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R$ 90 milhões em jogo: blocos questionam destinação de recursos do Carnaval de Salvador e cobram transparência
R$ 90 milhões em jogo: blocos questionam destinação de recursos do Carnaval de Salvador e cobram transparência
Por Redação
10/03/2026 às 17:00
Foto: Divulgação/Arquivo
Albry Anunciação
A Associação de Blocos de Salvador (ABS) questionou a destinação dos cerca de R$ 90 milhões mobilizados para a realização do Carnaval de Salvador e afirmou que grande parte dos recursos — inclusive oriundos de patrocínios privados — tem sido concentrada em grandes atrações e na estrutura do espetáculo turístico, enquanto diversos blocos tradicionais seguem sem patrocínio, subvenção ou incentivo público.
A manifestação foi feita pelo conselheiro do Conselho Municipal do Carnaval (Comcar) e representante da ABS, Albry Anunciação, após declarações do presidente do colegiado, Whaghinton Paganelli, publicadas pelo portal Bahia Notícias no balanço do Carnaval de 2026.
Segundo Albry, o modelo atual de financiamento da festa tem gerado desequilíbrios na estrutura do Carnaval.
“Os recursos acabam direcionados principalmente para grandes shows e atrações de grande visibilidade, enquanto muitas entidades carnavalescas seguem arcando com custos elevados para colocar seus blocos na rua”, afirmou.
Para a ABS, esse cenário pressiona financeiramente pequenas e médias agremiações que historicamente ajudaram a construir o Carnaval de Salvador.
“Os blocos geram trabalho, renda e formação artística nas comunidades durante todo o ano. Enfraquecer essas entidades significa comprometer a diversidade e a própria identidade cultural da festa”, disse.
Avaliação não passou pelo Comcar
Albry Anunciação também afirmou que as declarações divulgadas na matéria não representam uma posição institucional do Conselho Municipal do Carnaval.
Segundo ele, o Comcar ainda não realizou a reunião oficial de avaliação e prestação de contas do Carnaval de 2026, o que impede que qualquer análise seja tratada como posicionamento do colegiado.
“A avaliação publicada não passou por debate no conselho e, portanto, não expressa o entendimento coletivo do Comcar”, afirmou.
Superlotação e modelo da festa
A ABS também questiona a forma como tem sido conduzido o debate sobre a suposta superlotação de trios independentes.
De acordo com Albry, o fenômeno precisa ser analisado dentro do atual modelo de organização do Carnaval.
“Quando há concentração de investimentos em determinadas atrações, naturalmente ocorre deslocamento de público e pressão sobre os circuitos. Não é possível discutir superlotação sem discutir também o modelo de financiamento da festa”, argumentou.
Venda de vagas
Outro ponto citado pela associação é a discussão sobre a possível venda de posições na ordem dos desfiles.
Para Albry Anunciação, o tema não pode ser tratado como mera especulação, já que a questão já foi objeto de debates institucionais no passado.
“Esse assunto já foi amplamente discutido no Ministério Público e, durante a reunião, foi entregue pela ABS um documento comprovando quem efetivamente comprou blocos e suas vagas. Entretanto, o MP não tomou nenhuma posição diante da denúncia”, afirmou.
“Sem blocos não existe Carnaval”
Ao final da manifestação, o representante da ABS reforçou que qualquer discussão sobre o futuro da festa precisa reconhecer o papel central das entidades carnavalescas.
“O Carnaval de Salvador não nasceu como produto turístico. Ele foi construído pelos blocos, pelas comunidades e pelos artistas ao longo de décadas. Sem os blocos, não existe Carnaval de Salvador”, concluiu.
