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Dólar fecha a R$ 5,10; Bolsa sobe 2%

Dólar fecha a R$ 5,10; Bolsa sobe 2%

Moeda acompanha desvalorização do petróleo; ações da Petrobras também caem

Por Matheus dos Santos/Folhapress

08/04/2026 às 20:00

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Dólar fecha a R$ 5,10; Bolsa sobe 2%

Dólar fechou em queda de 1% nesta quarta-feira (8)

O dólar fechou em queda de 1%, cotado a R$ 5,102, nesta quarta-feira (8), após Estados Unidos e Irã firmarem um cessar-fogo de duas semanas no conflito no Oriente Médio. A trégua também prevê a reabertura do estreito de Hormuz, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo.

É o menor valor de fechamento desde 7 de maio de 2024, quando encerrou a R$ 5,071. Na mínima do pregão, o dólar atingiu R$ 5,065, em queda de 1,73%.

O movimento acompanhou o exterior, onde o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuou 0,85%, a 99 pontos.

Em meio ao maior apetite por ativos de risco, a Bolsa encerrou o dia em novo recorde de fechamento, em alta de 2,09%, a 192.201 pontos. Durante o dia, o índice também atingiu um novo recorde histórico intradiário, aos 193.759 pontos.

A valorização da Bolsa ocorreu apesar da queda do petróleo, que pressionou as ações da Petrobras e de outras petrolíferas brasileiras durante o pregão.

Os contratos de junho do Brent, referência global, fecharam a sessão desta quarta cotados a US$ 96,58, desvalorização de 11,49%. O contrato de maio do barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 94,41 no fechamento, queda de 18,54%.

O recuo também impactou o pregão brasileiro, com o setor petrolífero caindo em bloco. As ações da Petrobras encerraram o dia em quedas de 4,31% (preferencial) e 3,91% (ordinária).

Prio, PetroRecôncavo e Brava Energia recuaram 5,48%, 2,90% e 2,86%, respectivamente.

O principal fator do pregão foi a trégua da guerra no Oriente Médio. Após dizer que "uma civilização inteira morrerá nesta noite" e ameaçar obliterar a infraestrutura civil do Irã, Donald Trump recuou novamente e aceitou na terça-feira (7) uma proposta feita pelo Paquistão para um cessar-fogo de duas semanas na guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel.

Em postagem na rede Truth Social, o americano disse que sua decisão se baseou no compromisso de que o Irã reabra Hormuz durante a trégua —Teerã disse que o fará por duas semanas "em coordenação com as Forças Armadas" iranianas.

"Esse será um cessar-fogo duplo", escreveu Trump, visando acalmar os ânimos dos países árabes sob ataque de Teerã no golfo Pérsico.

"O motivo pelo qual eu estou fazendo isso é que nós já atingimos e excedemos nossos objetivos militares", afirmou, dizendo procurar um "acordo definitivo de paz de longo prazo com o Irã e paz no Oriente Médio" nesses 15 dias.

Desde o início do conflito no Oriente Médio, o dólar e os prêmios de ativos de renda fixa têm se valorizado por conta de uma maior busca por proteção dos investidores.

"Desde o início do conflito, vimos poucas sessões de apetite por risco e muitas de aversão, diante das incertezas relacionadas ao aumento da inflação, à disrupção das cadeias globais de valor e à elevação dos preços do petróleo e de outras commodities energéticas. Nesse contexto, o dólar voltou a atuar como ativo de proteção", diz Lucca Bezzon, especialista de inteligência de mercado da StoneX.

O cessar-fogo reverteu o comportamento, aumentando o apetite por investimentos de risco. Entre os países emergentes, 12 moedas se valorizaram frente ao dólar —caso do real, rubia indiana e peso mexicano.

As Bolsas também tiveram pregão positivo. Na Europa, o Euro STOXX 600, referência do continente, fechou em alta de 4,97%, similar aos índices de Frankfurt (5,06%), Londres (2,51%) e Paris (4,49%). Em Wall Street, as Bolsas Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones avançaram 2,80%, 2,51% e 2,85%, respectivamente.

No Brasil, o comportamento se repetiu. "A movimentação do mercado cambial hoje parece refletir, em grande medida, um cenário que já vínhamos observando antes do início do conflito", afirma Bezzon, da StoneX.

Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o cessar-fogo motivou a busca por risco após semanas de volatilidade intensa. "Alivia a taxa de câmbio com a desmontagem de parte das posições de proteção do mercado. A queda do petróleo afasta parte do temor de inflação persistente, aliviando os juros futuros".

Ela, contudo, reforça que o cessar-fogo não significa o fim das incertezas, e o tom dos líderes políticos envolvidos no conflito continua indicando tensões.

As incertezas giraram em torno do fluxo de navegação no estreito de Hormuz e da continuidade de ataques no Oriente Médio.

O Irã concordou em permitir a passagem de navios pelo estreito de Hormuz, mas o tráfego permaneceu baixo. Empresas de navegação disseram nesta quarta-feira (8) que precisam de mais clareza sobre os termos do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã antes de retomar o trânsito pelo estreito de Hormuz.

O Irã também condicionou a reabertura do estreito à interrupção dos ataques por parte de Israel e dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, Israel realizou o maior ataque a instalações do Hezbollah no Líbano, o que levou Teerã a ameaçar abandonar o cessar-fogo.

O bloqueio do estreito de Hormuz, por onde passam 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo, lançou a economia global em turbulência. O choque de oferta, considerado sem precedentes, se transformou em uma crise energética que fez os preços do petróleo e produtos derivados dispararem.

A interrupção também pressiona a inflação global. O crescimento econômico antes previsto tem sido colocado em dúvida, bem como os próximos passos de alguns dos principais bancos centrais do mundo.

Tanto o Federal Reserve, dos Estados Unidos, quanto o BC (Banco Central) brasileiro citaram a guerra nas decisões do mês passado, diante do risco de pressão inflacionária global.

Na última segunda (6), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, defendeu o que chamou de cautela da instituição na condução da política de juros no Brasil. Ele também afirmou que a sociedade não aceita mais inflação.

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