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STF estima que ganho de juiz cairá de R$ 96 mil para R$ 70 mil com regra sobre penduricalhos

STF estima que ganho de juiz cairá de R$ 96 mil para R$ 70 mil com regra sobre penduricalhos

Por Ana Pompeu e Isadora Albernaz, Folhapress

27/03/2026 às 13:30

Foto: Divulgação/Arquivo

Imagem de STF estima que ganho de juiz cairá de R$ 96 mil para R$ 70 mil com regra sobre penduricalhos

Fachada da sede do STF (Supremo Tribunal Federal), na praça dos Três Poderes, em Brasília

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) estimam que juízes ganharão em média cerca de R$ 25 mil mensais a menos com a decisão que limitou os pagamentos de penduricalhos no Poder Judiciário.

O cálculo foi feito pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Flávio Dino, relatores das ações que tratam do tema e foram julgadas no plenário da corte nesta semana.

O número é resultado da diferença entre a atual remuneração média bruta dos magistrados em 2025 (R$ 95.968,21), calculada pela comissão criada para discutir esse tema a partir de dados do CNJ (Comissão Nacional de Justiça), e a estimativa dos ministros da média salarial (cerca de R$ 70 mil) após as mudanças.

Com a decisão da corte, a remuneração mensal permitida será de até R$ 78,8 mil para aqueles que ganham pelo teto e recebem a quantia máxima das verbas indenizatórias.

O teto do funcionalismo público é de R$ 46.366, e a decisão do STF acabou aceitando penduricalhos no Judiciário e no Ministério Público até um limite de 70% do salário dos servidores desses órgãos.

O valor de quase R$ 96 mil médios da remuneração bruta em 2025 foi calculado com base no teto remuneratório constitucional anualizado, para refletir a renda de 13 contracheques —incluindo parcelas como 13º salário e férias. Isso significou considerar como teto um valor de R$ 52.805,94.

A comissão instituída por Fachin afirmou que, mesmo diante do argumento de defasagem salarial dessas carreiras, como apontado por entidades representativas, a situação fiscal do país impunha cautela. "A dívida líquida do setor público atingiu 65,3% do PIB, maior percentual da série histórica."

Há aproximadamente 19 mil juízes no Brasil, segundo dados do CNJ . Com isso, os ministros estimam um potencial de economia de R$ 6,2 bilhões só com a magistratura. A Folha apurou que os ministros listam mais de 50 penduricalhos encerrados por eles.

As novas regras também valerão para o Ministério Público. Segundo dados do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), os MPs têm cerca de 13 mil membros no país.

Além disso, o STF determinou a divulgação completa das verbas pagas como penduricalhos. Atualmente, há baixa transparência na discriminação desses valores.

Moraes, Zanin, Gilmar e Dino são relatores de ações no Supremo que tratam do pagamento de verbas indenizatórias e apresentaram um voto conjunto autorizando um limite de 70%.

A tese apresentada pelos quatro foi ratificada pelos demais integrantes da corte: André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Edson Fachin –presidente do tribunal.

Conforme a decisão, as verbas indenizatórias (que incluem pagamento de férias não gozadas e acúmulo de jurisdição) não podem ultrapassar 35% da remuneração do servidor. No caso de ministros do STF, esse valor extra representa R$ 16.228.

Além da limitação desses penduricalhos em até 35%, os ministros concordaram em permitir outro adicional, por tempo de serviço, chamado de "parcela de valorização do tempo de antiguidade na carreira", ou ATS.

Esse valor será também de até 35% do teto, com repasse de 5% a cada cinco anos. O limite só será pago a quem tiver 35 anos de serviço ou mais, ativo ou inativo, e comprovar o direito ao penduricalho.

No caso dos integrantes do próprio Supremo, que recebem R$ 46.366, esses pagamentos adicionais podem chegar a R$ 32.456.

Esse limite será válido apenas para quem já recebe teto salarial, quem recebe um grande número de verbas indenizatórias e quem tem 35 anos ou mais de carreira. A expectativa é que os demais servidores passem a receber valores menores do que hoje.

Neste ponto, a decisão acabou recriando um benefício extinto havia 20 anos no âmbito da União —para juízes federais e procuradores da República. O chamado quinquênio foi abolido por uma emenda à Constituição de 2003 e que passou a ter efeito em 2006.

No TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo), por exemplo, atualmente há remunerações líquidas que ultrapassam valores como R$ 180 mil e R$ 200 mil. Um desembargador recebeu, em dezembro passado, R$ 213.494.

Nesta quinta-feira (26), o CNJ e o CNMP CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) instituíram um grupo de trabalho conjunto para cumprimento da decisão do Supremo sobre o regime remuneratório da magistratura e do Ministério Público.

A AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) divulgou nota para manifestar "profunda discordância" com a decisão da corte. O texto é assinado por entidades dos estados representativas da magistratura estadual, federal, do trabalho e militar filiadas.

Quais penduricalhos estão proibidos?

O STF afirmou que penduricalhos como licenças compensatórias e demais verbas indenizatórias ou auxílios previstos em decisões administrativas, resoluções, leis estaduais e até mesmo em leis dessas carreiras são inconstitucionais, devendo cessar imediatamente.

A seguir alguns deles:

  • Auxílios natalinos

  • Auxílio-combustível

  • Licença compensatória por acúmulo de acervo

  • Indenização por acervo

  • Gratificação por exercício de localidade

  • Auxílio-moradia

  • Auxílio-alimentação

  • Licença compensatória por funções administrativas e processuais relevantes

  • Licença compensatória de um dia de folga por três trabalhados

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