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Preço do petróleo dispara e fecha em maior valor desde 2023; Bolsas da Europa e dos EUA caem
Preço do petróleo dispara e fecha em maior valor desde 2023; Bolsas da Europa e dos EUA caem
Ministro da Energia do Qatar diz que barril pode chegar a US$ 150; petróleo sobe mais de 10%
Por Fernando Narazaki/Folhapress
06/03/2026 às 20:45
Foto: Geraldo Falcão/Agência Petrobras/Arquivo
Disparada do petróleo nos últimos dois dias é resultado do temor dos investidores com o fornecimento
O preço do petróleo voltou a disparar nesta sexta-feira (6) com temores de investidores sobre o fornecimento do produto devido aos confrontos no Oriente Médio, que já duram sete dias. Tanto o barril Brent, referência mundial, quanto o barril do WTI, usado nos Estados Unidos, encerraram a sessão no maior valor desde setembro de 2023.
O contrato para maio do barril Brent chegou a US$ 94,51 (R$ 501,09) na máxima do dia e encerrou a sessão a US$ 93,04 (R$ 487,95), alta de 8,93%.
O barril do WTI fechou o dia em US$ 91,27 (R$ 478,67), uma alta de 12,67%. Na máxima do dia, atingiu US$ 92,53.
A disparada do petróleo nos últimos dois dias é resultado do temor dos investidores com o fornecimento, já que os navios-petroleiros não estão passando pelo estreito de Hormuz, que atravessa o litoral do Irã e é a via por onde escoa 20% da produção mundial.
As embarcações estão ancoradas em portos próximos ao golfo Pérsico e as principais companhias de transporte marítimo não estão realizando o trajeto, já que os navios vêm sendo alvo de bombardeios dos iranianos, que estão retaliando os ataques vindos dos EUA e de Israel.
O ministro de Energia do Qatar, Saad Al-Kaabi, afirmou em entrevista ao jornal Financial Times que teme que a produção energética nos países do golfo Pérsico seja paralisada dentro de alguns dias e que o preço do petróleo pode atingir até US$ 150.
Nesta semana, a QatarEnergy, principal estatal do país no setor, anunciou a interrupção da produção de GNL (gás natural liquefeito), o que levou o preço dos contratos a quase dobrarem em dois dias, e também de outros produtos como ureia, alumínio, polímeros e metanol.
"O alerta do ministro de Energia do Qatar de que um conflito prolongado poderia derrubar economias ao redor do mundo abalou novamente os mercados financeiros", disse Susannah Streeter, estrategista-chefe de investimentos da Wealth Club.
"A implicação atual para a energia é maior do que a guerra da Ucrânia", acrescentou Saul Kavonic, analista da MST Financial ao FT, já que petróleo bruto, gás natural liquefeito e derivados de petróleo "enfrentam escassez ao mesmo tempo".
Para ele, investidores estão subestimando a duração do caos. "O mercado está precificando o fim da guerra ainda este mês, ou pelo menos o retorno da maior parte dos fluxos pelo estreito de Hormuz em breve, mesmo que o conflito continue latente".
As principais Bolsas da Ásia fecharam em alta nesta sexta, mas as da Europa e as dos EUA caíram. Na China, o índice CSI300, que reúne as principais companhias listadas em Xangai e Shenzhen, subiu 0,27% e o índice SSEC, de Xangai, valorizou 0,38%.
A Bolsa de Tóquio fechou a sexta com avanço de 0,6%, e a de Seul oscilou 0,02% para cima, após registrar na quarta-feira o seu pior dia na história, desabando mais de 12%. Na semana, porém, as quatro Bolsas registraram perdas entre 1% e 3%.
Já na Europa, houve tendência contrária, com os principais mercados caindo. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, fechou com queda de 1,01%, sendo seguido pelos índices em Frankfurt (-0,94%), Londres (-1,22%), Paris (-0,65%), Madri (-0,99%) e Milão (-1,02%). No dia anterior, elas também tiveram perdas entre 2% e 3%.
Os três principais índices de Wall Street também fecharam em queda. O S&P 500 perdeu 1,33%, o índice de tecnologia Nasdaq caiu 1,59% e o Dow Jones teve queda de 0,93%.
