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Clima de “insatisfação generalizada” toma deputados após reunião de emergência com Adolpho Loyola
Clima de “insatisfação generalizada” toma deputados após reunião de emergência com Adolpho Loyola
Por Carine Andrade, Política Livre
06/04/2026 às 11:27
Atualizado em 06/04/2026 às 16:17
Foto: Divulgação/Arquivo
Adolpho Loyola
Uma falha na articulação política do governo Jerônimo Rodrigues (PT) pode comprometer o mandato de deputados estaduais considerados “raiz”, que agora se veem diante de uma disputa desleal com a chegada de novos parlamentares à Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV).
A reportagem deste Política Livre apurou que, na sexta-feira (3), já “aos 45 minutos do segundo tempo para o fim da janela partidária”, o secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola, convocou os deputados para uma reunião. Na ocasião, instalou-se um clima de “insatisfação generalizada” dentro do grupo, como definiu um dos parlamentares.
Nesta semana, o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT deliberou que não haveria novas filiações sem submissão prévia à instância. O acordo, que também contava com o aval do PV e do PCdoB, foi quebrado “de cima para baixo” com a filiação de quatro novos deputados: Fabíola Mansur, que trocou o PSB pelo PV; Eduardo Salles e Antônio Henrique Júnior, que deixaram o PP rumo ao PV; e Angelo Almeida, que, de última hora, saiu do PSB para o PT.
“O movimento do governo minou o PSB e o PDT. Na prática, o governo não encontrou solução para os partidos da base, não conseguiu equacionar a formação das chapas, e sobrou para a federação resolver. Viramos os ‘coletores’. Havia um pacto para não filiar ninguém, e ele foi quebrado pelo governo”, afirmou um deputado.
Outro parlamentar classificou a manobra como um “golpe duro” e avaliou que “a reunião com Loyola foi muito mais demonstração de incompetência do que uma derrota”.
Salve-se quem puder
Diante do novo cenário, instalou-se um verdadeiro clima de “salve-se quem puder” na base governista. À reportagem, parlamentares projetam a repetição do cenário de 2022, quando, também após falhas na articulação política, quatro deputados não conseguiram renovar seus mandatos: Jacó, Marcelino Galo, Neusa Cadore e Bira Corôa.
“Há a expectativa de que deputados ‘raiz’ do PT percam suas vagas, assim como no PCdoB e no PV. Estamos todos preocupados, a insatisfação é generalizada”, resumiu um dos entrevistados.
Para evitar a repetição do cenário, foi prometido, na reunião, que o governo irá impulsionar as campanhas dos deputados originalmente vinculados à federação. O problema, segundo um deles, é que “é um volume muito grande de ações que podem não sair do papel”.
Questionado se a manutenção de Geraldo Júnior (MDB) na chapa majoritária mais ajuda do que atrapalha o grupo — já que não houve elemento surpresa para enfrentar a oposição —, um parlamentar disse ser favorável à permanência do emedebista.
“Eu sempre defendi a permanência do MDB. Geraldo foi o único que quis a vaga, o único que poderia estancar [a sangria]. Só arrancaria votos se trouxesse alguém do lado de lá, o que também, por falha na articulação, não aconteceu. Voto a voto, na urna, quem vai colocar são os dois senadores e o governador. O vice não será determinante para uma eventual vitória”, frisou.
1 Comentário
CARLOS MOTA JR
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06/04/2026
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11:51
