/

Home

/

Noticias

/

Economia

/

Efeitos da guerra na América Latina variam para cada país, mas inflação sobe para todos, diz FMI

Efeitos da guerra na América Latina variam para cada país, mas inflação sobe para todos, diz FMI

Por Isabella Menon/Folhapress

23/04/2026 às 08:55

Atualizado em 23/04/2026 às 08:58

Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

Imagem de Efeitos da guerra na América Latina variam para cada país, mas inflação sobe para todos, diz FMI

Para o FMI, os países "estão se beneficiando dos altos preços da energia"

O FMI (Fundo Monetário Internacional) prevê que o impacto da guerra no Oriente Médio na economia da América Latina vai variar de acordo com cada país, mas todos devem sentir um aumento da inflação.

"Os países estão sendo afetados por mudanças nas condições financeiras globais e nos fluxos de capital, por oscilações na aversão ao risco dos investidores e pela volatilidade dos preços das commodities", afirma um relatório divulgado pelo fundo na sexta-feira (17).

"Com diversidade das economias da região, os efeitos desse ambiente global em transformação variarão entre os países e dependerão fortemente da duração do conflito e das disrupções associadas."

Durante uma entrevista a jornalistas na sexta, o diretor do departamento do Hemisfério Ocidental, Nigel Chalk, afirma que países produtores de petróleo vão se beneficiar em meio aos conflitos.

Entre os produtores de petróleo, são citados países como Brasil, Argentina, Canadá, Colômbia, Equador, Guiana, Trinidad e Tobago, Estados Unidos e Venezuela.

Para o FMI, os países "estão se beneficiando dos altos preços da energia". "O choque das commodities está fortalecendo seus balanços de pagamentos, sustentando o crescimento e ajudando as finanças públicas", diz.

Para Chalk, porém, apesar desse benefício, é preciso cuidado. "Até mesmo nesses países, não podemos perder o olhar de que, apesar de ganhos macroeconomicos, os mais vulneráveis vão ser afetados por aumento nos preços e o preço de alimentos pode ser o próximo a ser pressionado", afirmou Chalk.

No início da semana passada, o FMI divulgou o relatório de crescimento global, em que o Brasil teve o crescimento corrigido para cima em comparação com janeiro. A expectativa é que a economia do país cresca 1,9% neste ano, ante estimativa anterior de 1,6%..

A América Latina e Caribe também tiveram o crescimento revisado para cima com uma alta de 2,3% neste ano, 0,1 ponto porcentual acima da última atualização feita em janeiro.

O diretor relembra que produtores de energia são uma parte da região, não sua totalidade, e analisa que economias do Caribe que dependem do turismo provavelmente vão ser mais atingidas.

Ele destaca que esses países têm dívida alta e elevada dependência de importações de energia.

"Estamos bastante preocupados que destinos turisticos do Caribe podem ser os próximos afetados. A divida deles é alta, o espaço fiscal é pequeno e são, em grande parte, importantes de energias", afirma Chalk.

A América Central também é alvo de preocupação uma vez que há limitações na capacidade de adotar medidas de mitigação devido ao espaço fiscal restrito.

No entanto, o FMI considera que esforços anteriores de alguns países para aumentar a participação da energia gerada por fontes renováveis proporcionarão algum alívio.

Além disso, países com déficits significativos em conta corrente e dependência de financiamento global —mesmo aqueles exportadores de energia— estão enfrentando custos de financiamento mais altos e menor acesso ao mercado, à medida que a guerra reduz o apetite ao risco dos investidores.

A orientação do FMI é que as autoridades fiscais deverão resistir à pressão política para conter ou adiar os inevitáveis aumentos nos preços de alimentos e combustíveis.

A instituição relembra que muitos países da região, nos últimos anos, tomaram decisões corajosas ao substituir subsídios generalizados a combustíveis e alimentos por redes de proteção social mais bem estruturadas. "É fundamental que esses avanços sejam preservados", diz o fundo.

O foco deve ser no apoio a famílias vulneráveis, agricultores e empresas mais afetadas. Dado o alto nível de endividamento, o FMI diz que a região tem pouca margem para ampliar déficits fiscais.

Por isso, a prioridade deve ser reduzir gastos menos essenciais ou aumentar a arrecadação junto a empresas e famílias com maior capacidade de pagamento.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.