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Refinaria privatizada, Acelen aproveita alta do petróleo no exterior para aumentar o preço dos combustíveis na Bahia
Refinaria privatizada, Acelen aproveita alta do petróleo no exterior para aumentar o preço dos combustíveis na Bahia
Por Redação
11/03/2026 às 12:59
Foto: Denis França/Arquivo/Política Livre
Deyvid Bacelar
A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã já fez o valor do barril do petróleo ultrapassar a barreira dos R$120 dólares no último fim de semana, com impactos na economia e na vida cotidiana da população de alguns estados brasileiros, como Amazonas e Bahia. De acordo com o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP), Deyvid Bacelar, quem mais tem sofrido são as pessoas que residem na região Norte do país e aqui na Bahia, onde as refinarias foram privatizadas.
“A Acelen (empresa dos Emirados Árabes que comprou a Refinaria Landulpho Alves – RLAM, durante o governo do presidente Jair Bolsonaro) utiliza o Preço de Paridade de Importação (PPI) na composição dos preços de seus derivados (gasolina, diesel, querosene de aviação e Gás Liquefeito de Petróleo - GLP), por isso a gasolina por aqui já está custando R$6,99”, aponta Bacelar, informando que em Manaus (AM), onde desde 2022 a Refinaria da Amazônia também foi privatizada, o preço da gasolina pulou de R$6,99 para R$7,49. “Aqui na Bahia, entre 23 de fevereiro e 2 de março, o diesel subiu noventa centavos na Acelen, antes mesmo da escalada de preços do barril de petróleo. Ou seja, a Acelen já havia reajustado os preços de seus derivados na refinaria, com efeito imediato na composição dos preços nos postos de combustíveis”, denuncia Bacelar.
Nos outros estados do Brasil atendidos por refinarias da Petrobras não haverá impactos neste momento, segundo Bacelar. “Por ser autossuficiente na produção de petróleo, o Brasil não depende do mercado internacional para definir seus preços de combustíveis, mas pode ser impactado pela elevação de alguns derivados de petróleo que importa, como diesel ou plástico, se a escalada do conflito se estender por muito tempo”, avaliou o sindicalista. “É nessas horas que a população brasileira percebe o quanto é prejudicial a privatização de setores estratégicos como o do refino do petróleo. Na Bahia, a Acelen faz o que bem entende com os preços dos derivados e está pouco se importando com a população baiana, que acaba pagando o valor mais alto pelos combustíveis no Brasil”, protestou.
Atualmente, o Brasil importa cerca de 600 mil barris diários de derivados, sendo aproximadamente 300 mil barris por dia de diesel. Dados de janeiro de 2026 da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o país produz cerca de 4 milhões de barris de petróleo por dia. Já o consumo interno de derivados gira em torno de 2,6 milhões de barris diários. O Brasil refina apenas dois milhões de barris por dia, exportando o excedente da produção de petróleo.
Outro setor que deverá ter impactos inflacionários será o de alimentos. Quase um quarto dos alimentos no Brasil são distribuídos em embalagens plásticas derivadas de petróleo, e o custo da embalagem vai subir.
