Home
/
Noticias
/
Economia
/
Preço do petróleo tem maior queda diária desde 2022 após fala de Trump sobre fim da guerra no Irã
Preço do petróleo tem maior queda diária desde 2022 após fala de Trump sobre fim da guerra no Irã
Bolsas pelo mundo, ouro e bitcoin estão em alta com investidores mais otimistas
Por Folhapress
10/03/2026 às 17:45
Atualizado em 10/03/2026 às 19:29
Foto: Geraldo Falcão/Agência Petrobras/Arquivo
Plataforma de exploração de petróleo
Os preços do petróleo despencaram mais de 11% nesta terça-feira (10), a maior queda percentual em uma única sessão desde 2022, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer nesta segunda (9) que a guerra com o Irã poderia estar próxima do fim.
A declaração de Trump foi vista pelo mercado como um alívio em meio às preocupações sobre as reservas de petróleo. A maior preocupação refere-se ao transporte de navios no estreito de Hormuz, na costa iraniana e por onde trafega 20% da produção mundial de petróleo.
Após desabarem quase 18% durante a sessão, os contratos futuros do Brent, referência global, caíam 7,7% às 17h desta terça, cotados a US$ 91,2. O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos era cotado a US$ 87 por barril, queda de 8,2%.
Ambos os referenciais registraram a maior perda percentual em um único dia desde março de 2022, depois de terem disparado para máximas de quatro anos nesta segunda, dia marcado pela maior variação intradia da história.
Os preços chegaram a cair ainda mais no meio do pregão após o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, escrever na rede social X que as Forças Armadas americanas haviam facilitado um embarque de petróleo para fora do estreito de Hormuz.
"O presidente Trump está mantendo a estabilidade da energia global durante as operações militares contra o Irã", publicou Wright às 13h02 no horário local, antes de a postagem ser removida.
"A Marinha dos EUA escoltou com sucesso um petroleiro pelo estreito de Hormuz para garantir que o petróleo continue fluindo para os mercados globais", disse Wright. A Casa Branca disse na sequência que a afirmação era falsa, fazendo os preços recuperarem parte dos ganhos.
Os republicanos de Trump em breve iniciarão campanha para manter o controle do Congresso nas eleições legislativas de novembro, em meio à preocupação de muitos eleitores com a alta dos preços de energia.
A redução no preço ocorre um dia após o petróleo superar o seu maior valor desde julho de 2022, quando bateu US$ 119,46 na noite de domingo (8, horário de Brasília). A commodity recuou e terminou a segunda-feira cotada próxima de US$ 90.
Trump disse em entrevista à CBS na tarde de segunda que achava que a guerra contra o Irã estava "praticamente encerrada" e que Washington estava "muito à frente" de seu prazo inicial estimado em quatro a cinco semanas. Mais tarde, no entanto, em evento na Flórida, disse que os EUA poderiam voltar a atacar o Irã.
"Claramente, os comentários de Trump sobre uma guerra de curta duração acalmaram os mercados. Embora tenha havido uma reação exagerada para o lado positivo ontem, achamos que há uma reação exagerada para o lado negativo hoje", avalia Suvro Sarkar, líder da equipe do setor de energia do DBS Bank, acrescentando que o mercado estava subestimando os riscos nesses níveis para o Brent.
A Administração de Informação de Energia dos EUA disse em relatório mensal que os preços do Brent devem permanecer acima de US$ 95 por barril nos próximos dois meses, enquanto a guerra com o Irã interrompe o fornecimento, antes de cair para cerca de US$ 70 até o fim do ano.
Mesmo que a guerra termine, o fornecimento de petróleo não se recuperará imediatamente, disse Simon Flowers, presidente e analista-chefe da Wood Mackenzie.
"Quando o conflito acabar, reativar toda a cadeia de suprimentos não será rápido", afirmou Flowers. "Barrís de derivados armazenados em refinarias ou portos podem ser embarcados relativamente rápido.
Mas, se poços ficarem fechados por um período prolongado, retomar a produção até a capacidade total pode levar semanas ou até mais."
Em resposta a Trump, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que Teerã não permitirá que "um litro sequer de petróleo" seja exportado da região caso os ataques dos Estados Unidos e de Israel continuem, segundo a mídia estatal iraniana nesta terça-feira.
Ao mesmo tempo, Trump avaliava aliviar sanções ao petróleo russo relacionadas à guerra de Moscou na Ucrânia e liberar estoques estratégicos de petróleo para ajudar a conter a disparada dos preços, segundo várias fontes.
"Discussões sobre aliviar sanções ao petróleo russo, comentários de Donald Trump sugerindo que o conflito poderia eventualmente se desescalar e a possibilidade de países do G7 recorrerem às reservas estratégicas apontavam para a mesma mensagem: que os barris de petróleo, de alguma forma, continuarão chegando ao mercado", disse Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova, em nota.
Os ministros de Energia do G7 evitaram nesta terça-feira concordar com a liberação de reservas estratégicas de petróleo e, em vez disso, pediram que a Agência Internacional de Energia avalie a situação antes de agir.
As declarações de Trump também levaram os investidores a voltar a apostar em ativos de risco, o que resultou na subida das principais Bolsas pelo mundo nesta terça. Os índices da Europa saltaram mais de 2%, enquanto os maiores mercados asiáticos valorizaram até 5,35%, como foi o caso de Seul. Ouro e bitcoin subiam cerca de 2%.
No Brasil, o dólar fechou em queda de 0,15% nesta terça, cotado a R$ 5,157, com investidores repercutindo declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o fim da guerra no Irã estar próximo.
A Bolsa de Valores fechou em forte alta de 1,28%, a 183.241 pontos, segundo dados preliminares, com empresas ligadas ao setor energético, como Petrobras e Braskem, entre os destaques negativos. Os índices americanos fecharam estáveis.
As Bolsas da China subiram 1,28% no índice CSI300, que reúne as principais companhias listadas em Xangai e Shenzhen, e 0,65% no índice SSEC, em Xangai. O Nikkei, em Tóquio, ganhou 2,88% nesta terça.
