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Balança comercial brasileira fica abaixo do esperado em março e superávit decepciona mercado

Balança comercial brasileira fica abaixo do esperado em março e superávit decepciona mercado

Governo prevê saldo positivo de US$ 72,1 bilhões para 2026, próximo ao piso da projeção

Por Bernardo Caram/Folhapress

07/04/2026 às 17:55

Atualizado em 07/04/2026 às 20:22

Foto: Diego Baravelli/Ministério da Infraestrutura/Arquivo

Imagem de Balança comercial brasileira fica abaixo do esperado em março e superávit decepciona mercado

Exportações somaram US$ 31,6 bilhões e importações US$ 25,2 bilhões no mês

A balança comercial brasileira registrou superávit abaixo do esperado em março, segundo dados divulgados nesta terça-feira (7) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que passou a prever um saldo positivo de US$ 72,1 bilhões em 2026, próximo ao piso da projeção feita em janeiro.

A nova estimativa do ministério aponta para exportações de US$ 364,2 bilhões neste ano, ante previsão feita em janeiro de uma banda entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões. Para as importações, o MDIC espera um valor de US$ 292,1 bilhões, contra intervalo de US$ 270 bilhões a US$ 290 bilhões antes.

O aumento no patamar previsto para as importações levou a previsão de saldo no ano para US$ 72,1 bilhões, contra estimativa feita em janeiro de US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões. Em 2025, o país registrou um superávit comercial de US$68,1 bilhões.

De acordo com o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, as projeções de importações são afetadas pelo nível da atividade econômica —que tem apresentado resiliência— e os preços internacionais. Segundo ele, eventual permanência de choques de preços de produtos por conta da guerra no Irã pode levar a novas revisões de projeções para a balança.

"Sabemos que o cenário internacional tem desafios, mas pelas informações que temos até agora, olhando atividade econômica, taxa de câmbio e consumo, os modelos apontam para esse resultado", disse.

"E por mais que tenha variações, olhando a direção e o patamar (da projeção), observamos um comércio exterior brasileiro relativamente estável e resiliente a crises".

O resultado do mês de março, um superávit de US$ 6,405 bilhões, ficou abaixo do esperado por economistas em pesquisa da Reuters, que apontava para um superávit de US$ 7,350 bilhões.

O desempenho do mês foi fruto de US$ 31,603 bilhões em exportações e US$ 25,199 bilhões em importações.

Nas exportações, houve alta dos embarques de todos os setores, com destaque para a indústria extrativa, com aumento de 36,4% puxado por alta expressiva na venda de petróleo. Os ganhos foram de 5,4% na indústria de transformação, com vendas maiores de carnes e combustíveis, e de 1,1% na agropecuária, com maiores vendas de soja.

Do lado das importações, houve alta de 54,4% na chegada ao país de bens de consumo, 26,5% para bens de capital, 16,2% para combustíveis e 10,4% para bens intermediários.

No primeiro trimestre, o país acumulou um superávit comercial de US$ 14,175 bilhões, acima do saldo positivo de US$ 9,606 bilhões dos três primeiros meses de 2025.

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