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PT quer usar Campos Neto para ligar Bolsonaro ao caso Master

PT quer usar Campos Neto para ligar Bolsonaro ao caso Master

Petistas criticam ex-presidente do BC e tentam desgastar candidatura presidencial de Flávio

Por Raphael Di Cunto/Folhapress

04/03/2026 às 21:00

Atualizado em 04/03/2026 às 21:46

Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de PT quer usar Campos Neto para ligar Bolsonaro ao caso Master

O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto

Com a nova prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a estratégia do PT é mirar o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto para vincular o maior escândalo bancário do país ao governo Jair Bolsonaro (PL) e tentar desgastar também a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Campos Neto é sempre apontado como referência econômica entre os bolsonaristas e um possível nome para comandar um novo Ministério da Economia caso Flávio seja eleito. Atualmente, ele é vice-chairman e chefe global de políticas públicas do Nubank. Também é colunista do jornal Folha de São Paulo.

Foi na gestão dele no BC que o Banco Master acabou sendo criado e cresceu em meio a fraudes. O ex-presidente do BC tem se defendido dizendo que a autoridade monetária não ficou inerte e fez alertas ao banco de Vorcaro para que ajustasse suas condutas às regras vigentes.

Campos Neto foi procurado nesta quarta (4) por meio de sua assessoria, mas não houve resposta.

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza, que cumpriu a função entre 2019 e 2023, na gestão Campos Neto.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça afirmou, ao autorizar os mandados, que Souza atuou como uma "espécie de empregado/consultor" de Vorcaro.

De acordo com o ministro, há indícios de que o ex-diretor intermediava ou auxiliava o Banco Master em operações societárias e financeiras, chegando a indicar potenciais interessados na compra de uma instituição financeira vinculada ao grupo de Daniel Vorcaro. Ele também teria atuado como interlocutor informal entre o banqueiro e agentes do mercado.

Outro servidor do BC alvo da operação desta terça é Belline Santana, que também foi acusado pela PF de atuar para Vorcaro dentro da autoridade monetária. Ele chegou a emitir opinião sobre um ofício que o Banco Master enviaria ao departamento até então chefiado por Belline, e manteve contato telefônico com Vorcaro em diversas ocasiões.

Ambos foram afastados da função pública por determinação do STF e deverão usar tornozeleira eletrônica.

A ministra da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), Gleisi Hoffmann, afirmou nas redes sociais que o ex-diretor é acusado de receber dinheiro para não fiscalizar o Master. "Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?", questionou.

Ela também criticou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que usou um jatinho de uma empresa de Vorcaro na campanha eleitoral de 2022, para pedir votos para o ex-presidente Jair Bolsonaro.

"Essa 'Turma' dos amigos de Nikolas espionava autoridades, invadia bancos de dados do Ministério Público e da Polícia Federal, organizava ataques a desafetos de Vorcaro e até contra jornalistas. E a Turma da extrema direita, de Bolsonaro e Nikolas, ainda quer jogar esse escândalo no colo dos outros", diz.

O parlamentar tem alegado que não conhece Vorcaro, que o avião pertencia a uma empresa de táxi aéreo e que o banqueiro ainda não estava envolvido em irregularidades públicas na época. Nas redes, ele tem feito postagens sugerindo que Vorcaro faça uma delação premiada.

Ex-líder do PT na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (RJ) apresentou notícia-crime à PGR (Procuradoria-Geral da República) pedindo que Campos Neto seja investigado por suposta omissão dolosa na fiscalização bancária.

"O que falta para PF e PGR investigarem também o papel do Roberto Campos Neto na fraude do Banco Master?", perguntou o petista, nas redes sociais.

O caso Master provocou abalos no mundo político tanto à direita quanto à esquerda.

Um dos políticos mais próximos de Vorcaro era o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), aliado de Bolsonaro.

O ex-ministro petista Guido Mantega (Fazenda) foi consultor do Master e, no ano passado, Lula foi informado sobre a relação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), com um sócio do Master, mas recebeu a avaliação de que não haveria riscos de envolvimento no esquema.

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