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Dólar fecha a R$ 4,95, menor patamar em mais de dois anos; Bolsa sobe com apetite por risco
Dólar fecha a R$ 4,95, menor patamar em mais de dois anos; Bolsa sobe com apetite por risco
Queda nos preços do petróleo diminui temores de inflação e favorece ativos domésticos
Por Folhapress
30/04/2026 às 18:15
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo
Dólar fechou em forte queda de 0,97% nesta quinta-feira (30)
O dólar fechou em forte queda de 0,97% nesta quinta-feira (30), cotado a R$ 4,952, em pregão de forte ajuste e maior apetite global por ativos de risco, o que pressionou a moeda norte-americana no exterior.
É o menor valor de encerramento desde 7 de março de 2024, quando a divisa encerrou o dia a R$ 4,933.
A sessão foi marcada pela forte queda nos preços do petróleo, o que reduziu temores inflacionários e estimulou a busca por ativos de maior risco, como ações. A divulgação de indicadores também reforçou apostas em um diferencial de juros ainda atrativo entre Brasil e Estados Unidos.
A Bolsa fechou em alta de 1,63%, aos 187.317 pontos, revertendo a queda de mais de 2% registrada na quarta-feira (29).
No acumulado do mês, o dólar registrou queda de 4,39%, e a Bolsa, queda de 0,07%, próxima da estabilidade. No ano, a moeda tem baixa de 9,76%, enquanto o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileira, acumula alta de 16%.
No exterior, a queda nas cotações do petróleo melhorou o apetite global por ativos de risco durante o pregão —a tendência foi acompanhada por investidores brasileiros. Após atingir o maior valor no mês, a US$ 115, os preços da commodity recuavam 3,41%, às 17h, cotados a US$ 114,01.
Desde o início do conflito no Oriente Médio, o petróleo acumula alta de cerca de 30%. Nos últimos dias, a commodity tem subido em meio aos persistentes impasses nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
Apesar de não haver novidades sobre um possível desfecho do conflito, as cotações passaram por ajuste, o que reduziu os temores de um repique inflacionário global e aumentou o apetite por risco.
Nos EUA, as Bolsas S&P 500, Dow Jones e Nasdaq fecharam em alta de 1,09%, 1,68% e 0,91%, respectivamente
"Não há um fundamento específico para esse bom humor externo; o mercado parece devolver parte da aversão ao risco observada ao longo da semana, em meio ao impasse prolongado entre Irã e Estados Unidos", diz Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX.
O movimento doméstico também está ligado ao diferencial de juros ainda atrativo do Brasil, o que favorece a entrada de fluxo para o país.
A diferença entre as taxas impulsiona operações de carry trade. Nessa estratégia, investidores captam recursos em economias com juros mais baixos, como os Estados Unidos, e aplicam em ativos de países com taxas mais elevadas, como o Brasil, buscando ganhos com o diferencial de juros.
O comportamento é citado como um dos principais responsáveis pela alta recente da Bolsa e do real e foi reforçado pela divulgação de indicadores ao longo do pregão.
Divulgada nesta quinta-feira pelo Departamento de Comércio, a inflação nos Estados Unidos, medida pelo índice de preços PCE, acelerou 0,7% em março, o maior avanço desde junho de 2022. A instituição também informou que o PIB americano cresceu a uma taxa anual de 2,0% no primeiro trimestre de 2026.
Os dados reforçaram as expectativas do mercado de que o Fed manterá a taxa de juros inalterada ao longo deste ano.
No Brasil, dados reforçaram uma maior resiliência da atividade econômica brasileira. Apesar de o desemprego ter subido a 6,1% no Brasil no 1º trimestre, a renda dos trabalhadores bateu recorde no período.
O levantamento revelou que a renda média habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.722 por mês no trimestre até março, com altas de 1,6% frente ao período até dezembro e de 5,5% ante o mesmo intervalo de 2025. A renda média soma os recursos obtidos com o trabalho e divide essa massa pelo número de ocupados.
Para Rafael Perez, economista da Suno Research, o quadro de avanço dos rendimentos mitiga, em parte, os efeitos do elevado endividamento das famílias. "Ao mesmo tempo, impõe um desafio adicional ao Banco Central, ao sustentar a demanda e dificultar a redução das pressões inflacionárias no setor de serviços".
Na quarta-feira, o Fed manteve a taxa de juros inalterada na faixa de 3,5% a 3,75%, como amplamente esperado, na última reunião de Jerome Powell como presidente da instituição. No mesmo dia, no Brasil, o Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, levando a Selic a 14,5% ao ano.
O Copom, contudo, tem adotado um tom mais cauteloso na política monetária frente ao cenário internacional de conflito e a alta da inflação do petróleo. Em comunicado divulgado após a decisão, o comitê reforçou a necessidade de cuidado e não sinalizou abertamente o rumo de seus próximos movimentos.
A maior cautela mexe com as apostas no ritmo de cortes da Selic. Segundo o Boletim Focus mais recente, analistas projetam que a taxa básica de juros encerre 2026 a 13%, ante 12% antes do conflito começar.
