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Petrobras diz que importadores estão desviando diesel que viria ao Brasil

Petrobras diz que importadores estão desviando diesel que viria ao Brasil

Magda Chambriard afirma que estatal faz 'das tripas coração' para aumentar oferta nacional

Por Nicola Pamplona/Folhapress

18/03/2026 às 21:50

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Petrobras diz que importadores estão desviando diesel que viria ao Brasil

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta quarta-feira (18) que importadores privados de combustíveis estão desviando para outros países navios contratados inicialmente para abastecer o Brasil.

A estratégia, diz ela, tem criado incertezas sobre o abastecimento nacional após o início da guerra no Irã. A estatal, afirmou Magda, tem feito "das tripas coração" para ampliar a produção do combustível em suas refinarias.

"A inteligência competitiva da Petrobras monitorou seis navios de terceiros direcionados ao Brasil. Alguns chegaram até perto de portos brasileiros e tiveram os seus destinos desviados", disse Magda em evento no Rio de Janeiro.

A presidente da Petrobras insinuou que o desvio dos navios ocorreu porque os proprietários da carga buscaram mercados com maiores preços nesse momento de escassez global do produto. Disse ainda que a petroleira tem tomado medidas para garantir o abastecimento, mas tem capacidade limitada de importação.

Na abertura do mercado desta quarta, o diesel vendido pelas refinarias da Petrobras custava R$ 2,15 por litro a menos do que a paridade de importação medida pela Abicom. Na gasolina, a diferença era de R$ 1,33 por litro.

"Nossa capacidade de importação não atende toda a demanda do Brasil. Isso é bom que se diga. Por que isso aconteceu? Porque o Estado brasileiro, num determinado momento, decidiu que a Petrobras não ficaria sozinha nesse mercado", afirmou.

Nesta quarta, entidades ligadas à distribuição e importação de combustíveis enviaram carta ao governo pedindo aumento do preço do diesel, sob a justificativa de que os preços atuais, defasados em relação ao mercado internacional, tornam as importações inviáveis economicamente.

"O caminho mais sustentável para o setor passa pelo equilíbrio de preços com o mercado internacional, pela previsibilidade regulatória, pela concorrência saudável e por políticas que assegurem o equilíbrio entre oferta e demanda", escreveram.

O texto, assinado pela Abicom, IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás) e Brasilcom (federação que representa distribuidoras de combustíveis de médio porte), diz que o reajuste anunciado pela Petrobras na semana passada "é uma resposta parcial" ao problema.

O Sindicom, que representa as grandes distribuidoras, também enviou carta ao governo cobrando a continuidade dos leilões de volumes adicionais pela Petrobras, como medida para garantir o abastecimento nacional.

As empresas dizem que vêm observando aumento da demanda, ao mesmo tempo em que a estatal corta cotas de fornecimento e nega pedidos adicionais do mercado. É grande a preocupação no mercado com o abastecimento em abril.

Na terça (17), a estatal comunicou ao mercado cancelamento de leilões de combustíveis que realizaria neste início de semana. Magda disse nesta quarta que a empresa decidiu reavaliar o cenário antes de colocar mais produtos à venda.

A estatal diz que vem entregando ao mercado volumes 15% superiores aos contratados e adiou paradas para manutenção em refinarias para garantir o abastecimento enquanto durar a guerra.

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