informou ter 51 deputados, e o PP, 47 deputados, formando assim a maior bancada enquanto federação União Progressista, com 98 parlamentares. A federação foi formada em 26 de março deste ano e é composta por boa parte dos deputados do Centrão. O União Brasil e o PP têm ministérios no governo, mas parte de suas bancadas frequentemente diverge do Palácio do Planalto nas votações.
O PL disse que a sua bancada aumentou de 87 para 97 deputados com a janela partidária. Trata-se, portanto, do partido com mais integrantes na Câmara. O partido do ex-presidente Jair Bolsonaro já tinha a maior bancada, mas perdeu o posto de primeiro lugar após a formação da federação União Progressista.
Já o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva relatou ter mantido 67 deputados na bancada e é o segundo maior partido na Câmara. O PCdoB, parceiro na federação Brasil da Esperança, disse ter saído de nove deputados para 10 com a janela partidária. O PV, também integrante da federação, informou que passou de quatro para sete deputados. As legendas somam, portanto, 84 deputados, formando a segunda maior bancada da Câmara enquanto federação.
Apesar de ter a terceira maior bancada, a federação liderada pelo PT precisa mobilizar votos de outros partidos, especialmente no Centrão, para aprovar matérias de interesse do governo na Casa.
Criadas pela reforma eleitoral em 2021, as federações atuam como um único partido e, com isso, as siglas que as integram são parte de uma mesma bancada. Também atuam como federações o PSOL com a Rede Sustentabilidade e o PSDB com o Cidadania. A federação atua por pelo menos quatro anos do mandato.
Na Câmara, cada federação tem um só parlamentar na condição de líder, para orientar as votações aos seus membros e falar no plenário pela bancada. Além disso, as federações atuam em unidade na indicação de presidências e de integrantes das comissões.
Janela movimenta partidos
O PSD, de Gilberto Kassab, disse ter passado de 47 para 49 deputados. Já o Republicanos, partido do presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), declarou ter decrescido de 45 para 43. Por sua vez, o MDB informou ter diminuído o número de integrantes de 40 para 38.
O Podemos declarou ter ganhado 12 deputados e passado de 15 para 27 membros. Trata-se do partido que mais recebeu integrantes. O PSDB também celebrou por ter subido de 15 para 18 deputados. No entanto, o seu parceiro de federação, o Cidadania, disse ter perdido dois deputados e agora só tem outros dois.
O União Brasil, ao perder oito deputados, e o PDT, com sete a menos, são os partidos com as principais baixas. O PDT disse ter passado de 16 deputados para nove.
O partido Missão, do Movimento Brasil Livre (MBL), passou a ser representado na Câmara pelo deputado Kim Kataguiri (SP) e tem apenas um integrante.
Os números coletados pela reportagem consideram somente as informações repassadas pelos próprios partidos. Há informações divergentes, no entanto, com dados divulgados no site da Câmara dos Deputados. A Câmara informou, por exemplo, que o União Brasil tem 44 deputados, em vez de 51, e que o Podemos tem 21 deputados, e não 27.
Os partidos alegam que os deputados ainda estão fornecendo as suas documentações e sendo homologados, por isso a discrepância. Procurada, a Câmara disse que é comunicada da troca de partido pelo parlamentar e que não há prazo para que essa mudança seja informada.
A tabela abaixo contém os números fornecidos pelas bancadas, porém, a soma de todos os dados chega a 517 deputados, número superior às 513 vagas da Câmara. A margem de erro pode estar associada ao fato de as informações ainda estarem sendo atualizadas pelos partidos e a contagens que misturam deputados titulares e suplentes. Diferentemente dos titulares, que foram eleitos e têm mandatos próprios, os suplentes podem ser de um partido e ocupar um cargo pertencente a outro partido, provisoriamente.
No Senado, 11 mudam de partido; PL e PSB têm maior saldo positivo
Ao menos onze senadores trocaram de partido neste ano, a maioria de olho nas eleições de outubro. Considerando entradas e saídas, PL e PSB foram os partidos que mais ganharam nomes, com saldo positivo de dois, cada. Podemos (-3), União Brasil (-2) e MDB (-2) registraram as maiores baixas na bancada.
Pela regra eleitoral, senadores podem trocar de partido a qualquer momento, independentemente da janela partidária que se aplica aos deputados. Senadores que queiram buscar a reeleição, no entanto, precisam estar filiados ao partido pelo menos seis meses antes do pleito, o que fez com que eles intensificassem as mudanças neste começo de ano.
Eis a lista completa de trocas:
- Angelo Coronel (PSD para o Republicanos);
- Carlos Viana (Podemos para o PSD);
- Efraim Filho (União Brasil para o PL);
- Eliziane Gama (PSD para o PT);
- Eudócia (PL para o PSDB);
- Fernando Dueire (MDB para o PSD);
- Giordano (MDB para o Podemos);
- Marcos do Val (Podemos para o Avante);
- Rodrigo Pacheco (PSD para o PSB);
- Sérgio Moro (União Brasil para o PL);
- Soraya Thronicke (Podemos para o PSB).
Com exceção de Moro e Efraim Filho, todos terão seus mandatos finalizados neste ano. Da lista, seis disputarão a reeleição ao Senado (Angelo Coronel, Carlos Viana, Eliziane Gama, Fernando Dueire, Marcos do Val e Soraya Thronicke), três devem tentar governos estaduais (Efraim Filho, Rodrigo Pacheco e Sérgio Moro), uma não deve tentar a reeleição (Eudócia) e um ainda não decidiu (Giodano).
Ao todo, 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa em outubro. Levantamento do Estadão/Broadcast mostrou que pelo menos 13 senadores pretendem concorrer a governos estaduais em 2026, incluindo os que permanecem em suas siglas. O Senado também terá pré-candidatos à Presidência, com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e a postos na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
