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Depoimentos no caso de ministro do STJ citam duas possíveis novas vítimas de assédio sexual

Depoimentos no caso de ministro do STJ citam duas possíveis novas vítimas de assédio sexual

Ministro está afastado de suas funções no STJ enquanto responde por duas acusações de importunação e assédio sexual

Por Paula Ferreira/Carolina Brígido/Aguirre Talento/Estadão

10/04/2026 às 20:20

Foto: Gustavo Lima/STJ/Arquivo

Imagem de Depoimentos no caso de ministro do STJ citam duas possíveis novas vítimas de assédio sexual

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi

Depoimentos do caso de assédio sexual envolvendo o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi indicam a existência de outras duas mulheres que seriam possíveis novas vítimas do magistrado. Buzzi está afastado de suas funções enquanto responde por acusações de importunação e assédio sexual feitas por duas mulheres.

A defesa do ministro nega as acusações e diz que o vazamento de depoimentos “viola as regras de sigilo do procedimento, atenta contra as garantias fundamentais do investigado e visa, deliberadamente, pressionar o Superior Tribunal de Justiça”. (Leia a íntegra abaixo).

Ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a ex-funcionária do STJ que acusa Buzzi de assédio cita um episódio no qual outra funcionária terceirizada do gabinete teria sido vítima. Segundo ela, a suposta vítima seria sobrinha de uma funcionária da casa de Buzzi que teria sido contratada como uma espécie de estagiária no gabinete.

“Em um determinado momento, eu vi a X saindo chorando da sala do ministro e ela me relatou que o ministro tinha solicitado que, quando ela fosse trabalhar, fosse somente de cabelo amarrado, sem maquiagem, e que usasse saia. E (também) que ela excluísse a foto de WhatsApp dela e que utilizasse a foto que ele mesmo tirou dela lá no gabinete”, relatou.

Uma testemunha ouvida pelo CNJ confirmou que a ex-funcionária que acusa Buzzi contou a ela sobre o caso envolvendo a estagiária. A testemunha narrou ao CNJ a história contada pela vítima e disse que estranhou a forma como essa terceira pessoa ingressou e depois deixou o trabalho no gabinete.

“Eu achei muito estranha a forma como ela entrou, não ficou muito tempo. Ficou pouco tempo e depois não foi mais. Não apareceu mais”, disse, contando sobre o relato que ouviu. “O ministro queria que ela usasse só um tipo de roupa, uma saia, andasse com o cabelo preso, alguma coisa assim”, completou.

A vítima ouvida pelo CNJ mencionou ainda o caso de uma quarta pessoa, que teria deixado um alto cargo no gabinete após ter sofrido assédio sexual.

Os depoimentos estão sob segredo de Justiça e foram obtidos pelo Estadão. Com base nos relatos e em outros elementos de prova, o STJ vai decidir na próxima terça-feira, 14, se abre processo administrativo contra o ministro. A tendência é que a resposta seja positiva. Ao fim do procedimento, o tribunal decidirá se condena, ou não, Buzzi.

Antes da ex-funcionária, uma jovem de 18 anos relatou ter sido importunada sexualmente pelo ministro. O crime teria ocorrido durante o recesso, quando Buzzi recebeu uma família de amigos em sua casa de praia, em Balneário Camboriú (SC). A filha do casal, que chamava o ministro de tio, relatou que Buzzi tentou agarrá-la à força. O magistrado também nega essa acusação.

Em nota, a defesa do ministro nega que ele tenha cometido os crimes. Leia abaixo o que dizem os advogados:

A defesa do Ministro Buzzi repudia o vazamento do depoimento da segunda denunciante, divulgado em texto e vídeo nesta semana.

O ato viola as regras de sigilo do procedimento, atenta contra as garantias fundamentais do investigado e visa, deliberadamente, pressionar o Superior Tribunal de Justiça. É também uma violação das garantias fundamentais de todo e qualquer cidadão, bem como da própria advocacia.

Não é casual que todos os vazamentos verificados neste caso tenham envolvido exclusivamente elementos de acusação.

Os múltiplos elementos de contraprova e o interrogatório do investigado jamais receberam qualquer publicidade. A seletividade é a prova da estratégia – e o avesso da lealdade processual.

A defesa confia na independência e no histórico institucional do Tribunal para que tais manobras não alcancem o efeito pretendido.

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